Dr. Jorge Huberman

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A anomalia se manifesta em bebês e crianças e pode inclusive alterar a cor dos fios castanhos para loiros

Como lidar com a Síndrome do Cabelo Impenteável?

Você sabe o que é ou como lidar com a Síndrome do Cabelo Impenteável? Muito além dos meros nós nos fios, essa doença é responsável por transformar cabelos que nasceram lisos e castanhos em loiros e frisados.

O nome surgiu a partir da dificuldade das pessoas que sofrem da síndrome têm ao realizarem a escovação. Outra denominação para a doença é “cabelos de vidro”, por serem finos e quebradiços.

Em primeiro lugar, é preciso entender que essa condição é resultado de uma mutação genética, ou seja, uma alteração permanente na sequência do DNA. Embora seja inofensiva para a saúde, os efeitos para o psicológico e autoestima dos portadores são fatores que preocupam.

A Síndrome do Cabelo Impenteável é uma anomalia estrutural da haste capilar, ou seja, os fios de cabelo não são como quaisquer outros. Eles têm aspecto seco, pouco maleável e arrepiado. Segundo o pediatra e neonatologista Jorge Huberman, a Síndrome do Cabelo Impenteável é caracterizada pelo surgimento de cabelos de crescimento lento, loiro-prateados, desordenados, em indivíduos com cabelos previamente normais. “A microscopia óptica é normal e a microscopia eletrônica é diagnóstica. Não há tratamento efetivo”, explica.

De acordo com um estudo publicado pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, a síndrome é causada pela mutação dos genes recessivos, que controlam a formação de proteínas do cabelo e alteram a forma de crescimento.

Em vez dos feixes de queratina seguirem uma ordem estrutural, os fios crescem tortos e desordenados. Isto é: eles nascem para todas as direções e têm um ritmo de crescimento mais lento que o comum. Muitas vezes, os relatos de pacientes associam a condição à queda de cabelo.

Uma doença rara e, segundo estimativa da OMS (Organização Mundial da Saúde), é relatada em cerca de 100 pessoas ao redor do mundo.

Como é feito o diagnóstico da Síndrome do Cabelo Impenteável?

Crianças portadoras da Síndrome do Cabelo Impenteável podem ser vítimas de bullying por conta da aparência
Crianças portadoras da Síndrome do Cabelo Impenteável podem ser vítimas de bullying por conta da aparência (Foto: Pixabay)

Esta anomalia costuma se apresentar ainda nos primeiros meses de vida de uma criança, mas pode surgir até os 12 anos de idade. Embora não sejam simples ou baratos, alguns exames tornam o diagnóstico possível.

A microscopia eletrônica de varredura, por exemplo, permite a visualização completa do eixo capilar. Desse modo, são produzidas imagens de alta resolução de uma superfície tridimensional capazes de confirmar o estado clínico do paciente.

Apesar da existência de procedimentos e testes genéticos, não é necessário se debruçar sobre o assunto para notar características específicas naqueles acometidos pelos “cabelos de vidro”.

Alguns indícios são:

  1. Lentidão no processo de crescimento do cabelo;
  2. Fios loiros ou quase brancos;
  3. Fios com bordas assimétricas e irregulares;
  4. Fios quebradiços, secos ou frisados;
  5. Muito além do frizz, o cabelo fica eletrizado e longe da raiz.

São poucos os estudos sobre a doença e, até o momento, não há comprovação científica de nenhum tratamento eficaz ou cura. A tendência é que os fios voltem ao normal.

Da mesma forma que a Síndrome do Cabelo Impenteável aparece, ela pode ir embora sem nenhuma explicação. Na adolescência e na vida adulta, a tendência é que o cabelo perca a aparência de “selvagem”.

Como “domar” o cabelo?

É inegável que os portadores da Síndrome do Cabelo Impenteável precisam ter cuidados especiais com o cabelo. Por isso, reunimos algumas práticas infalíveis para aumentar a autoestima e o brilho dos fios.

Em primeiro lugar, a dica para domá-los é lavá-los com menos frequência na semana, fazer uso de óleos capilares para conter o aspecto volumoso e optar por condicionadores nutritivos.

Além disso, é importante evitar o uso de acessórios como elásticos, que podem ser responsáveis por quebrar o cabelo, e se manter bem longe de qualquer método químico de alisamento.

Usar frequente o secador, modeladores, além da água da piscina e do mar também fazem parte do time de principais inimigos dos cabelos sensíveis e é fundamental manter-se longe deles.

Já para driblar os nós, é possível desembaraçar os fios com os dedos durante o banho. Os cremes sem enxágue podem ser grandes aliados na batalha contra os emaranhados no couro cabeludo.

A Síndrome do Cabelo Impenteável ocorre de forma isolada e não é associada a anormalidades mentais, físicas ou neurológicas. Mesmo assim, é importante que o menor tenha acompanhamento psicológico. Isso porque, o transtorno causa impactos na vida dos pequenos

Muitas crianças são vítimas de bullying por conta de sua aparência diferente. No caso das meninas, o sofrimento é ainda maior. A pressão estética em cima de mulheres começa ainda na infância e, por isso, é importante acompanhá-las de perto com um pediatra capacitado.

Albert Einstein: o descabelado mais famoso do mundo

A recomendação é que crianças com a doença sejam acompanhadas por pediatras e especialistas
A recomendação é que crianças com a doença sejam acompanhadas por pediatras e especialistas (Foto: Freepik)

Ainda que a Síndrome do Cabelo Impenteável não tenha sido descoberta até o começo do século 20, muitos defendem que o físico alemão era portador da doença rara.

Além de contribuir para a imagem de um gênio louco, os cabelos de Albert Einstein podem ter sofrido dessa desordem genética. A rebeldia dos fios pode não ter sido culpa do descaso do cientista, mas sim da impossibilidade de escová-los.

Alguns casos de crianças “descabeladas” também ficaram famosos nas redes sociais. Por conta da raridade da anomalia, pais passaram a compartilhar fotos do cabelo dos pequenos na intenção de encontrar outras pessoas que lidam com a mesma situação.

O caso da americana Taylor McGowan, de 2 anos, foi um deles. A menina foi comparada à Albert Einstein e ganhou o apelido de Einstein 2.0. No Facebook, Cara McGowan divulga imagens da filha.

A mãe de Taylor ainda enfatizou a importância de conscientizar a população sobre a condição da Síndrome do Cabelo Impenteável e incentivar a tolerância com características únicas dos indivíduos. Segundo elas, muitos ridicularizaram a aparência de sua bebê.

Para marcar uma consulta com o pediatra e neonatologista, Dr. Jorge Huberman, ligue para (11) 2384-9701.