Dr. Jorge Huberman

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Criança na cadeira de rodas: CIF é para todas

Projeto de educação CIF: saiba tudo!

São apenas 3 letras, CIF. É provável que você já tenha visto está sigla. Agora nós vamos explicar o projeto de educação CIF: saiba tudo!

A CIF é uma ferramenta de classificação multiprofissional envolvendo as áreas da saúde, social, educação, entre outros, com a proposta de organizar e documentar informações sobre qualquer indivíduo, quanto à sua funcionalidade, deficiências e/ou incapacidades.

Conheça! Explore! Ela é muito importante!

É um modelo abrangente, de linguagem padronizada e unificada, capaz de traduzir as condições biopsicossociais da pessoa que se trata.

A CIF é cada vez mais conhecida e praticada no Brasil, com o objetivo de ampliar a visão sobre o sujeito, não apenas sob o ponto de vista da doença em si, mas também levando-se em consideração a sua funcionalidade em relação ao nível corporal, pessoal e social.

Portanto, a CIF é complementar a CID (Classificação Internacional da Doenças). O modelo da CIF contextualiza a pessoa quanto à:

– Funcionalidade e incapacidade, através da descrição das estruturas do corpo, funções, atividades e participação;

– Fatores Contextuais, através da análise e classificação de fatores ambientais e pessoais;

Como uma só classificação, a CIF junta, de modo sistemático, as condições gerais de uma pessoa com uma doença e/ou um transtorno, e como ela é capaz de interagir e se integrar funcionalmente no seu ambiente.

Deste modo, a CIF cobre toda a vida do sujeito e pode ser utilizada como um parâmetro de acompanhamento longitudinal, quanto ao grau de funcionalidade do sujeito, que, felizmente, não é de natureza estática.

A CIF pode ainda, por meio desse retrato de indicadores, promover a análise de adaptações e/ou ajustes sócio-ambientais necessários para promover maior integração e acessibilidade da pessoa à sociedade.

A CIF faz parte da “família” das classificações internacionais desenvolvida pela OMS para aplicação em vários aspectos da saúde, partindo-se do princípio que saúde não é ausência de doença, mas sim um bem estar físico, mental e social do sujeito.

Na Fonoaudiologia, a CIF é estudada e utilizada para classificar diferentes Distúrbios da Comunicação

Na Fonoaudiologia, especialmente na área da linguagem, a CIF tem sido estudada e utilizada para classificar diferentes Distúrbios da Comunicação que envolvem aspectos da linguagem, fala e audição.

“É um modelo de classificação funcional da pessoa em si, que retrata de forma fidedigna a sua realidade nos mais diferentes âmbitos. Acredito ser um instrumento que aproxima a interação e comunicação entre os diferentes profissionais envolvidos, a pessoa que se trata, a família e o ambiente, seja este na escola ou no trabalho”, afirma Sandra Luz Gimenez, Fonoaudióloga Clínica.

“Por esta razão, considero importante que não só os profissionais de áreas afins conheçam a CIF, mas a população em geral, para que saibam que essa classificação existe, e que pode ser útil à vida do sujeito na melhora da sua qualidade de vida”, explica a especialista.

“É importante que não só os profissionais das áreas afins conheçam a CIF, mas a população em geral, para que saibam que essa classificação existe, e que pode ser útil à vida do sujeito na melhora da sua qualidade de vida”

Nas especificações da OMS, os estados de saúde são agrupados essencialmente na CID-10

A família de classificações internacionais dessa organização viabiliza um sistema para a codificação de uma vasta série de informações sobre saúde (diagnóstico, funcionalidade e incapacidade, razões para o contato com os serviços de saúde) e usa uma linguagem comum padronizada, que libera a comunicação sobre saúde e assistência médica no mundo todo, entre várias disciplinas e ciências.  

Nas especificações da OMS, os estados de saúde (doenças, distúrbios, lesões, etc.) são agrupados essencialmente na CID-10 (abreviação da Classificação Internacional de Doenças, Décima Revisão), que oferece uma estrutura etiológica.

A funcionalidade e incapacidade, associadas aos estados de saúde são classificadas na CIF. Portanto, a CID-10 e a CIF são complementares, e os usuários são encorajados a usarem esses dois membros da família de classificações da OMS de forma conjunta.

A CID-10 viabiliza um “diagnóstico” de doenças, distúrbios ou outras condições de saúde, e essas informações são complementadas pelas informações adicionais oferecidas pela CIF sobre funcionalidade.

Juntas, as informações sobre diagnóstico e funcionalidade colaboram com uma imagem maior e mais considerável da saúde da pessoa ou da população, que pode ser utilizada para se tomar decisões. 

A CIF transformou-se, de uma classificação de “consequência da doença”, em 1980, em uma classificação dos “componentes da saúde” que reconhecem o que constitui a saúde, enquanto que “consequências” se referem à influência das doenças na condição de saúde das pessoas.

CIF é neutra em relação à etiologia

Assim sendo, a CIF toma uma posição de neutralidade em relação à etiologia, de modo que os pesquisadores podem desenvolver inferências causais usando métodos científicos corretos.

De modo parecido, esta abordagem também é diferente de um tratamento do tipo “determinantes da saúde” ou “fatores de risco”.

Para favorecer o estudo dos determinantes ou dos fatores de risco, a CIF inclui uma lista de fatores ambientais que descrevem o contexto onde a pessoa vive.  

Como universo, a CIF compreende todos os aspectos da saúde humana e alguns componentes relevantes para a saúde relacionados ao bem-estar e os descreve em termos de domínios de saúde e domínios relacionados à saúde.

A classificação é restrita ao vasto contexto da saúde e não cobre circunstâncias que não estão relacionadas à saúde, como aquelas resultantes de fatores sócio-econômicos.

Para exemplificar, algumas pessoas podem ter sua capacidade de executar uma tarefa limitada em seu ambiente por causa da sua raça, sexo, religião ou outras características sócio-econômicas, mas essas não são limitações de participação relacionadas à saúde como classificadas na CIF.  

Muitas pessoas consideram, de forma errada, que a CIF se refere unicamente a pessoas com incapacidades. Na verdade, pelo contrário, ela inclui todas as pessoas.