Dr. Jorge Huberman

Prós e contras da mamadeira para a saúde das crianças

O uso da mamadeira não costuma ser recomendado por especialistas. A exceção é quando a mãe não consegue ou não pode amamentar, e então a mamadeira serve para auxiliar no aleitamento.

Como salienta o pediatra e neonatologista Jorge Huberman, “a mamadeira é necessária quando há dificuldade na amamentação pelo seio materno”. Ele lembra também que, de acordo com a legislação, esse tipo de produto deve exibir a seguinte mensagem:

“O Ministério da Saúde adverte: a criança que mama no peito não necessita de mamadeira, bico ou chupeta. O uso de mamadeira, bico ou chupeta prejudica o aleitamento materno”.

Antes de oferecer a mamadeira, no entanto, é indicado que a mãe esgote todas as possibilidades de alimentar o bebê com leite materno. Nesse sentido, algumas opções se mostram mais interessantes em alternativa ao bico artificial da mamadeira. É o caso, por exemplo, da sonda, da colher dosadora ou do copo infantil. Para garantir o bem-estar do bebê, é importante que todo esse processo de decisão e da transição do peito para outra forma de aleitamento seja acompanhada pelo pediatra da confiança.

O neonatologista Jorge ao lado da paciente Mariana: inchaço pode ser um sinal de trombofolia
O neonatologista Jorge Huberman ao lado da paciente Mariana: o especialista ressalta que a mamadeira só é indicada quando há dificuldade na amamentação pelo seio materno

O principal motivo para a mamadeira não ser vista com bons olhos é que ela causa a chamada “confusão de bicos”, uma vez que o acessório é mais fácil de ser sugado pelo bebê do que o seio da mãe, o que pode contribuir para que a criança não desenvolva adequadamente a sua musculatura.

Outra razão é a facilidade da mamadeira em acumular bactérias, caso não seja higienizada da forma correta ou na frequência recomendada, deixando o bebê mais suscetível a doenças.

Para as famílias que optaram por oferecer a mamadeira à criança, indica-se que o utensílio deixe de ser usado a partir dos 6 meses, dando lugar a outros itens no momento da introdução alimentar.

Por que a mamadeira pode fazer mal para o desenvolvimento infantil?

Na cama do quarto, mãe segura seu bebê no colo enquanto o amamenta
Mãe amamenta seu bebê: o uso da mamadeira pode causar a confusão de bicos e prejudicar o desenvolvimento da criança

A mamadeira traz alguns malefícios para o desenvolvimento infantil, principalmente a disfunção motora oral.

Esse problema é causado pela chamada “confusão de bicos”. Nesse caso, o bico artificial da mamadeira incentiva que a criança se acostume com a pega inadequada do peito.

Isso acontece porque o processo de sucção é diferente entre o seio e a mamadeira, sendo que com o acessório o bebê precisa fazer menos esforço para mamar.

Depois de um tempo, a tendência é que a criança prefira a mamadeira. Às vezes o que acontece é que o bebê começa a mamar no peito, mas larga a mama logo em seguida.

O uso da mamadeira também pode incentivar que o bebê se torne um respirador oral. Com a respiração inadequada, outros problemas de saúde podem aparecer no futuro.

A sucção da mamadeira é capaz ainda de aumentar os riscos de desenvolver uma otite média aguda.

Um problema cada vez mais frequente na infância, a obesidade é outro risco trazido pelo uso da mamadeira.

Em alguns casos, a mamadeira também pode incentivar que a criança desenvolva vícios orais durante a vida adulta, tais como fumar ou comer de forma compulsiva.

Cuidados no uso da mamadeira

Nos casos em que a mamadeira faz parte da rotina da criança, o principal cuidado que se deve ter com o acessório diz respeito à higienização.

Caso não seja limpa corretamente, a mamadeira pode acumular vestígios de leite e saliva, os quais facilitam a proliferação de germes.

Até os seis meses de idade, o bebê ainda está desenvolvendo a imunidade, e por isso fica mais suscetível a infecções.

A mamadeira precisa ser higienizada todos os dias com a ajuda de uma escova específica. Após a limpeza inicial, deve-se esterilizar o acessório em água fervente.

Outra etapa do processo é mergulhar a mamadeira em uma solução com água, água sanitária e bicarbonato de sódio. Por fim, ela deve ser enxaguada em água corrente com um pouco de detergente.

Além dos cuidados de higienização, é importante que os pais não aumentem o furo original do bico da mamadeira, evitando que a criança faça ainda menos esforço para sugar o leite.

Quando o bebê deve largar a mamadeira?

O momento certo para que o bebê largue a mamadeira é aos 6 meses de idade. Nessa fase, a criança pode ser estimulada a usar um copinho infantil durante a introdução alimentar.

Caso isso não seja possível, o recomendado é que o uso da mamadeira não ultrapasse os 2 anos.

O copo deve ser leve e contar com alças, facilitando o desenvolvimento motor.

Pode acontecer de o bebê estar muito apegado à mamadeira e o processo de transição para outro acessório ser mais difícil, e então algumas dicas podem facilitar o dia a dia da família:

No cadeirão, bebê come uma banana picada. Acima da mesinha há também um copo infantil
Bebê sentado no cadeirão come uma banana picada: o copo infantil pode ser oferecido durante a introdução alimentar
  • Diminuir a frequência com que a mamadeira é oferecida, somente quando o bebê acordar ou antes dele dormir
  • Encher a mamadeira apenas com água e oferecer outros líquidos em um copinho infantil
  • Colocar apenas um pouquinho de líquido na mamadeira e oferecer o restante em um copo para criança
  • Permitir que a criança escolha o copo para trocar pela mamadeira, o qual pode ter estampado a cor ou o personagem preferido
  • Fazer desse um momento lúdico, incentivando a criança a dar a mamadeira para o Coelhinho da Páscoa ou Papai Noel
  • Evitar carregar a mamadeira durante passeios, visitas à família ou na ida à creche, fazendo com que a criança entenda que agora ela possui o próprio copo

Se a criança estiver com muita dificuldade para abandonar o hábito de mamar na mamadeira, é importante que os pais tenham paciência e peçam ajuda para o pediatra.

Para marcar uma consulta com o Dr Jorge Huberman, ligue para (11) 2384-9701.

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