Dr. Jorge Huberman

Tocofobia: saiba mais sobre o receio de engravidar

Muitas mulheres têm o sonho de engravidar, mas algumas são tomadas por um receio limitante quando pensam não só na gestação e seus sintomas, mas no parto. O nome dado a esta condição é Tocofobia, e nesse artigo você entenderá tudo sobre o assunto.

O termo foi utilizado pela primeira vez no Periódico Britânico de Psiquiatria (British Journal of Psychiatry) da Universidade de Cambridge, e é empregado para descrever um transtorno psicológico que pode atingir mulheres antes ou depois de grávidas.

Experiências traumáticas vivenciadas pela própria paciente ou por alguém próximo podem ser responsáveis pelo desenvolvimento da fobia, que pode ser considerada primária, iniciada geralmente na adolescência, ou secundária, após um parto difícil.

Isso acontece porque, apesar de ser um processo biológico, a gravidez está associada à dor e sofrimento para as mulheres. Esse receio interfere no estado psicológico, biológico e até social, interferindo nos relacionamentos e em atividades cotidianas.

Instabilidade emocional, crises de pânico, insônia, apetite reduzido, vômitos e pesadelos recorrentes são alguns dos sintomas associados à tocofobia. Além desses, a depressão pode ser um forte indicativo da aversão à ideia de engravidar.

Algumas das pacientes que contribuíram para a pesquisa da faculdade internacional chegaram a cogitar meios para estimular um aborto espontâneo, outras passaram por eventos indesejados como a gravidez ectópica, e sentiram uma espécie de alívio por evitarem o parto.

De acordo com uma reportagem publicada pelo jornal O Globo, mulheres tocofóbicas tendem a combinar métodos contraceptivos, fazer vários testes por mês, associarem quaisquer sintomas à gestação e até optar pela abstinência sexual.

O pediatra e neonatalogista, Dr.Jorge Huberman, em seu consultório, no Instituto Saúde Plena fala sobre tocofobia
O pediatra e neonatalogista, Dr.Jorge Huberman, em seu consultório, no Instituto Saúde Plena fala sobre tocofobia (Foto: Kesher Conteúdo/Divulgação)

Trata-se de um fenômeno mundial atingindo em média 14% das mulheres. Além de limitar a vida, a fobia também consegue influenciar na escolha da forma de nascimento do bebê, resultando no aumento de intervenções cirúrgicas.

É importante ressaltar que uma gravidez, ainda que planejada, introduz a mulher em um universo no qual é comum surgirem dúvidas e crises existenciais. Isso não é equivalente ao medo irracional que surge abruptamente e gera sintomas clínicos.

A diferença entre uma condição normal de uma considerada patológica é a angústia intolerável. A tocofobia não se manifesta de forma consciente, mas quando a mulher tem pânico pela possibilidade de engravidar em algum momento por inúmeras inseguranças.

De acordo com o pediatra e neonatolgista, Jorge Huberman, o conhecimento dessa afecção pode auxiliar na compreensão do receio do parto no Brasil, abrindo portas para que políticas públicas de controle de medo e ansiedade em gestantes sejam instituídas, aprimorando a assistência à saúde biopsicossocial da mulher e promovendo um parto mais humanizado.

Causas e consequências do receio de engravidar

Para 14% das mulheres, a gravidez não é um período feliz. Geralmente, elas sofrem com a tocofobia, isto é, o medo de engravidar
Para 14% das mulheres, a gravidez não é um período feliz. Geralmente, elas sofrem com a tocofobia, isto é, o medo de engravidar (Foto: Freepik)

Por conta do avanço recente em pesquisas da área, as causas da tocofobia ainda estão sendo investigadas. Entretanto, pode-se afirmar de imediato que mais de um elemento  desperta tamanho desconforto.

Questões psicológicas, sociais e médicas são associadas à doença. Baixa autoestima, ausência de uma rede de apoio sólida, relacionamentos amorosos conturbados, histórico de abuso e experiências anteriores ruins são alguns exemplos.

O sentimento de impotência durante o parto é outro fator que pode desencadear uma crise. Um artigo da Revista da Escola de Enfermagem da USP comprova que a sensação é comum durante o procedimento natural, no qual a mulher não é dona de seu próprio corpo.

“Esse sentimento corresponde à falta de poder, à impossibilidade física/moral e à falta de controle sobre uma situação, tendo sido reconhecido como uma resposta humana passível de intervenção de enfermagem”, explicam os estudiosos.

As sequelas deixadas pela Tocofobia

As consequências da Tocofobia diferem e dependem se o horror se estabeleceu antes, durante ou depois da concepção do feto. No primeiro caso, é comum notar a ingestão de uma combinação de medicamentos sem consulta médica.

O início da vida sexual traz o senso de responsabilidade de uma gestação e, por isso, reforça a vontade de evitá-la. Ginecologistas relatam que alguns pacientes usam anticoncepcional, têm DIU, utilizam camisinha e ainda tomam pílula do dia seguinte.

Vale ressaltar que os métodos, individualmente, têm 99% de eficácia e o uso exagerado de hormônios pode gerar complicações como trombose. Pesquisas incessantes sobre reprodução também são comuns entre pacientes com essa condição.

Quando o quadro se apresenta durante a gravidez, os sintomas fazem com que o organismo libere substâncias que prejudicam o feto. O estado de alerta constante altera elementos fisiológicos tal como a pressão arterial.

O risco de pré-eclâmpsia, parto prematuro e dificuldades na amamentação também aumentam em decorrência do medo intenso. Se, porventura, os indícios surgem depois que a criança nasce, a depressão pós-parto é quase certa.

Tratar a tocofobia e perder o receio de engravidar

A psicoterapia é fundamental no auxílio aos pacientes de tocofobia. Embora não seja possível se livrar do transtorno por completo, aprender a inibir sintomas e controlar a ansiedade é algo realizável.

O médico psiquiatra é outro profissional capaz de diagnosticar e avaliar a necessidade de um tratamento medicamentoso. Se a mulher estiver grávida, é necessário incluir o acompanhamento com o obstetra e ginecologista.

Já quando as consequências chegam após dar à luz, como no caso da depressão pós-parto, as consultas periódicas dos pequenos com os pediatras não podem ser deixadas de lado, bem como o apoio à mãe por parte de psicólogos e médicos.

O tratamento com psicólogos, psiquiatras e obstetras especialistas pode ajudar a amenizar sintomas e controlar o medo de engravidar
O tratamento com psicólogos, psiquiatras e obstetras especialistas pode ajudar a amenizar sintomas e controlar o medo de engravidar (Foto: Freepik)

Uma forma de intervenção para tratar a Tocofobia vem mostrando potencial. Ele integra o modelo psicossomático e processamento de informação adaptativo, através da utilização de algumas técnicas terapêuticas.

Em entrevista a BBC, uma mulher britânica contou como superou os desafios da doença e escolheu aumentar a família. Contar com equipe médica confiável, músicas de relaxamento, grupos de apoio e estar acompanhado de alguém amado no parto são algumas dicas.

Apesar de não ser a opção mais adequada, o parto domiciliar também deve ser considerado uma opção para futuras mães que entram em pânico em hospitais.

Quanto antes for iniciado um tratamento para a cura dos receios maternais, maior será a chance da mãe e do bebê estabelecerem um vínculo afetivo.

Uma curiosidade é que o receio de engravidar pode atingir homens. Apesar de ter uma incidência menos significativa, o transtorno psicológico pode atingi-los e, da mesma forma, é preciso buscar ajuda profissional para compreender sintomas e vivenciar a paternidade com alegria.

Para marcar uma consulta com o pediatra e neonatologista Dr. Jorge Huberman, ligue para (11) 2384-9701.

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