Dr. Jorge Huberman

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Criança sorrindo e com refluxo gastroesofágico: tenho que me preocupar?

Refluxo gastroesofágico: tenho que me preocupar?

Uma questão que coloca muitos pais em dúvida é refluxo gastroesofágico: tenho que me preocupar?

Em primeiro lugar, é bom que se saiba: o refluxo gastroesofágico acontece quando o alimento ingerido retorna ao esôfago junto com o ácido gástrico do estômago, provocando uma “queimação”, popularmente conhecida como azia.  

A doença do refluxo gastroesofágico ocorre por uma imperfeição no esfíncter esofágico inferior, conhecido como esfíncter cárdico. O mesmo trabalha como uma válvula, não permitindo que o bolo alimentar que está no estômago volte ao esôfago.  

Quando existe algum tipo de problema no relaxamento desse esfíncter, a pessoa apresenta refluxo. O mesmo pode ser fisiológico, e é tido como normal. Ele pode acontecer quando comemos alimentos gordurosos, molhos de tomate, bebidas com cafeína, chocolate, cebola, entre outros.

Em algumas pessoas que apresentam refluxo gastroesofágico, ele pode ser provocado pela hérnia de hiato, que é a protusão de parte do estômago para o tórax, pelo orifício do diafragma.    

O refluxo apresenta-se de forma mais habitual naqueles que consomem muita comida e se deitam logo na sequência.

Com certeza, como o estômago está cheio, o esfíncter terá bastante problema para se fechar.

O mesmo fator ocorre com pessoas obesas, mulheres grávidas e aqueles que ingerem bebidas com cafeína, pois a mesma provoca o relaxamento do esfíncter esofágico ocasionando a volta dos alimentos.  

E o refluxo em bebês?

Em bebês, episódios de refluxo ocorrem por causa da imaturidade do seu esfíncter esofágico, e é o refluxo que denominamos como fisiológico, muito habitual depois das mamadas.

Esse tipo de refluxo pode prejudicar os bebês de até seis meses de idade e também pode ser muito perigoso para a criança pequena.

Assim sendo, os pais têm que ficar muito atentos a este problema.  

Dr Jorge Huberman examina paciente em consulta particular: “os bebês, depois de amamentarem devem ficar em posição ereta de 15 a minutos”, recomenda o pediatra

“Nos bebês, após a amamentação, é recomendado deixar por 15 a 20 minutos em posição ereta, pois isso diminui o incômodo que o refluxo (fisiológico ou não) pode causar”, aconselha o pediatra Jorge Huberman, médico neonatologista do Instituto Saúde Plena.

Cabe salientar que é absolutamente normal o bebê vomitar e regurgitar em seus primeiros meses de vida.

Caso ele esteja ganhando peso de forma adequada e não tiver sintomas, neste caso, eles são chamados “vomitadores felizes”.

Isto é: vomitam ou regurgitam e estão sempre bem, felizes, alegres, assintomáticos e também estão crescendo de forma normal.

Sendo assim, o refluxo é, na essência, uma consequência de mecanismos normais de ocorrências da vida do bebê. Poucos deles, na verdade, vão precisar de algum tratamento.

Os sintomas do refluxo são variados, mas geralmente se apresentam com as seguintes características. 

Azia: sentimento de queimação no peito que acontece, normalmente, logo depois de ingerir alimentos.  

Regurgitação: retorno dos alimentos até a boca, com um gosto ácido e azedo. O mesmo pode causar náuseas e vômitos.  

E, por último, tosse, rouquidão e asma, quando o refluxo alcança a laringe.  

Trate o refluxo gastroesofágico!

Bebê com refluxo: se não for tratado, pode ocasionar problemas com ulcerações, estenose do esôfago, entre outros problemas

Se não for tratado, o refluxo pode ocasionar alguns problemas como ulcerações, estenose do esôfago, dismotricidade esofágica (quando o esôfago não consegue realizar os movimentos peristálticos que conduzem o alimento a o estômago), pneumonia, bronquite e asma (quando o refluxo gastroesofágico é aspirado e vai parar nos pulmões).  

A agressão contínua às células do esôfago faz com que elas adquiram características de células intestinais, e a essa transformação damos o nome de Esôfago de Barret.

Em virtude dessas alterações, as células se tornam mais propensas a apresentar um câncer, podendo levar ao adenocarcinoma do esôfago.  

A análise do refluxo é feita por meio de endoscopia digestiva alta, que vai examinar, claro, todo o aparelho digestivo.

Há alguns médicos que optam por fazer um exame chamado de pHmetria, em que é medido o grau de acidez do estômago e do esôfago. 

O tratamento adequado do refluxo varia de acordo com a gravidade ou não do caso. Em certas situações, alterações na rotina diária são eficazes para que se perceba uma melhora no quadro.

Ou seja, com estas mudanças, quem sofre de refluxo, costuma responder bem ao tratamento.

Em outros cenários, o tratamento é realizado usando medicamentos que reduzem a quantidade de ácido que é fabricado pelo estômago, melhorando a motilidade do esôfago, atuando junto com uma dieta alimentar, perda de peso e atividades físicas.  

Em casos mais preocupantes, o médico pode optar pela cirurgia: é feita uma válvula (por meio de uma dobra ao redor do esôfago), para que, quando estiver cheio, o estômago comprima a parte terminal do esôfago, reprimindo o refluxo.

Como se precaver do refluxo gastroesofágico?  

Para se precaver do refluxo é essencial observar e seguir algumas recomendações. São elas: não se deite logo após as refeições, ou seja, depois do café da manhã, almoço, lanche da tarde e, principalmente, o jantar. 

O ideal é aguardar entre 1h30 e 2 horas. Evite comer grandes quantidades de alimentos de uma só vez. Fracionar a dieta é interessante. Do mesmo modo, tente evitar alimentos e bebidas que tenham cafeína.

Para marcar uma consulta com o pediatra Jorge Huberman, ligue para: (11) 2384- 9701