Dr. Jorge Huberman

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Em casos de sinais sapinho na boca de crianças, o pediatra deve ser consultado para dar o diagnóstico e indicar o tratamento correto

Sapinho na boca: sintomas e como tratar

O aparecimento de manchas brancas na língua, lábios, gengiva e céu da boca já é o suficiente para colocar os pais em alerta: pode ser sapinho na boca. Mas você sabe o que é essa doença? Conheça agora os principais sintomas e como tratar para garantir a boa saúde do seu filho.

Popularmente conhecida como sapinho, a candidose oral, candidíase oral ou monilíase oral é uma infecção da orofaringe provocada pelo fungo Candida albicans. Na boca, acomete principalmente a mucosa da língua e a parte interna da bochecha.

Esse fungo está presente em nosso corpo. Porém, quando o indivíduo tem baixa imunidade e esses organismos estão em excesso, eles acabam causam doenças. Quando o sapinho na boca aparece, a harmonia na convivência com o corpo humano desaparece e o crescimento fúngico torna-se descontrolado.

Como a imunidade de bebês ainda é pouco desenvolvida, o sapinho na boca se torna ainda mais comum. Crianças, que ainda não possuem um sistema de defesa do organismo forte o suficiente para combater o fungo, também estão sujeitas a contrair a doença.

Porém, isso não exclui a possibilidade de adultos pegarem sapinho na boca. A imunidade baixa ainda na vida adulta e a falta de higienização bucal também podem favorecer a proliferação da Candida albicans.

O que causa o sapinho na boca?

Assim como existem bactérias vivendo harmoniosamente em nosso organismo, o fungo Candida albicans também é um microrganismo natural da nossa flora microbiana. É normalmente encontrado na boca, intestinos e vaginas.

Contagiosa, a condição pode ser desenvolvida a partir do contato direto com o fungo e seu transporte para a cavidade oral. Por exemplo: uma criança teve uma diarreia, se limpou e, logo em seguida, colocou a mão contaminada na boca.

As mães que tiveram uma infecção vaginal fúngica podem transmitir a infecção para o bebê durante o parto. A candidíase também se desenvolve na levedura encontrada no leite materno, infectando os mamilos e os ductos lactíferos, levando a candidíase oral ao bebê.

O pediatra e neonatalogista, Dr.Jorge Huberman, em seu consultório, no Instituto Saúde Plena fala sobre sapinho na boca
O pediatra e neonatalogista, Dr.Jorge Huberman, em seu consultório, no Instituto Saúde Plena fala sobre sapinho na boca (Foto: Kesher Conteúdo/Divulgação)

Além disso, de acordo com o pediatra e neonatologista Jorge Huberman, fatores como: suor e umidade nas dobras do corpo, permanecer com fraldas úmidas por muito tempo e a má higienização de chupetas e mamadeiras contribuem para o aparecimento do fungo em bebês e crianças. Calor, umidade e escuro: condições propícias para o sapinho aparecer.

Quando o sistema imunológico está em bom funcionamento, ele é plenamente capaz de manter a população desse fungo sob controle. Porém, a baixa imunidade permite a proliferação desse fungo, levando ao aparecimento da doença.

Quanto mais grave a imunossupressão do paciente, pior fica a infecção. A população de Candida albicans pode crescer rapidamente e invadir as camadas mais profundas da pele e até mesmo a corrente sanguínea do coração ou do sistema nervoso central.

Quais são os sintomas de sapinho na boca?

As lesões orais provocadas pela Candida albicans podem surgir pequenas e assintomáticas, passando despercebidas por algum tempo. Porém, a tendência é que elas evoluam e se tornem facilmente visíveis.

A doença caracteriza-se pelo aparecimento de placas esbranquiçadas com aspecto cremoso na língua, lábios, céu da boca, parte interna das bochechas, gengivas e até mesmo amígdalas. Podem surgir lesões avermelhadas como aftas na língua e bochechas.

A perda de apetite é um dos sintomas de sapinho na boca
A perda de apetite é um dos sintomas de sapinho na boca (Foto: Freepik)

Dor ou ardência nas regiões afetadas, pele rachada no canto da boca, diminuição do paladar, dificuldade para engolir, uma sensação de algodão na boca também são sintomas de sapinho bastante frequentes.

Você jamais deve tentar remover as placas esbranquiçadas da boca. A raspagem dela pode causar sangramento e deixar a mucosa por baixo ferida e avermelhada.

Em casos mais graves, a candidíase pode evoluir para a laringe e esôfago, provocando sintomas como rouquidão, dor e muita dificuldade para engolir os alimentos. A candidíase do esôfago é geralmente um sinal de imunossupressão mais grave, sendo muito comum nos pacientes com AIDS.

Diagnóstico e tratamento

Assim que os sintomas forem identificados, o paciente deve ser examinado pelo médico. Como a lesão é típica, o diagnóstico do sapinho na boca é simples. Caso o médico deseje uma confirmação, ele pode raspar um pedaço da placa esbranquiçada e levar ao microscópio para identificar a presença do fungo.

O tratamento para candidíase na boca deve ser indicado pelo clínico geral, dentista ou pediatra, no caso dos bebês e das crianças. Pode ser feito através da aplicação de antifúngicos na forma de gel, líquido ou enxaguante bucal durante 5 a 7 dias.

Como a candidíase pode ser passada facilmente da mãe que amamenta para o filho, a candidíase na boca do bebê ou nos seios da mãe deve levar ambos ao tratamento para prevenir qualquer reinfecção.

Isso porque, mesmo se a criança for tratada, mas a mãe continuar contaminada, as chances de uma nova infecção causada pelo fungo são grandes. É bom sempre consultar o pediatra e seguir as orientações dele.

Geralmente, o tratamento deve continuar por cerca de duas semanas depois que todos os sintomas desaparecem. Em casos ocorridos com bebês, a amamentação não precisa ser interrompida.

As doenças provocadas por fungos exigem tratamento prolongado e persistente, sob a orientação de um médico. Pessoas com formas muito agressivas da doença necessitam de remédios por via oral e, às vezes, na veia.

Durante o tratamento, existem algumas recomendações: escove os dentes, levemente, pelo menos 3 vezes por dia e evite comer alimentos gordurosos ou com açúcar, pois eles favorecem o desenvolvimento e proliferação dos fungos na boca.

Como prevenir?
Manter hábitos de higiene é essencial para evitar a proliferação de fungos do sapinho
Manter hábitos de higiene é essencial para evitar a proliferação de fungos do sapinho (Foto: Freepik)

A melhor forma de prevenir o sapinho na boca é cuidar da saúde, manter hábitos de higiene e evitar situações que possam favorecer a infecção por fungos. No caso de crianças e bebês é imprescindível ter a atenção redobrada, já que estão ainda mais sujeitos à doença.

  • Esterilizar as peças do extrator de leite que entram em contato com o leite materno.
  • Ferver durante 20 minutos todos os dias chupetas e brinquedos que o bebê pode acabar colocando na boca.
  • Lavar roupas com água sanitária ou uma xícara de vinagre para eliminar o fungo.
  • Lavar as mãos com frequência, principalmente após as trocas de fralda.

Você também deve deixar o bebê sempre limpo e seco. Deixe o bebê sem fralda sempre que possível e seque bem as dobras após os banhos. Lembre-se: calor, umidade e escuro são condições propícias para a proliferação do fungo.

É importante destacar que a candidíase oral também recebe o nome de sapinho porque é uma doença que pode ser passada através do beijo. Então evite beijar o bebê ou a criança.

Para manter um sistema imunológico forte, você deve investir em uma dieta saudável e equilibrada, praticar exercícios físicos e, claro, manter hábitos higiênicos.

Para marcar uma consulta com o pediatra e neonatologista, Dr. Jorge Huberman, ligue para (11) 2384-9701.