Dr. Jorge Huberman

Quais são os sinais de dislexia em crianças?

A dislexia é um transtorno de aprendizagem de origem neurobiológica que impacta principalmente na leitura e na escrita. De acordo com a Associação Brasileira de Dislexia (ABD), até 17% da população mundial possui o transtorno, o que faz dessa condição uma das mais comuns no ambiente escolar.

Além do histórico familiar, considerando que a dislexia é hereditária, outros fatores de risco para o transtorno incluem o nascimento prematuro ou abaixo do peso e a exposição da mãe a álcool e drogas durante a gestação

Em geral, a dislexia é diagnosticada na infância durante a alfabetização. Entre os principais sintomas estão a dificuldade para reconhecer e soletrar palavras, lentidão para ler e escrever, dificuldade de memorização e confusão entre direita e esquerda ou entre letras parecidas visualmente, como B e D.

Quando não recebem o tratamento adequado, nem têm acesso a um programa de ensino que se adeque às suas necessidades, as crianças disléxicas costumam enfrentar dificuldades na sala de aula, resultando em reprovações ou até mesmo no abandono da escola.

Por isso, os professores têm um papel fundamental na identificação da dislexia e no apoio aos alunos com o transtorno para garantir que a aprendizagem possa ocorrer normalmente.

Pediatra Jorge Huberman sugere usar a música e os sons como forma de tratamento para a dislexia
A sugestão do pediatra e neonatologista Jorge Huberman é usar a música como tratamento para as crianças com dislexia

Não raramente os sintomas da dislexia fazem a criança ser taxada como preguiçosa, sem criatividade ou menos inteligente, e por isso é comum que as crianças disléxicas sofram com baixa autoestima.

Porém, ao contarem com apoio da família, dos professores e de uma equipe de saúde multidisciplinar, é perfeitamente possível que a criança tenha sucesso em sala de aula, no trabalho e em sua vida como um todo.

Quais os sinais de dislexia em crianças?

Os sinais de dislexia estão associados principalmente à leitura e à escrita, mas podem incluir também alguns sintomas de desatenção e dispersão.

Por conta disso, frequentemente a dislexia é confundida com o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Daí a importância de um diagnóstico preciso e que considere outros sintomas correlatos.

Meninas em sala de aula leem livros. A que está em primeiro plano possui uma feição triste.

Duas meninas em sala de aula leem livros abertos sobre a mesa: é durante a fase escolar que os sintomas da dislexia ficam mais evidentes

Os principais sinais de dislexia variam de acordo com a fase em que a criança se encontra, incluindo a primeira infância e o período pré-escolar, e a fase de alfabetização, e incluem sintomas como:

Fase pré-escolar

  • Desatenção e dispersão
  • Atrasos na fala e na linguagem
  • Dificuldade para memorizar canções e aprender rimas
  • Problemas de coordenação motora
  • Dificuldade para lidar com jogos como quebra-cabeças
  • Desinteresse por livros

Fase escolar

  • Desatenção e dispersão
  • Dificuldade para copiar textos de outros livros ou do quadro-negro
  • Desorganização que resulta em atrasos no dia a dia e na perda de objetos pessoais
  • Confusão entre direita e esquerda e entre letras com formas parecidas
  • Dificuldade de aprendizagem relacionada à leitura e escrita
  • Escrita espelho, com a inversão de palavras
  • Confusão entre cores e formas
  • Dificuldade para ler em voz alta
  • Problemas de interpretação de texto
  • Vocabulário pobre
  • Dificuldade em seguir ordens

Apresentar um ou dois dos sintomas descritos acima não significa que a criança é disléxica, mas caso o seu filho apresente vários sinais simultaneamente, vale levar a criança para uma consulta com um especialista. O pediatra de confiança pode fazer o encaminhamento da criança.

A dislexia pode começar a ser observada a partir dos 2 anos de idade, fase em que as crianças estão começando a falar. Porém, é entre 5 e 6 anos que os sintomas do transtorno ficam mais evidentes.

Existe tratamento para dislexia?

Por ser caracterizada como uma condição persistente, a dislexia não tem cura, mas com um acompanhamento especializado é possível que a criança se desenvolva normalmente.

Falando inicialmente sobre o diagnóstico, ele é confirmado com a ajuda de testes que avaliam questões de visão, audição, fluência verbal e desempenho cognitivo. Pais, professores e familiares contribuem respondendo a alguns questionamentos sobre as crianças.

O tratamento para dislexia envolve uma equipe multidisciplinar formada por profissionais como fonoaudiólogos, psicólogos e pedagogos.

A sugestão do pediatra e neonatologista Jorge Huberman é usar a música como forma de tratamento. “Uma forma interessante de tratar e ajudar quem tem dislexia é usar a música e as rimas, trabalhando ritmo, concentração e atenção. O som e suas formas são ótimos para estimular a aprendizagem dos alunos com dislexia. As atividades que trabalham a percepção auditiva ajudam a desenvolver a sequência auditiva e as habilidades de consciência fonológica”.

Em um consultório fonoaudiológico, menina faz terapia da sala usando papéis com palavras
Menina faz terapia da fala em um consultório fonoaudiológico: o tratamento da dislexia é multidisciplinar e deve envolver programas de alfabetização

Tendo em vista que as dificuldades para ler e escrever são as que mais se sobressaem entre as crianças disléxicas, é importante que o tratamento envolva programas de alfabetização que considerem as particularidades da criança com o transtorno.

Os professores têm um papel fundamental para garantir a inclusão e o aprendizado das crianças com dislexia. Neste sentido, algumas estratégias podem ser colocadas em prática para que o aluno disléxico consiga aprender naturalmente e não se sinta pressionado em determinadas situações.

Por exemplo, dar instruções claras antes de atividades ou provas, evitando o uso de metáforas, permitir o uso de recursos de apoio como calculadoras e fórmulas de tabuada, dar mais tempo para que a criança copie conteúdos do quadro e ajudá-la a organizar as informações, não pedir para que o aluno leia em voz alta na frente dos colegas etc.

Para marcar uma consulta com o Dr. Jorge Huberman, ligue para (11) 2384-9701.

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