Dr. Jorge Huberman

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Grávida recebe atendimento médico: vacinadas geram leite com anticorpos contra Covid Foto: Frank Dejongh/UNICEF/Divulgação

Vacinadas geram leite com anticorpos contra Covid

Essa é uma das grandes novidades de estudo divulgado recentemente, em meio, ainda, às más notícias que ainda acompanhamos sobre o Coronavírus, principalmente no Brasil, onde já superamos o terrível número de mais de 500 mil vítimas fatais por causa do Covid-19. O levantamento aborda as mulheres vacinadas que geram leite com anticorpos contra o Covid, protegendo assim os seus amados bebês.

Isso diz respeito, obviamente, às gestantes que foram imunizadas e que também amamentam seus nenês.

Nos Estados Unidos, há diversas iniciativas para retomar o aleitamento, em busca da proteção dos pequenos humanos.

Apesar de ser uma notícia positiva, vários pediatras estão alertando que esses estudos ainda não certificaram que as crianças obtém, realmente, a sua imunidade.

E, ainda, por quanto tempo essa “vantagem” teria duração.

Há cerca de dois meses, foi realizado um levantamento com 131 mulheres em idade reprodutiva, entre elas gestantes e lactantes, que tomaram as duas doses da vacina, tanto da Pfizer/BioNTech como também da Moderna.

O acompanhamento mostrou que há presença de anticorpos no sangue do cordão umbilical e também no leite materno das gestantes.

Os pesquisadores dos Hospitais Massachusetts General e Brigham and Women’s, fizeram uma comparação entre os anticorpos produzidos por mulheres infectadas e os induzidos pela vacinação, encontrando um número bem mais maior entre as mulheres que foram imunizadas.

Finalizado no dia 30 de março, um levantamento da Escola de Medicina da Universidade de Washington em St. Louis também achou anticorpos contra o Coronavírus e conseguiu detectar que eles surgiriam duas semanas depois da primeira dose da vacina, permanecendo por, no mínimo 80 dias, que foi o tempo de duração da pesquisa.

Os pesquisadores afirmam que eles poderiam passar através da amamentação para os nenês e oferecer algumas proteções.

Retomar a amamentação pode ter aspectos positivos; vacinadas geram leite com anticorpos contra Covid

Mulheres amamentam seus filhos: volta da amamentação é positivo
Mulheres amamentam seus filhos: volta da amamentação é vista como positiva. Foto: Agência Brasil/Divulgação

No estudo, verificou-se somente uma pequena parcela, de cinco mães, que receberam a vacina da Pfizer/BioNTech, e com filhos na faixa etária entre um mês e 2 anos de idade.

O levantamento só mostrou que há a produção do anticorpo e que ele passa para o leite, porém não quanto o anticorpo passado pelo leite protege, de fato, o nenê.

De forma alguma, a pesquisa desobriga a mãe de se proteger de forma adequada.

Então, exige-se, ainda, a utilização a máscara, higienizar as mãos e realizar o distanciamento social.

Retomar a amamentação, como algumas gestantes norte-americanas fazem nos últimos meses, pode apresentar aspectos positivos.

O mais importante, no entanto, seria não parar o aleitamento materno antes do que é recomendado pelas entidades de saúde.

As mesmas aconselham uma amamentação exclusiva até os seis meses de idade e integrada por outros alimentos até os dois anos de idade.

No entanto, essa volta da amamentação acabou gerando outro problema. As mães estão amamentando novamente, mas pegam esse leite e colocam na comida e na bebida dos outros filhos também.

E, da mesma forma, para outras crianças próximas à família.

Isso é classificado como amamentação cruzada e é desaconselhada totalmente, já que traz riscos de infecção por outras doenças.

Segundo os especialistas em imunização, quando é realizada a vacinação de uma grávida, a propensão é de que, através da placenta, ela passe anticorpos ao nenê.

Como exemplos, pode-se citar que a vacina da coqueluche passa para o bebê, a do tétano também. A da gripe passa, mas em menor quantidade. E também tem um nível de excreção pelo leite materno.

Estudos não conseguem estabelecer qual o nível de proteção no bebê

Mesmo ratificando que os anticorpos protegem o nenê, os estudos ainda vão ter que verificar, por exemplo, qual o momento ideal para imunizar as gestantes, a fim de que garanta a passagem de anticorpos para os pequenos.

Fora isso, como o evento ocorre conforme o imunizante tomado pela gestante ou lactante.

Vale lembrar, claro, que não sabemos o grau de proteção que a criança irá adquirir se a mãe vacinar no primeiro trimestre ou no último trimestre da gestação.

No caso da gestante infectada pelo vírus já na gravidez, está mais consolidado e foi detectado que os bebês já têm anticorpos para o Covid-19.

Porém, ainda não foi possível estabelecer qual o nível de proteção nos nenês, mesmo porque a doença ainda é muito rara no recém-nascido.

O que se sabe é que a amamentação em casos de coronavírus e vacinação para lactantes são recomendadas.

Isso permanece inalterado, segundo os especialistas.

Ou seja: ainda se mantém a recomendação de realizar a amamentação com todos os cuidados, mesmo que seja em casos leves ou importantes, desde que, claro, a mãe tenha condições de fazer isso.

A gestante pode amamentar o nenê utilizando máscara ou, ainda, pode tirar o leite para que outra pessoa dê.

Os demais cuidados com o bebê podem ser realizados por outra pessoa. E não se aconselha doar o leite caso tenha Covid aguda.

Há alguns meses, a Sociedade Brasileira de Pediatria publicou documento científico com a indicação da vacinação para lactantes, por conta da inexistência de levantamentos específicos sobre a imunização desse grupo.

Essa recomendação segue, na verdade, a orientação da OMS, Organização Mundial da Saúde, que afirma que, se a gestante pertence a um grupo no qual a vacinação é recomendada, ela deve ser oferecida.

Fora isso, a Sociedade Brasileira de Pediatria não recomenda a interrupção da amamentação após a vacinação.

SBP recomenda a amamentação: vacinadas geram leite com anticorpos contra Covid

O documento da SBP afirma que as vacinas disponíveis até o momento no Brasil são classificadas como vacinas inativadas.

Diz o documento também que as ações vacinais do SUS, Sistema Único de Saúde orientam a vacinação de gestantes e lactantes com precaução, caso a mulher e o seu médico decidam, de forma compartilhada, pela aplicação da vacina.

“A Sociedade Brasileira de Pediatria enfatiza, ainda, a recomendação da vacinação de mulheres que, na sua oportunidade de vacinação, estiverem amamentando, independentemente da idade de seu filho, sem necessidade de interrupção do aleitamento materno, ressaltando todos os benefícios de ambas as ações”, explica o pediatra  e neonatologista, Jorge Huberman

O neonatologista Jorge Huberman junto com a paciente Julia: existe a recomendação da vacinação de mulheres que estiverem amamentando
O neonatologista Jorge Huberman junto com a paciente Julia: existe a recomendação da vacinação de mulheres que estiverem amamentando

Para marcar uma consulta com o pediatra e neonatologista, Dr. Jorge Huberman, ligue para (11) 2384-9701.