Dr. Jorge Huberman

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Toda família importa: como falar sobre amor com seu filho

As famílias hoje em dia estão cada vez mais diversas. Podem ser formadas por um homem, uma mulher e seus filhos, dois homens e filhos, duas mulheres e filhos, um homem e filhos, uma mulher e filhos e por aí vai. Por isso, vamos abordar o tema; toda família importa: como falar sobre amor com seu filho.

 Para que consigamos viver em harmonia e em um lugar onde todos se sintam confortáveis para formar a família que se deseja, é importante abraçarmos essa diversidade. 

E nada melhor para fazer isso do que começar com as crianças, afinal, elas aprendem de forma muito mais rápida que os adultos e vão refletir essas mudanças no nosso futuro. 

Para conseguir acabar com o preconceito que muitas famílias sofrem, principalmente as homossexuais, é preciso começar a conversar com seu filho sobre o assunto, conforme as perguntas forem surgindo. 

A ideia é mostrar justamente que todas as famílias são tão especiais, quanto normais, da forma que são!

Segundo o pediatra Jorge Huberman, é preciso lembrar que a melhor maneira de ensinar aos filhos essas lições práticas de vida é com próprio exemplo.  “As crianças estão sempre nos observando e ouvindo, por isso é importante que trabalhemos constantemente para ter amor-próprio saudável e para amarmos o próximo”.

Fale sobre amor com seu filho em uma linguagem clara e acessível 

As crianças estão explorando o mundo e descobrindo como as coisas funcionam e, como pai ou mãe, você tem um papel extremamente importante para ajudá-los nessa descoberta.

Justamente por isso, é importante manter conversas abertas com seu filho. A ideia é mostrar para ele que todos temos o livre arbítrio de decidir com quem queremos nos relacionar, independente do gênero. 

E, fique tranquilo: não há necessidade de se preocupar com os termos e a reação da criança quando for falar sobre amor com seu filho. 

Basta trazê-lo de forma natural, explicando que, para formar uma família, é preciso amor e os indivíduos podem amar diferentes tipos de pessoas. 

As crianças costumam agir como espelho dos pais e, se você explicar sobre o assunto de forma leve e fácil para que elas entendam, certamente não terá grandes problemas!

Ensine como reagir ao preconceito

falar de amor com seu filho
Falar sobre o assunto vai preparar a criança e ajudar a minar preconceitos (Foto: reprodução Unsplash)

 Você já explicou para seu filho que, para uma família existir, é preciso apenas o amor. Ele entendeu essa posição e consegue ver porque tem dois pais ou duas mães.

Mas, infelizmente, não são todas as famílias que conversam sobre o assunto em casa e, como sabemos, o preconceito ainda existe em muitas pessoas. 

Justamente por isso, seu filho poderá ouvir comentários de colegas de sala de aula em algum momento da vida, sobre ter uma família com dois pais ou duas mães.

Quando este tema chegar, é importante conversar com o seu filho a respeito e também tentar falar sobre a situação com professores ou até mesmo a família do colega. 

Para falar sobre preconceito, opte por um discurso leve e acessível, para que a criança entenda sem ficar muito assustada com a realidade do mundo em que vivemos.

Você pode optar por dizer coisas do tipo: “algumas pessoas não aceitam o nosso amor e isso é muito errado. A gente tem que aprender a amar a todos, não é mesmo?”. 

É possível também ajudá-lo mostrando formas de falar sobre o assunto com os colegas e dando opções de como reagir em situações de preconceito.

A ideia é ensinar para o seu filho que toda forma de amor é válida. De resto, pode ficar tranquilo que ele certamente vai passar essa ideia adiante!

Mostrar algumas situações que ele poderá enfrentar ao longo da vida e esclarecer como agir frente a elas de forma clara e prática vai ajudar a criança a lidar com tudo de forma mais tranquila. 

Isso não quer dizer que ele não vá se sentir mal caso ouça um comentário inapropriado sobre a própria família, mas sim, que vai saber como lidar com a situação e dar a volta por cima.

Dicas práticas; toda família importa: como falar sobre amor com seu filho

Se você esperava uma receita pronta, veio ao lugar errado! A verdade é que, quando se trata da educação dos filhos, não existem fórmulas certas ou um roteiro a se seguir.

Cada criança é única e tem suas próprias curiosidades e tempo de absorver as informações. 

Justamente por isso, não existe idade certa para introduzir o tema LGBTQIA+ com as crianças.

Uma dica válida para introduzir o assunto é observar ao redor e tentar trazê-lo da forma mais leve possível. 

A verdade é que não há necessidade de mistificar ou pensar mil vezes antes de tocar no assunto com as crianças.

O pediatra e neonatologista Jorge ao lado do paciente Gael: chocolate e leite industrializado ajudam a evitar os gazes
O pediatra e neonatologista Jorge ao lado do paciente Gael: fale de amor com seu filho

Quanto mais leve você tornar a conversa, mais seu filho vai entender que não há nada de errado em se relacionar com pessoas do mesmo sexo.

 O tom da sua fala muito possivelmente moldará a forma na qual ele enxerga o seu casamento e o de outras pessoas homossexuais.  

Como todo assunto, a ideia é tentar trazê-lo de forma leve, falando em uma linguagem acessível, ou seja, aquela que as crianças entendam.

É importante também estar sempre pronto para receber perguntas e respondê-las.

 Caso você fique na dúvida ou não saiba responder alguma, não sinta medo de dizer: “Não sei te dar essa informação no momento, vou conversar com alguma amiga (ou especialista) e depois voltamos a conversar, pode ser?”.

A verdade é que, por mais que muitos olhem para o assunto dessa forma, ele não é um tabu! As crianças não têm a mesma carga de vivências e experiências que os adultos e com certeza não nascem com nenhum preconceito. 

Como todos, eles também são moldados ao longo da vida e a sua criação vai fazer toda diferença na forma na qual ele se depara com o mundo e suas diversidades. 

Muito além de falar: haja! 

toda família importa homessexuais
É importante falar sobre a homossexualidade com as crianças (Foto: reprodução Unsplash)

As crianças funcionam como um espelho dos adultos e, muito além de agir conforme você as ensina, elas também copiam a forma na qual você age. 

Então não adianta apenas falar sobre amor com seu filho. e formas de lidar com o preconceito, mas sim, é preciso mostrar na prática. 

Para isso, é necessário olhar para dentro de si e observar alguns comportamentos que podem trazer qualquer tipo de preconceito, não apenas a homofobia, seja em forma de piadas que reforçam algum estereótipo ou até mesmo comentários discretos com seu parceiro (a). 

Além disso, quando ouvir ou reparar alguma situação em que você e seu (a) parceiro (a) estão sofrendo algum tipo de preconceito, é importante ponderar como se posicionar.

Seu filho observa todas as suas ações e tende a agir de forma semelhante a você. 

Ele com certeza vai perceber situações que te deixam triste, com raiva, medo e como você lida com elas. E vai aprender muito mais te vendo agir do que com apenas conversas pontuais. 

Com essas mudanças de ações, você não vai só ajudar seu filho, mas como se ajudar também. 

Afinal, esse exercício de olhar para dentro e examinar os próprios preconceitos e a forma na qual você lida com os preconceitos de outras pessoas certamente te ajudará a se conhecer melhor e também se relacionar bem com o mundo ao seu redor. 

Para marcar uma consulta com o pediatra e neonatologista Dr. Jorge Huberman, ligue para (11) 2384-9701.