Dr. Jorge Huberman

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Uso de repelentes em bebês e crianças: pais devem ficar atentos à composição química do produto.

Qual repelente devo usar para o bebê?

Em meu consultório, atendendo como pediatra e neonatologista, uma das perguntas que mais recebo, principalmente dos pais de primeira viagem, é qual repelente devo usar para o bebê?

Por mais que há no mercado diversas versões ao público infantil, é preciso saber desde que idade, ou seja, com quantos meses, podemos aplicar repelente no bebê.

Sem dúvida alguma, trata-se de um grande desafio proteger nossos filhos contra picadas de insetos, principalmente no verão e em dias muito quentes.

São nestas ocasiões que eles se proliferam com maior facilidade, dentro de uma sequência natural: o calor demanda que os bebês usem roupas que cobrem menos a sua pele e as janelas das nossas casas permanecem abertas por um tempo bem maior.

A solução pode até ser encontrada em produtos tópicos para conseguir afastar os mosquitos que podem transmitir doenças.

Contudo, a dúvida permanece: a partir de quantos meses de idade o bebê já pode usar repelente sem os pais ficarem com medo?  

Em primeiro lugar, é bom esclarecer: os pais têm toda razão de se preocuparem; picadas de insetos causam alergias e, também, podem transmitir doenças como dengue, zika, chikungunha e febre amarela.  

No entanto, não é uma boa ideia abusar. Não é bom ficar passando repelente no bebê a toda hora: trata-se de produtos tóxicos e que podem causar alergia, irritação e diversas complicações.

Com certeza, a idade do bebê conta, mas não é só isso que importa.  

Sem dúvida alguma, há uma idade mínima para começar o uso do repelente nos pequenos: no Brasil, os produtos são adequados somente para os bebês que já completaram seis meses de idade. Antes disso, não.  

Efeito do repelente se limita a poucas horas

Contudo, além de saber a partir de quando os pequenos podem receber repelentes, os pais devem estar atentos ao ingrediente ativo do produto, à sua concentração e à forma mais segura de aplicá-lo, em cada faixa de idade.  

Outro fator que tem que ser levado em conta é que o efeito do repelente se limita somente a algumas horas. Isso costuma vir indicado na embalagem do produto.

No entanto, não se recomenda reaplicá-lo mais de três vezes ao dia.  

“Nessas últimas semanas isso é muito importante”, diz o pediatra Jorge Huberman  

“Estamos com excesso de mosquitos em nossas residências, aqui na cidade de São Paulo”, completa o neonatologista.

Os moradores de São Paulo, inclusive, estão reclamando muito da proliferação de mosquitos fora de época

O pediatra Jorge Huberman ao lado dos pacientes Manoel e Samuel: o uso do repelente nas crianças é muito importante, principalmente nesta onda de calor em São Paulo

Qual repelente devo usar para o bebê de 0 a 6 meses de idade?

Nenhum! Não se pode usar repelentes em bebês na faixa de idade entre 0 a 6 meses. A não ser que seja explicitamente recomendado pelo neonatologista ou pediatra da criança.

Explica-se: a pele e o organismo da criança ainda são muito sensíveis a este tipo de produto: o repelente. 

Embora o mercado tenha alguns repelentes naturais, seu efeito tem a tendência de ser curta e muito limitada.

Por exemplo, eles não conseguem evitar picadas do Aedes aegypti, o mosquito transmissor da dengue e da febre amarela urbana, entre outras doenças que podem ser bem perigosas.  

Deste modo, nesta faixa de idade, o recomendável é proteger o bebê dos insetos, aplicando óleo infantil, que disfarça o odor natural da transpiração e confunde os mosquitos.

Outra, podem ser usadas barreiras mecânicas, como roupas de mangas compridas, mosquiteiro e telas nas janelas.  

Quais repelentes podemos usar na faixa de 6 meses a 2 anos?  

Adulto passa repelente em criança: uso deve ter orientação de pediatra
Adulto passa repelente em criança: uso deve ter orientação de pediatra

Nessa etapa da vida dos nossos filhos, a utilização do repelente deve continuar sendo evitado ao máximo, ainda que estamos tratando de um produto infantil.

Se for mesmo necessário, deve-se usar produtos infantis que tenham o IR3535 como ingrediente ativo, em concentrações de até 20%.  

Essa substância é menos tóxica que as demais (DEET e icaridina), porém o seu efeito contra o mosquito da dengue é mais curto.

Deste modo, as barreiras físicas continuam sendo importantes também nesta faixa de idade dos pequenos. 

Importante lembrar: não aplique o repelente na palma da mão da criança, já que ela poderá facilmente ser levada aos olhos e à boca, aumentando, desta forma, o risco de reações indesejadas.   

Crianças de 2 a 7 anos  

A partir dos 2 anos, podem ser usados repelentes que tenham icaridina com concentração de 25% ou DEET até 10%.

Contudo, é preciso fazer um teste de contato antes de aplicar no corpo inteiro, a fim de verificar se a criança eventualmente mostre algum tipo de alergia ao produto.  

No Brasil, a maior parte dos repelentes disponíveis no Brasil é feito à base de DEET; no entanto a icaridina é menos tóxica e sua proteção contra o mosquito da dengue é mais duradoura.

Ainda assim, recomenda-se aplicar o produto somente ao entardecer, quando o risco de picadas aumenta.

Fora isso, dê preferência às versões em loção. Elas são mais seguras para os pequenos do que os produtos em spray.  

O repelente tem que ser aplicado por um adulto, e nunca, em hipótese alguma, pela criança.

Priorize às áreas que não são cobertas pelas roupas, inclusive o rosto.

Evite aplicar sobre machucados e em regiões próximas aos olhos e à boca.  

Demais dicas para o uso do repelente infantil em bebês

Ainda que o produto seja adequado para a idade da criança, ele tem que ser totalmente retirado com água e sabão no banho dos pequenos, já que não se recomenda dormir com o repelente estando ainda no corpo.

À noite, a movimentação da criança durante o sono pode fazer com que ele passe para as roupas de cama. Com isso, corre-se o risco de atingir a boca e os olhos.  

Quando for preciso usar o protetor solar, aplique um produto que seja recomendado para a idade do seu filho e espere entre 20 a 40 minutos para aplicar o repelente.

Caso contrário, o produto contra os insetos pode acabar diminuindo a eficácia do protetor.  

Para finalizar, embora você já saiba a partir de quantos meses o bebê pode ou não utilizar repelente, ou seja, qual produto deve ser usado, jamais use um produto sem antes consultar o pediatra da criança.

Ainda que se siga todas as instruções que foram passadas, cada criança exige cuidados e tem necessidades diferentes umas das outras. Apenas um médico especialista pode orientar o uso mais seguro de qual dos repelentes pode ser usado em crianças

Para marcar uma consulta com o Dr.Jorge Huberman, ligue para: (11) 2384-9701