Dr. Jorge Huberman

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Criança usa máscara contra o coronavírus: Sociedade Brasileira de Pediatria, SBP, lançou um alerta para uma possível síndrome associada à Covid-19

SBP alerta para síndrome associada à Covid-19

A Sociedade Brasileira de Pediatria, SBP, lançou um alerta para uma possível síndrome associada à Covid-19. O mesmo foi feito também pela Organização Mundial da Saúde, OMS, a respeito de uma nova síndrome inflamatória multissistêmica em crianças com Covid-19.

O comunicado da SBP foi feito em colaboração com o Ministério da Saúde, da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR).

O que foi divulgado é um documento conjunto sobre o manejo clínico de pacientes pediátricos com a doença do novo Coronavírus.  

Mesmo que as manifestações clínicas mais graves decorrentes do Covid-19 tenham repercutido de modo contraditório em pacientes acima de 60 anos e nas pessoas que tenham comorbidades prévias associadas, as formas mais graves da doença também podem ser vistas em crianças e adolescentes.  

Os relatos iniciais sobre episódios de síndrome inflamatória multissistêmica em crianças começaram a surgir no Reino Unido, em abril.

Contudo, posteriormente, casos semelhantes também foram observados em outros países, como Espanha, França e nos Estados Unidos.

Segundo algumas informações, o quadro clínico do Coronavírus na pediatria foi assinalado pela presença de Síndrome Inflamatória Multissistêmica, com manifestações clínicas semelhantes às da Síndrome de Kawasaki típica, Kawasaki incompleta ou síndrome do choque tóxico. 

Até agora, mais de 4 meses após os primeiros relatos, as evidências com relação à Covid-19 e o aparecimento da síndrome de resposta inflamatória multissistêmica não são conclusivas.

Pediatras devem permanecer em alerta para o rápido reconhecimento dos casos

Criança protegida com máscara olha pela janela: pediatras devem estar atentos a todos os sinais da criança enferma
Criança protegida com máscara olha pela janela: pediatras devem estar atentos a todos os sinais da criança enferma

O documento enfatiza, ainda, que os médicos pediatras devem permanecer alertas para o rápido reconhecimento dos casos, tendo como objetivo realizar o manejo apropriado nos serviços de emergência, enfermarias e unidades de terapia intensiva. 

Ainda segundo o alerta, apesar dos pacientes na faixa pediátrica apresentarem preferencialmente formas assintomáticas, leves ou moderadas do Coronavírus, alguns enfermos podem desenvolver manifestações clínicas exuberantes e até fatais.

Há poucas semanas, o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), localizado nos Estados Unidos, um importante departamento científico de infectologia sugeriu a expressão “síndrome inflamatória multissistêmica associada à COVID-19”.

Para a definição de ocorrência é preciso uma confirmação da infecção pelo SARS-CoV-2, com soro-conversão ou exposição ao novo Coronavírus nas últimas quatro semanas antes do início dos sintomas. 

Sinais de alerta para síndrome associada à Covid-19

Entre os sinais de alerta clínicos sugeridos para o reconhecimento de episódio suspeito dessa síndrome em crianças e adolescentes, constam as seguintes situações.  

Em todos os pacientes descritos: febre persistente, com temperatura chegando em 38.5°C.  

Na grande maioria dos pacientes houve necessidade de oxigênio e hipotensão arterial. Em alguns casos, foram notados: dores abdominais, confusão mental, conjuntivite não purulenta, tosse e outros sintomas respiratórios.

Além disso: odinofagia; diarreia; cefaleia; linfadenopatia cervical, cerca de 1,5 cm; alterações das mucosas orais; exantema polimórfico; edema de mãos e pés; síncope; náuseas; e vômitos.  

Fora isso, os médicos devem se atentar aos seguintes marcadores laboratoriais de atividade inflamatória, em todos os pacientes descritos: fibrinogênio reduzido; ausência de outros agentes etiológicos potenciais que não o SARS-CoV-2; PCR elevado; D-dímero elevado; ferritina elevada; hipoalbuminemia; linfopenia e neutrofilia.  

Em alguns dos pacientes também foram constatados: lesão renal aguda; anemia; coagulopatia de consumo (coagulação intravascular disseminada); IL-10 e IL-6 elevadas; proteinúria; CK, DHL e triglicérides elevados; marcadores de função miocárdica elevados (troponina e pro-BNP); trombocitopenia; e aumento de transaminases.  

De acordo com a nota de alerta da SBP, até agora, as evidências fisiopatológicas não são conclusivas em relação à causalidade da infecção pelo SARS-CoV-2 e a síndrome de resposta inflamatória multissistêmica na faixa etária pediátrica.

Por este motivo, os pediatras têm que estar habilitados ao pronto reconhecimento destes casos e manejo adequado, durante a hospitalização, nos serviços de saúde.  

Por causa da gravidade destas situações, o encaminhamento a centros terciários de referência deve sempre ser considerado como sendo a melhor opção, inclusive com a perspectiva de internação em unidades de terapia intensiva, ventilação mecânica e suporte hemodinâmico, caso necessário.  

Diz ainda o documento da SBP: “as participações conjuntas de pediatras especialistas em infectologia, reumatologia, cardiologia e medicina intensiva devem, sempre que possível, serem solicitadas.

Casos registrados no Brasil

Criança é submetida ao teste do novo Coronavírus: no Rio de Janeiros, mais de 20 casos de SIM-P já foram registrados
Criança é submetida ao teste do novo Coronavírus: no Rio de Janeiros, mais de 20 casos de SIM-P já foram registrados

No Brasil, para se ter uma ideia da extensão do problema, no Rio de Janeiro, por exemplo, já foram registradas 22 ocorrências de SIM-P (Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica) em crianças e adolescentes que tiveram diagnóstico positivo para a Covid-19. Três casos resultaram em morte.  

Os dados são da Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro.

Até agora, somente a capital fluminense tem registros de casos da síndrome, considerada rara, em pacientes que foram infectados pelo Coronavírus.

Não há dados a respeito disso sobre os outros municípios.  

Dos 22 casos de SIM-P no RJ, sete receberam o diagnóstico da Covid-19 confirmados por teste, enquanto os outros 15 foram diagnosticados por critérios clínico-epidemiológicos, informou a Secretaria de Saúde.  

A Sociedade Brasileira de Pediatria, SBP, divulgou o diagnóstico da doença em crianças e adolescentes que pode estar associado à Covid-19, uma vez que acontece “em dias ou semanas” após a infecção pelo coronavírus.  

Em um comunicado, a Secretaria de Saúde do Rio afirma que está atualizando a lista de doenças de notificação compulsória para melhor compreender a Covid-19 e as suas complicações, entre elas a SIM-P.  

De acordo com a Secretaria, a vigilância para essa síndrome se tornará universal, isso é, todos os municípios terão a responsabilidade de comunicar os casos.

A notificação incluirá os casos de pacientes com até 21 anos de idade.

O pediatra Jorge Huberman recomenda o seguinte: “os pais devem ficar atentos aos sinais e aos sintomas descritos acima. Em caso de dúvida, consulte o seu pediatra”.

Para marcar uma consulta com o pediatra Jorge Huberman, ligue para: (11) 2384- 9701