Dr. Jorge Huberman

Como proteger os ouvidos do bebê contra fogos de artifício

As festas de fim de ano estão chegando e com elas as comemorações! Apesar de momentos como esses serem inesquecíveis, é importante estar atento à saúde auditiva do seu filho no momento de assistir o céu cheio de luzes. Por esse motivo, separamos algumas dicas de como proteger os ouvidos do bebê contra fogos de artifício.

Especialistas afirmam que quando uma criança é exposta a barulhos com frequência superior a 85 decibéis, sua audição poderá ser prejudicada. Essa frequência é comparada ao som de um liquidificador, por exemplo. No caso dos fogos de artifício, pode alcançar até 120 decibéis, sendo ainda maior que o limite recomendado.

Além de assustar os bebês, os rojões poderão lesionar os ouvidos em diferentes níveis. Traumas acústicos poderão ocasionar perda auditiva uni e bilateral temporária ou, até mesmo, irreversível. Por esse motivo, é tão importante que os pais estejam atentos em momentos de celebração.

“O que mais costuma trazer prejuízo efetivo para a audição infantil é o estouro de fogos e rojões, reduzindo, sobretudo, a audição para sons agudos. Também é preciso ficar atento para o uso das hastes flexíveis, que podem traumatizar o ouvido”, afirma o especialista Lídio Granato à Revista Crescer.

“Devido à imaturidade das estruturas do ouvido, as crianças, especialmente os bebês, têm uma sensibilidade maior a sons mais intensos do que os adultos. Assim, esse tipo de proteção pode ajudar a deixar a criança mais tranquila e com a audição protegida quando em locais de maior barulho; ainda que nem sempre elas aceitem o acessório”, continua.

O pediatra e neonatologista, Jorge Huberman, explica que os bebês não são os únicos a serem prejudicados pelos sons muito altos. “Um estudo promovido pelo instituto sueco de medicina do trabalho, Karolinska Institutet, apontou que crianças geradas por grávidas que trabalham em ambientes ruidosos têm 80% a mais de chance de ter problemas de audição”, avalia o especialista.

O pediatra e neonatalogista, Dr.Jorge Huberman, em seu consultório, no Instituto Saúde Plena fala sobre o cuidado com os ouvidos do bebê
O pediatra e neonatalogista, Dr.Jorge Huberman, em seu consultório, no Instituto Saúde Plena fala sobre o cuidado com os ouvidos do bebê (Divulgação/Kesher Conteúdo)

Além disso, a queima de rojões também podem assustar as crianças, sendo prejudicial, até mesmo, à saúde emocional. Especialmente aos filhos que são mais sensíveis, pois isso pode atemorizá-los e deixá-los com possíveis traumas emocionais.

Maneiras de proteger os ouvidos do seu filho contra fogos de artifício

Em primeiro lugar, é importante deixar o recém-nascido longe de ambientes com muito barulho sempre que possível. Isso inclui festas, shows, queimas de fogos e outros grandes eventos.

Entretanto, nos momentos em que não há escolhas, o ideal é que os pais invistam em protetores articulares com cancelamento de ruído. Produtos como esses são desenvolvidos para não expor as crianças a altos níveis de frequência sonora.

Outra forma de ajudar os bebês contra altos ruídos, é colocando as mãos na região dos ouvidos para diminuir o impacto dos estouros. No entanto, é importante ressaltar que não deve colocar os dedos para tapá-los, pois isso poderá prejudicar a saúde auditiva do filho.

É comum que algumas pessoas coloquem algodões para proteger os ouvidos do bebê contra fogos de artifício. Mas, tome cuidado! Tal prática não é recomendada, pois existe o risco de ficarem alguns pedaços “esquecidos”, mesmo após a sua retirada.

Além disso, não é recomendável utilizar qualquer outro objeto para inserir no conduto auditivo, todos podem afetar a saúde e também não dá a prevenção suficiente contra o som.

O uso de outros aparelhos próximos aos ouvidos do bebê também podem prejudicar a saúde auditiva
O uso de outros aparelhos próximos aos ouvidos do bebê também podem prejudicar a saúde auditiva (Foto: Freepik)

Também é importante utilizar métodos para acalmar o filho em locais com muito barulho. Pegue a criança no colo e tente associar o som a algo positivo. Abraçar e distrair com brincadeiras, também são maneiras de ajudá-los a deixar o desconforto de lado.

No momento da queima de fogos de Ano Novo, por exemplo, é importante que os pais estejam presentes, já que são uma das principais referências de segurança para os recém-nascidos.

Se mesmo após o término da celebração, a criança ainda demonstrar desconforto, com as mãos no ouvido, ou até mesmo, em seu comportamento, um pediatra deverá ser consultado. Sintomas como zumbido, irritabilidade, estalos e sensação de diminuição do som, são motivos de preocupação, especialmente se continuarem por muitas horas ou dias.

Proteger os ouvidos do bebê contra outros ruídos perigosos

A queima de artifício e perigosa para a saúde de uma criança devido a sua alta frequência sonora. No entanto, também existem outros aparelhos que podem ser tão prejudiciais quanto esta prática.

Quanto mais novo for o bebê, maior a sensibilidade. Afinal, ainda estão em desenvolvimento. Por esse motivo, atitudes simples no dia a dia também poderão evitar danos ou preservar a saúde auricular. Portanto, não os mantenha próximos às caixas de som ligadas ou a televisão com alto volume. 

Aparelhos como tablets, smartphones e fones de ouvido, quando colocados próximos à orelha, também podem ser motivos de interferir na saúde auditiva, devido à radiação e ondas sonoras.

Se o filho ainda for recém-nascido, é importante que ele participe do teste da orelhinha, que faz parte da “triagem neonatal”. O exame é um direito por lei e permite a identificação precoce de possíveis perdas de audição.

Fazer exames também uma forma de proteger os ouvidos do bebê
Fazer exames também é uma forma de proteger os ouvidos do bebê (Foto: Freepik)

“O exame é indolor e é feito enquanto o bebê está dormindo”, afirma o pediatra Dr. Jorge Huberman. “O fonoaudiólogo coloca um aparelho de Emissões Otoacústicas Evocadas, que produz estímulos sonoros leves e mede o retorno desses estímulos de estruturas do ouvido interno”, continua.

Já em casos de perda auditiva total, o filho deve ser encaminhado a uma avaliação diagnóstica otorrinolaringológica e audiológica, que irá apresentar o grau da perda ou se já é uma deficiência que permeia a criança desde quando nasceu.

Se for o caso, o recém-nascido terá de ser transferido a um serviço de reabilitação e terapia fonoaudiológica. Em alguns casos, também poderá ser necessário a recomendação do uso de aparelho auditivo.

A Organização Pan-Americana da Saúde, afirma, que segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), quase 2,5 bilhões de pessoas no mundo viverão com algum grau de perda auditiva até 2050. Isso advém de mal uso de aparelhos sonoros, incluindo exposição a barulhos constantes.

Portanto, é de extrema importância proteger os ouvidos do bebê a todo custo. Afinal, a perda de audição não tem tratamento e é irreversível, prejudicando a criança pelo resto de sua vida.

Para marcar uma consulta com o pediatra e neonatologista Dr. Jorge Huberman, ligue para (11) 2384-9701

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