Dr. Jorge Huberman

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Vacinas de diversos tipos: a vacina da Covid marca nova era na produção de imunizantes

Vacina da Covid-19 estabelece marco

Os resultados positivos que foram apresentados pelas primeiras vacinas aprovadas por autoridades sanitárias estrangeiras têm implicações que vão muito além do combate da atual pandemia. No entanto, a vacina da Covid-19 estabelece um novo marco na produção de imunizantes.

A eficácia comprovada da inédita tecnologia de RNA mensageiro usada nesses produtos certamente marca o começo de uma nova era na produção de imunizantes e abre caminho para tratamentos modernos contra doenças importantes como câncer, problemas cardíacos e diversas doenças infecciosas.

A tecnologia era almejada há vários anos por diversos pesquisadores em muitas partes do mundo.

Jamais uma vacina com base em RNA mensageiro tinha obtido o sinal verde das agências reguladoras.

Contudo, a urgência mundial de saúde imposta pela covid-19 fez as vacinas da Pfizer/BioNTech e da Moderna serem elaboradas e aprovadas em somente dez meses.

Um avanço que levaria pelo menos dez anos e atinge de forma direta a produção de novos imunizantes.

De forma tradicional, vacinas são produzidas com o próprio patógeno que visam a combater, em formas enfraquecidas ou inativadas.

O sistema imunológico é treinado a identificar e combater a infecção real. Essa tecnologia foi utilizada com sucesso no combate ao sarampo e à pólio, entre outras, mas ela leva anos, ou até décadas, para ser desenvolvida.

Já as novas vacinas são desenvolvidas com um microfragmento de material genético (no caso, o RNAm) sintetizado em laboratório.

Na natureza, o RNA mensageiro traduz as instruções inscritas no DNA e as leva até os produtores de proteínas dentro das células.

As novas vacinas utilizam o RNAm sintético para levar instruções para as células sobre como fabricar a proteína spike do coronavírus.

Quando a proteína é produzida pelas células com base nas instruções enviadas pelo RNAm, ela “treina” o sistema imunológico a combatê-la.

Processo de produção das vacinas é mais simples

Vacina da Covid marca nova era na produção de imunizantes
Vacina da Covid-19 marca nova era na produção de imunizantes

Isso é: ao invés de levar fragmentos do patógeno atenuado ou inativado para dentro do organismo, as novas vacinas levam as instruções para sua produção.

A eficiência das duas vacinas se revelou maior do que 95% mesmo em grupos mais vulneráveis, como os idosos.

Fora isso, a produção é muito mais simples do que a dos imunizantes tradicionais.  

Ainda há determinados problemas que podem ser aprimorados, como a limitação de custo e a termoestabilidade do produto, mas os resultados são espetaculares.

As vacinas de RNAm de fato mostram certas limitações logísticas que não são apresentadas pelos imunizantes mais tradicionais.

Tanto o produto da Pfizer quanto o da Moderna precisam ser armazenados em temperaturas muito baixas, de até -70º C, que exigem a utilização de freezers especiais.

A Pfizer criou uma embalagem especial com gelo seco para preservar as doses na temperatura certa durante a distribuição, além de ter montado uma cadeia de distribuição.

Ainda assim, essa característica pode representar um enorme obstáculo em países como o Brasil, por exemplo.

Pesquisas sobre o uso do RNAm

As tentativas de usar o RNAm na luta contra diversas doenças começou há décadas, mas o uso médico revelou-se tarefa complexa.

Durante muitos anos, a terapia foi um fracasso. Foi somente em 2005 que Katalin Kariko e Drew Weissman, da Universidade da Pennsylvania (EUA), descobriram um modo de mudar o RNAm para que ele não ocasionasse a inflamação exacerbada, que até então impedia a sua utilização.

Uma segunda barreira era como proteger as frágeis partículas do RNAm em seu caminho até as células.

A solução adotada foi o desenvolvimento de uma espécie de “envelope”, com nanopartículas de lipídio.

Com tais avanços, foi possível realizar o começo dos testes da tecnologia em seres humanos em 2015.

No caso da vacina da Pfizer/BioNTech, esse envelope de lipídios precisa ser mantido a temperaturas bastante frias para não perder sua capacidade de proteção do RNAm.

A Moderna conseguiu descobrir como manter os envelopes por maior tempo em temperaturas mais elevadas.

Por isso, suas vacinas podem ser armazenadas em freezers normais e, por até 30 dias, em geladeiras comuns.

Outras aplicações das vacinas

Homem "aplica" vacina no vírus do Corona: diversas vacinas tiveram grande impacto na saúde pública
Homem “aplica” vacina no vírus do Corona: diversas vacinas tiveram grande impacto na saúde pública

Certamente esses resultados abrem ótima oportunidade em relação a outras vacinas.

Existem no mercado diversas vacinas que tiveram grande impacto na saúde pública e não têm nem 70% de eficiência.

Pode-se assim, pensar em migrar esses imunizantes para uma nova geração de vacinas. Deste modo, haverá vacinas melhores, com fabricação mais ágil.

O mesmo grupo da Universidade da Pennsylvania já testou a tecnologia para a produção de vacinas contra, aproximadamente, 30 doenças diferentes.

Os resultados primários dos testes em camundongos do produto contra tipos diferentes de gripe foram positivos.

Do mesmo modo, mostraram-se promissores produtos contra a herpes genital e a malária. O grupo também conseguiu induzir a produção de proteínas cuja falta pode provocar diversas doenças, como, por exemplo, a fibrose cística.

A Moderna, por sua vez, além da vacina contra a covid-19, também trabalha em imunizantes contra outras doenças infecciosas: zika e chikungunya.

A farmacêutica também está testando, junto com a Merck, uma vacina terapêutica a base de RNAm, cuja meta é tratar o câncer.

A terapia é personalizada, com base nas mutações específicas encontradas nas células tumorais.

Quando utilizado em conjunto com um medicamento da Merck contra o câncer, o produto se mostrou promissor em pacientes com tumores de cabeça e pescoço, em estudos iniciais.

A BioNTech também evolui em seus levantamentos sobre o uso de vacinas de RNAm no tratamento do câncer, principalmente tumores de mama e pâncreas.

A fabricante possui diversos produtos em desenvolvimento, incluindo um para um tipo específico de câncer de pele que está sendo testado.

Uma das maiores vantagens das vacinas de RNAm é que elas podem ser ajustadas, de modo muito rápido, a mutações virais ou a eventuais quedas na imunidade.

O maior desafio é fazer o aprimoramento de tecnologia, tornando o transporte das vacinas mais simples e os custos, menores.

Imunizantes não realizam modificações no DNA dos vacinados: vacina da Covid-19 estabelece novo marco
Enfermeira mexe com injeção; imunizantes não realizam modificações no DNA dos vacinados: vacina da Covid-19 estabelece novo marco
Enfermeira mexe com injeção; imunizantes não realizam modificações no DNA dos vacinados: vacina da Covid-19 estabelece novo marco

Mesmo que a segurança das vacinas produzidas pelas farmacêuticas Pfizer/BioNTech e Moderna tenha sido comprovada, de acordo com todos os protocolos internacionais, notícias falsas começaram a circular de forma rápida, dando conta de supostas “alterações do DNA causadas pelas vacinas genéticas”.

Especialistas afirmam que essas alterações seriam impossíveis de ocorrer.

Essas informações equivocadas têm sido disseminadas por grupos antivacina, já há algumas semanas, e vêm sendo até foco de esclarecimentos por parte de agências internacionais que combatem as chamadas fake news.

Explica-se: a tecnologia usa um fragmento sintetizado de RNA mensageiro para levar para dentro das nossas células as instruções para a fabricação de um fragmento de proteína do Sars-CoV-2.

Esse fragmento não ocasiona a doença, mas educa o nosso sistema imunológico a reconhecer um invasor e atacá-lo.

Tudo isso ocorre no citoplasma da célula, não no núcleo, onde fica abrigado o nosso DNA.

Desta forma, ele não afeta todo o organismo, nem mesmo traz alterações permanentes. Ele não invade o núcleo da célula para afetar o código genético.

Além disso, o RNA mensageiro replica o processo de uma infecção viral.

Quando um vírus de verdade entra nas células, ele não afeta o material genético do hospedeiro, somente “sequestra” seus sistemas para produzir cópias de si mesmo.

“Sá para reforçar a importância das vacinas: devido aos estudos e à persistência de cientistas que dedicaram suas vidas para desenvolvê-las é que registramos, por exemplo, a erradicação da varíola em quase todo o planeta, assim como diminuímos a incidência de várias doenças graves, tais como caxumba, gripe, poliomielite, rubéola, sarampo e tétano”, explica o pediatra Jorge Huberman, cujo consultório, o Instituto Saúde Plena, aplica algumas vacinas em seus pacientes.

Para marcar uma consulta com o Dr.Jorge Huberman, ligue para 2384-9701.