Dr. Jorge Huberman

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Criança tomando sol: vitamina D evita vários problemas e várias doenças

Vitamina D para crianças em tempos de pandemia

Ainda estamos enfrentando os efeitos da Covid-19 e um tema que os pais se questionam é: como fica a vitamina D para as crianças em tempos de pandemia?

Em primeiro lugar, é sempre bom esclarecer: a vitamina D tem um papel essencial no equilíbrio de diferentes órgãos e funções do organismo, especialmente do metabolismo do cálcio.

A Vitamina D está envolvida, por exemplo, na modulação da autoimunidade, no controle de inflamações e da pressão arterial e ajuda a nos livrarmos de doenças crônicas como diabetes, esclerose múltipla, câncer, depressão e até doenças autoimunes. 

Apesar de encontrar-se em vários alimentos, como óleo de fígado de bacalhau, bife de fígado, gema de ovo, peixes (atum, sardinha, salmão), queijos do tipo cheddar, suíço ou ricota, cogumelos, ostras e leite, as fontes alimentares são responsáveis por somente 10 a 20% da vitamina D essencial aos seres humanos.

O restante, de 80 a 90%, é simplesmente sintetizado pela pele quando a mesma está exposta ao sol. 

Estudos científicos mostram que as taxas de vitamina D no organismo dos brasileiros estão abaixo do desejado mesmo quando não há necessidade de isolamento social, como o que ocorre neste momento por causa da pandemia de coronavírus.

Isso acontece em cerca de 60% dos adolescentes; 40% a 58% dos adultos jovens; e 42% a 83% dos idosos, com taxas mais altas entre indivíduos com idades mais avançadas.  

O que fazer, então, para evitar que a deficiência de vitamina D no organismo se agrave neste período em que as pessoas estão mais tempo em casa e, consequentemente, menos expostas ao sol?

O risco de queda na imunidade é maior? Há outros possíveis problemas à saúde envolvidos? É necessário termos muita cautela ao abordar o tema.

Valores muito elevados da Vitamina D podem provocar efeitos negativos

Vitamina D para crianças em tempos de pandemia: valores muito elevados da vitamina D também podem ser prejudiciais
Vitamina D para crianças em tempos de pandemia: valores muito elevados da vitamina D também podem ser prejudiciais

Embora envolvida em diversos processos do nosso organismo, não há comprovação científica de que valores mais elevados da vitamina sejam necessários para a manutenção desses processos ou mesmo que concedem maior benefício.

Da mesma forma, valores muito elevados podem provocar efeitos negativos. É importante, sim, nos atentarmos para a manutenção de bons níveis de vitamina D, melhorando nossa exposição ao sol e a nossa alimentação.

Mas a necessidade de suplementação, ou não, deve ser realizada por um médico.

Também se recomenda que qualquer suplementação oral de vitamina D seja realizada com orientação profissional.

E isso deve caminhar junto com uma dieta enriquecida com alimentos específicos como atum, sardinha, ovos e cogumelos.

Lembrando que a exposição ao sol deve ser controlada e feita de modo adequado.  

A Sociedade Brasileira de Dermatologia orienta que, ao menos três vezes por semana, durante 10 a 15 minutos, exista exposição ao sol de regiões como pernas e abdome.

Nesses intervalos, é essencial evitar a exposição de áreas já cronicamente expostas, como face, pescoço, braços e colo, levando-se em conta o risco do câncer de pele.

O ideal é fazer isso no período entre 10 e 15 horas, por causa do pico da radiação UVB, que é a principal estimulante da produção da vitamina D

Fica, porém, o alerta: é necessário evitar a luz solar mais forte, do meio dia, com seus poderosos raios ultravioletas, e não extrapolar o período de exposição (15 minutos, no máximo) e aplicar protetor solar nas áreas expostas.

Segundo estudos recentes, utilizar protetor solar não prejudica a produção de vitamina D. Com o uso do protetor, junto com chapéu, óculos, e, claro, roupas leves sobre áreas já naturalmente expostas, é possível tomar sol de forma mais segura e minimizar demais o risco de câncer de pele.  

CARÊNCIA DE VITAMINA D

Criança tomando sol: a falta de Vitamina D em nosso corpo pode provocar dores musculares e fraqueza
Criança tomando sol: a falta de Vitamina D em nosso corpo pode provocar dores musculares e fraqueza

A carência de vitamina D em nosso corpo pode fazer com que a gente sinta dores musculares, fraqueza e dor óssea em pessoas de todas as faixas etárias. Os sintomas podem ser percebidos nas mais diversas faixas de idade.

Em bebês, por exemplo, sua ausência pode levar até a espasmos musculares e atrasar o desenvolvimento do nenê em ações como se sentar ou mesmo engatinhar.  

Já nos pequenos, entre 1 e 4 anos de idade, o crescimento ósseo tem a tendência de sofrer anomalias, com desvios na curvatura da coluna vertebral (escoliose) e pernas arqueadas (joelho varo) ou joelhos juntos (joelho valgo).

Nestes casos, as crianças podem até mesmo demorar para aprenderem a andar e é bem possível que crianças mais velhas e adolescentes até sintam dor ao caminharem.

Em algumas meninas, já na fase da adolescência, pode causar o achatamento dos ossos pélvicos, ocasionando o estreitamento da vagina.

Enquanto isso, nos adultos, a falta de vitamina D pode originar fragilidade óssea, essencialmente na coluna vertebral, na pelve e nas pernas.

As zonas afetadas são dolorosas ao tato e pode ocorrer até fraturas.

Nos idosos, fraturas ósseas, principalmente do quadril, podem acontecer simplesmente a partir de um leve choque ou de uma pequena queda.  

A VITAMINA D E A COVID-19

Uma dúvida comum nesta pandemia de Covid-19 é: a falta de vitamina D é capaz de interferir no eventual desenvolvimento do novo Coronavírus?

De acordo com os especialistas, não causa surpresa, segundo estudos, o achado de baixas taxas da substância em pacientes com formas moderadas a graves da Covid-19, pois as comorbidades apresentadas frequentemente por esses indivíduos (por exemplo, doenças crônicas ou inflamatórias, obesidade e diabetes) são inicialmente associadas à deficiência de vitamina D.  

Conforme a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, frisou, em um comunicado divulgado em abril, nenhum estudo mostrou qualquer benefício da suplementação de Vitamina D, ou que qualquer excesso de Vitamina D, pode prevenir ou tratar a Covid-19.

Contudo, nesta fase em que ainda estamos encarando de frente a pandemia de Covid-19 e estamos bastante preocupados com a nossa saúde, devemos, sim, melhorar a alimentação e realizar exercícios físicos mesmo que seja em nossas casas, já que tudo isso irá se refletir no nosso sistema imunológico.  

“Nunca podemos esquecer que as células que fazem parte do sistema imunológico, como os linfócitos, têm receptores para a vitamina D, que atua no fortalecimento do sistema de defesa, auxiliando na prevenção de doenças”, afirma o pediatra Jorge Huberman.

O pediatra Jorge Huberman ao lado de paciente em seu consultório: nunca podemos esquecer que as células que fazem parte do sistema imunológico, como os linfócitos, têm receptores para a vitamina D
O pediatra Jorge Huberman: “nunca podemos esquecer que as células que fazem parte do sistema imunológico, como os linfócitos, têm receptores para a vitamina D”

Para marcar uma consulta com o pediatra Jorge Huberman, ligue para: (11) 2384- 9701