Dr. Jorge Huberman

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A varíola dos macacos apresenta sintomas semelhantes aos da varíola erradicada há mais de 40 anos, mas costuma ser mais branda

Varíola: qual a ação em crianças e como preservá-las

A varíola foi erradicada há mais de 40 anos, mas tem sido lembrada por conta do surto global da varíola dos macacos. Ambas são ocasionadas pelo vírus da família Orthopoxvirus. Entenda tudo sobre a ação do microrganismo em crianças e saiba como preservá-las.

Com casos confirmados em dezenas de países, a doença fez soar um alerta na comunidade científica e na população mundial. Ela é semelhante ao mal que é transmitido entre humanos, mas geralmente apresenta sintomas mais leves.

Apesar do nome, o vírus da varíola símia não vive em macacos. Acredita-se que ele seja disseminado por pequenos roedores na África. Ao que tudo indica, o aumento crescente () na incidência da doença é decorrente da interrupção da vacinação contra a varíola em 1980.

Isso porque, a imunização da varíola humana tem 85% de eficácia contra a varíola dos macacos. No território africano, os casos de contaminados aumentam, porque cada vez mais pessoas invadem o habitat dos animais que carregam os seres microscópicos.

Contagiosa, desfigurante e mortal, a varíola é conhecida desde o século XVIII. Estima-se que cerca de 400 mil mortes ocorreram na Europa por conta do mal. É considerada uma enfermidade grave pela taxa de mortalidade de 30% dos infectados sem vacina.

O pediatra e neonatologista, Jorge Huberman, explica que a vacinação da varíola gerou vacinação obrigatória foi aprovada pelo Congresso. A essa altura os ânimos já estavam mais do que exaltados. A regulamentação da lei nove dias depois acendeu o estopim que faltava: no dia 10 de novembro tinha início a Revolta da Vacina”, conta.

Embora se apresente de forma mais branda, o Instituto Butantan afirma que a varíola causada pelo vírus Monkeypox pode ser perigosa se entrar em contato com crianças e pessoas com sistema imunológico comprometido.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), órgão do governo dos Estados Unidos que monitora os casos no país, explica que o prognóstico depende de fatores como vacinação, estado de saúde e comorbidades.

Saiba quais os tipos, sintomas e tratamentos da doença e descubra a importância da vacinação na prevenção da varíola.

Dois principais tipos de varíola

Lesões na pele que se espalham rapidamente por todo o corpo quando pacientes estão acometidos pela doença. As crianças fazem parte do grupo de risco (Foto: Shutterstock)

Em primeiro lugar é preciso compreender o conceito de “cepa”. Ela é uma variante ou um grupo de variantes dentro de uma linhagem que se comportam um pouco diferente do vírus original. Há pelo menos duas cepas da varíola em circulação no planeta.

A primeira é a endêmica da África Ocidental, que tem mais de 600 mil casos em 33 países membros da OMS (Organização Mundial da Saúde) e taxa de letalidade de 1 a 3%. A outra é originária do Congo e é mais grave, com letalidade de 10%.

É importante reiterar que o Monkeypox não é considerado um vírus mortal, como o Smallpox, agente da varíola que atacou humanos e causou milhões de mortes no século passado.

Como a varíola é transmitida

O vírus é transmitido por contato direto ou indireto com sangue, fluidos corporais, lesões de pele ou mucosa com animais infectados. Nos raros casos de contágio entre humanos, ele se dá pelo contato com secreções respiratórias, lesões ou objetos infectados.

Para a transmissão acontecer por gotículas, o contato precisa ser próximo e prolongado entre o paciente e outros infectados, isso quando são casos sintomáticos de pessoas de qualquer idade, sejam adultos ou crianças.

Diversas espécies de animais foram identificadas como suscetíveis ao Monkeypox. A OMS adverte que a ingestão de carne e outros produtos mal cozidos, provenientes de animais infectados, é um possível fator de risco.

O período de incubação, ou seja, o  intervalo entre a data do primeiro contato com o vírus até o início dos sintomas da doença, é geralmente de 6 a 13 dias, mas pode variar de 5 a 21 dias.

Sintomas da varíola

Durante os primeiros cinco dias com a varíola dos macacos, é comum sentir febre, dor de cabeça, cansaço, dor nas costas e um inchaço generalizado nos gânglios devido a exposição à infecção.

É também no início da doença que surgem lesões na pele, que se espalham rapidamente por todo o corpo. Na maioria das vezes, as feridas aparecem na face, mas podem se apresentar nas mãos, pés, genitália e até conjuntiva.

Em um primeiro momento, as lesões são dolorosas. Depois, na fase de cicatrização, passam a coçar. Elas são similares às marcas de catapora e caem depois de formarem uma crosta.

Embora pareça aterrorizante, quando a crosta presente na barreira cutânea desaparece, o paciente deixa de infectar os outros. Em geral, isso ocorre em até 4 semanas no máximo e é recomendado isolamento até o momento oportuno. 

Se além de todos estes sinais apresentados acima houver histórico de viagens para um país endêmico no mesmo período, um teste sorológico provavelmente confirmará a presença do orthopoxvirus por meio do resultado positivo.

Como tratar a criança infectada pela varíola
A vacinação é importante para evitar que doenças erradicadas como a varíola voltem a surgir. Por isso, as crianças devem seguir o Calendário Nacional de Vacinação
A vacinação é importante para evitar que doenças erradicadas como a varíola voltem a surgir. Por isso, as crianças devem seguir o Calendário Nacional de Vacinação (Foto: Freepik)

Especialistas da área da saúde afirmaram que o grupo que corre maior risco são as crianças, pois quando a contaminação abrange grávidas, o risco de complicações é maior, podendo desencadear a varíola congênita ou até mesmo a morte do bebê.

Portanto, quando casos como esse ocorrerem devem ser encaminhados diretamente ao pediatra. Durante a interação com o médico, a máscara cirúrgica é de uso obrigatório e ele também vetará a circulação do paciente suspeito ou confirmado de áreas sociais sem necessidade.

Pode ser difícil para os pequenos se acostumarem ao isolamento e, ainda que exista a possibilidade de um acompanhante, é recomendado o uso de plataformas virtuais para comunicação remota. Com exceção do acompanhante, visitas são proibidas.

Nesse caso, os pediatras não apenas cuidam das crianças, mas também alertam o Estado sobre a ocorrência da doença. A informação permite que o número de casos seja contabilizado.

A vigilância epidemiológica local monitora as ocorrências de varíola dos macacos por 21 dias, medindo a temperatura a cada 12 horas e analisando sintomas e sinais diferentes do esperado.

Durante esse período, é importante que o paciente não frequente serviços de saúde sem motivo e não doe sangue, células, tecidos, órgãos, leite materno ou sêmen.

Vacina protege crianças contra a varíola

A vacinação é considerada uma das mais importantes intervenções em saúde pública nas últimas décadas, alcançando grandes marcos na erradicação e no controle de doenças com potencial epidêmico e de gravidade.

Por conta das campanhas de vacinação em todo o mundo, cada vez mais doenças infecciosas estão se tornando raras. Para garantir que essas infecções sejam realmente erradicadas, é essencial que o Calendário Nacional de Vacinação seja seguido.

Sem a imunização da população em geral, o cenário se torna mais propício a novos surtos e epidemias. Por isso, é importante que pais e cuidadores confiem na ciência.

Para marcar uma consulta com o pediatra e neonatologista Dr. Jorge Huberman, ligue para (11) 2384-9701.