Dr. Jorge Huberman

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Irmãos gêmeos asiáticos fantasiados de coelhos: saiba mais sobre a restrição seletiva em gestações gemelares

Restrição seletiva em gestações gemelares

Ao abordarmos o tema “gestações gemelares”, o que a grande maioria das pessoas têm conhecimento é que os irmãos gêmeos podem ser, eventualmente, idênticos ou não. No entanto, a classificação das gestações gemelares  vai muito além disso e, lamentavelmente, síndromes como a restrição seletiva do crescimento em gestações gemelares são cada vez mais comuns. 

Em primeiro lugar, é bom entendermos o conceito. Os conhecidos como gêmeos idênticos, são cientificamente denominados monozigóticos.

Esse fator ocorre por conta da fertilização de somente um óvulo.

Já os casos de gêmeos não idênticos, são classificados como dizigóticos, resultantes da fertilização de dois óvulos e, no caso, por dois espermatozóides distintos. 

Da mesma forma, as gestações gemelares também serão denominadas como monocoriônicas ou dicoriônicas (em relação ao número de placentas); e monoamnióticas ou diamnióticas (a respeito do número de bolsas). 

Muitas vezes, a divisão da placenta pode ser desproporcional, o que pode fazer com que um bebê seja alimentado por um pedaço grande de placenta enquanto o seu irmãozinho gêmeo é abastecido somente por um pedaço pequeno de placenta.

Essa desigualdade de tamanho do pedaço de placenta que alimenta cada nenê pode ocasionar um crescimento sem nenhuma simetria entre os gêmeos.

Restrição seletiva do crescimento em gestações gemelares: o que é?  

Quando a placenta acaba se dividindo de forma desigual entre os nenês, isso pode fazer com que eles cresçam em diferentes velocidades e tenham diferentes tamanhos.

O que provavelmente ocorrerá é que um dos bebês terá um peso adequado para a idade gestacional. No entanto, o seu irmão gêmeo será bem pequeno, bem menor do que o seu irmão maior.

Há muitos casos em que, apesar de serem gêmeos praticamente idênticos, um nenê acabará sendo bem maior do que o outro.

Os casos de maior gravidade da restrição seletiva do crescimento são caracterizados pela mudança no fluxo sanguíneo do cordão umbilical.

Assim sendo, pode ocorrer uma infelicidade e o menor acaba não sobrevivendo.

A restrição do crescimento seletivo é classificada de 3 formas: sobre a causa, também a idade gestacional em que ocorre a malformação, e ainda, dos órgãos prejudicados do bebê.

Tipo I

Irmãs gêmeas sorriem em foto: sobre a restrição de crescimento seletivo do tipo um, apesar da diferença de tamanho entre os nenês, o fluxo de sangue no cordão umbilical dos fetos ocorre normalmente
Irmãs gêmeas sorriem em foto: sobre a restrição de crescimento seletivo do tipo um, apesar da diferença de tamanho entre os nenês, o fluxo de sangue no cordão umbilical dos fetos ocorre normalmente

A respeito da restrição de crescimento seletivo do tipo I, apesar da diferença de tamanho entre os nenês, o fluxo de sangue no cordão umbilical dos fetos ocorre normalmente.

Sendo assim, esse é o melhor tipo de prognóstico e, normalmente, não há necessidade de fazer uma intervenção cirúrgica intra-uterina.

É muito provável que o parto será feito de forma precoce.

Tipo II

Enquanto isso, no Tipo II da restrição do crescimento seletivo, o feto tem uma modificação do fluxo sanguíneo em sua artéria umbilical, denominada como diástole zero ou então, reversa.

Estes casos têm uma evolução muito grave e razoavelmente previsível.  

Em diversas situações o parto pode ser feito em uma idade gestacional muito precoce.

E isso certamente coloca em risco a vida dos gêmeos, principalmente do menor.

Há casos em que poderá ser recomendado o tratamento intrauterino. Esse procedimento é feito com laser para poder separar a circulação de sangue dos bebês.

Tipo III

De outro modo, o tipo III do crescimento seletivo é diagnosticado quando no fluxo da artéria umbilical nota-se uma diástole intermitente, que é uma falha no fluxo sanguíneo.

Isso quer dizer que, em alguns momentos, a diástole é positiva em outros momentos também pode ser zero ou então reversa.

Lamentavelmente, esta forma de restrição de crescimento seletivo tem uma evolução que é absolutamente imprevisível.

Infelizmente, nesse tipo de restrição de crescimento podem ocorrer lesões no cérebro ou até mesmo vir a óbito.

E isso ocorre muitas vezes sem qualquer aviso prévio, de modo repentino.

Em casos assim também pode ser recomendada a terapia intrauterina usando o laser.

Irmãos gêmeos asiáticos com roupas parecidas: tipo III do crescimento seletivo é diagnosticado quando no fluxo da artéria umbilical nota-se uma diástole intermitente, que é uma falha no fluxo sanguíneo
Irmãos gêmeos asiáticos com roupas parecidas: tipo III do crescimento seletivo é diagnosticado quando no fluxo da artéria umbilical nota-se uma diástole intermitente, que é uma falha no fluxo sanguíneo

Como é realizado o diagnóstico da Restrição de Crescimento Seletiva?

Esse diagnóstico é realizado através de um ultrassom onde se confirma de forma inicial se os fetos estão compartilhando somente uma placenta.

Isso só é possível de ser feito antes das quatorze semanas da gestação.

Tendo esse diagnóstico em mãos, confirmado, são feitas as medidas da cabeça, do fêmur e do abdômen.

Essas medidas são usadas para que se faça uma projeção do peso fetal.

Nos casos de restrição do crescimento seletivo, a diferença do peso entre os nenês é de, no mínimo, 25%, como um dos bebês tendo peso estimado abaixo dos 10% para a idade gestacional.

Cabe lembrar que em situações de gestações gemelares monocoriônicas não complicadas, os exames de ultrassom devem ser feitos a cada 15 dias.

No entanto, a partir do diagnóstico da restrição de crescimento seletivo, esses exames passam a ser feitos semanalmente.  Esse acompanhamento é essencial mesmo que seja feito no Tipo I um por que de modo repentino, um caso assim pode se transformar em uma transfusão feto fetal.

Lamentavelmente, ambas as doenças acontecem ao mesmo tempo, com frequência.

Nas ocorrências de restrição de crescimento seletivo, o ultrassom deve ser acompanhado sempre da dopplervelocimetria.

“A dopplervelocimetria permite a avaliação da circulação materna (artérias uterinas), feto-placentária (artérias umbilicais) e fetal (artéria cerebral média, aorta abdominal)”, explica o pediatra Jorge Huberman.

Esse é um tipo de procedimento que não é invasivo e é utilizado para que seja avaliada a hemodinâmica fetal.

Fora isso, cada um dos tipos de restrição de crescimento seletivo que foram comentados anteriormente deverá ter acompanhamentos específicos.

Como são os tratamentos em casos graves de restrição seletiva em gestações gemelares?

 Nas ocorrências mais graves, pode ser recomendada a cirurgia fetal endoscópica.

Este procedimento consiste na realização de uma punção percutânea e também da introdução do fetoscópio e fibra de laser.

Esses navegam na superfície da placenta até que encontre as anastomoses vasculares que irão cauterizá-las.

Essa cirurgia é realizada em ambiente hospitalar utilizando anestesia local ou peridural e também a sedação na gestante.

Neste tratamento não é necessário nenhuma incisão e o trauma cirúrgico é muito pequeno. Com frequência a gestante acaba recebendo alta no mesmo dia ou no máximo no dia seguinte.

“A prevalência dessa doença é rara. No Brasil menos de 150 mil por ano”, afirma o neonatologista Jorge Huberman. 

O pediatra e neonatologista, Jorge Huberman, durante o 39°Congresso Brasileiro de Pediatria realizado em 2019: “a prevalência dessa doença é rara no Brasil”

Para marcar uma consulta com o Dr.Jorge Huberman, ligue para (11) 2384-9701.