Dr. Jorge Huberman

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Falta de atenção na aula

Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade

O transtorno do déficit de atenção com hiperatividade é uma alteração que atinge crianças e adultos. Ele é caracterizado, principalmente, pela falta de concentração em atividades do dia a dia e também pela impulsividade.  

Pode se revelar de dois modos: com ou sem hiperatividade.

No primeiro caso, é denominada de Distúrbio de Déficit de Atenção (DDA). No segundo, Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).  

Duas dúvidas são pertinentes e constantes.

Como saber que alguém é portadora do déficit de atenção ou, então, somente é alguém muito distraído?

Outra: como ponderar se uma criança somente apenas manifestando uma agitação natural da idade ou então está de fato demonstrando um transtorno?  

Não é raro ocorrer que o portador de déficit de atenção, mesmo que seja uma criança ou um adulto, é tido somente como uma pessoa distraída, que vive com a cabeça “no mundo da lua”, e não presta atenção no que ocorre ao seu redor por um simples descuido.  

Apesar de o Distúrbio de Déficit de Atenção (DDA) exibir essa característica da falta de foco e distração, suas causas e, essencialmente, suas consequências, são muito mais graves.  

Os quadros de Distúrbio do Déficit de Atenção ocorrem por uma disfunção neurológica, que aflige as funções do córtex pré-frontal.

Essa é a região do cérebro encarregado pela atenção, organização, controle de impulsos e capacidade de expressar sentimentos, entre outras coisas.

Tal disfunção se dá pela deficiência do neurotransmissor Dopamina.  

Por isso, quem tem DDA esbarra em sérias dificuldades ao procurar, em demasia, a devida concentração. Por isso que pais e professores devem sempre dar atenção às crianças que têm este problema.

Quando a pessoa tenta de maneira demasiada focar em um trabalho, ao invés de aumentar, a atuação do córtex pré-frontal diminui, e isso piora o quadro.  

Diagnóstico tem que ser realizado de modo preciso

Por esse motivo, o diagnóstico tem que ser realizado de modo preciso, para que o tratamento ideal seja realizado o mais breve possível. Esse diagnóstico é totalmente clínico, e deve ser conseguido em consulta com um neurologista ou psiquiatra.

Não há necessidade de realizar exame de imagem, a não ser que a ideia seja rejeitar a presença de outras patologias.  

A principal diferença entre Distúrbio de Déficit de Atenção e Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade está na última palavra da sigla TDAH.

Ambos, na verdade, são transtornos neurobiológicos cuja origem é genética, assim admitidos pela Organização Mundial da Saúde – OMS.  

Quem tem TDAH mostra desde a infância indícios de desatenção, inquietude excessiva e, também, impulsividade. Estes sintomas vão acompanhá-lo por toda a vida.

Crianças e adolescentes com TDAH são muito afetados por este problema.

Enquanto isso, a hiperatividade tende a evoluir com o avanço da idade, principalmente na vida adulta. Nos casos de DDA, no entanto, a inquietude também surge, assim como as outras características, comuns aos dois casos.

Contudo, o grau de agitação é menor, e por isso se excluí a hiperatividade.  

Alguns profissionais da saúde usam as siglas TDA e TDAH ou DDA e DDAH, mostrando que a principal diferença entre elas está mesmo no H da hiperatividade.  

No entanto, nota-se ainda que o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade nasce com o indivíduo, e por esse motivo é mais notado em crianças.

DDA pode se manifestar somente na idade adulta

Já o DDA pode se manifestar somente na idade adulta. Os indícios de déficit de atenção vão muito além da falta de concentração e distração.

Quem sofre com DDA apresenta com certa frequência problemas de organização (do tempo e do espaço), contrariedade em aprender com os erros, demora em executar tarefas, impulsividade (falar sem pensar e se adiantar nas respostas, ou seja, nem deixa a outra pessoa terminar de falar).  

Além disso também tem muita dificuldade em ouvir os outros, é incapaz de finalizar suas obrigações e concluir projetos e prazos.  

O déficit de atenção nos pequenos, normalmente surge acompanhado da hiperatividade, o que faz com que seja notado com rapidez, deixando preocupados os pais e familiares. Certamente o seu pediatra de confiança vai saber orientar a respeito de como agir com este problema.

Criança com problemas nos estudos: deficit de atenção atrapalha bastante o desempenho escolar!

Na criança, o TDAH tem como hábito estar relacionado à dificuldade de vivência escolar, já que a agitação e a desatenção impedem a compreensão do conteúdo e intervém no relacionamento com os colegas e professores, e até mesmo com os pais. 

No entanto, há de se notar com cautela o comportamento da criança, seja na sala de aula ou em casa, para que a grande carga de energia e as travessuras costumeiras da idade não sejam caracterizadas como hiperatividade. Isso resulta em um diagnóstico errado e no consumo desnecessário de remédios.  

É necessário também que a criança que tenha o diagnóstico de TDAH, ou seja, sintomas de hiperatividade, não seja caracterizada somente como “bagunceira”, “avoada” e “mimada”, negligenciando, deste modo, o tratamento correto que ela precisa.  

Na fase adulta, o Distúrbio do Déficit de Atenção, isto é, sintomas de desatenção, pode se revelar de modo menos evidente.

Contudo, os sintomas de distração e os comportamentos são prejudiciais demais para o adulto, que necessita enfrentar situações que inibem, em muitos casos, tanto a vida profissional, como também a e pessoal, essencialmente na concentração das tarefas, na impulsividade e nos conflitos que a pessoa com DDA costuma buscar.  

Combate ao déficit de atenção deve ser feito com a utilização de remédios

Contudo, os sintomas de distração e os comportamentos são prejudiciais ao adulto, que necessita enfrentar situações que inibem tanto a vida profissional, como a pessoal, na concentração das tarefas, na impulsividade e nos conflitos que a pessoa com DDA enfrenta.  

O combate ao déficit de atenção é feito com uso de remédios com fórmulas que substituem a dopamina, ajustando as atividades do córtex pré-frontal.

Assim, é reestabelecido o foco e a concentração no período de ação do medicamento, que costuma variar entre 12 a 24 horas, dependendo do que for orientado pelo médico.  

No entanto, a psicoterapia tem que auxiliar no tratamento médico, atacando os sintomas e os comportamentos do transtorno.  

Quando o grau de desatenção e hiperatividade não é tão elevado, e não causa tantos prejuízos no dia a dia da pessoa, pode-se tratar esse transtorno pelo reconhecimento do problema, com o auxílio da terapia cognitivo-comportamental.  

Deste modo, o paciente pode ter o domínio sobre os seus sentimentos e impulsos e a disciplina na dose certa para administrar os comportamentos prejudiciais à sua rotina. 

As opções de medicamento para DDA e TDAH (também conhecida como attention deficit hyperactivity disorder) são bastante variadas.

O mais famoso é a Ritalina, bastante prescrito para tratar crianças classificadas como hiperativas.

A maioria dos remédios é da classe dos estimulantes (anfetaminas), mas há também os chamados não-estimulantes. 

O uso de medicamentos tem potencial de redução da hiperatividade e da impulsividade, e melhoram a capacidade de concentração e aprendizado.

Fora isso, a utilização de tratamento medicamentoso pode estar aprimorando a coordenação física e motora de quem tem o transtorno.  

Se forem respeitadas as doses e recomendações do médico, esses remédios são bastante seguros, tendo poucos efeitos colaterais que, no geral, se apresentam em problemas relacionados ao sono e a falta de apetite.