Dr. Jorge Huberman

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Coronavírus: isolamento de área com pacientes

Principais dúvidas sobre o coronavírus

Cada vez mais, a cada dia, as pessoas estão acessando a internet e os meios de comunicação em busca de informações para eliminarem suas principais dúvidas sobre o coronavírus.

Esta procura incessante sobre o novo coronavírus evolui ao mesmo tempo em que a epidemia atinge os mais diversos países ao redor do mundo.

Uma das maiores dúvidas que as pessoas estão tendo a respeito desta doença é a origem do seu vírus.

Na verdade, o coronavírus é o nome de uma família de vírus, classificados, essencialmente, por um genoma de RNA de cadeia positiva e que está ligada em um envelope membranoso.

Na história recente, essa família de vírus tem sido muito estudada, pois foi causador dos surtos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) e da Síndrome Respiratória no Oriente Médio (MERS) nos anos de 2003 e 2012, respectivamente.  

Do mesmo modo, os coronavírus são responsáveis por, aproximadamente, um terço de todos os casos de resfriados comuns (rinovírus, adenovírus, entre outros).

O vírus Covid-19 não é parecido com os coronavírus mais habituais.

Contudo, análises genéticas e diversos estudos propõe que esse vírus apareceu de um vírus referente à SARS.

Há investigações em curso para se saber e se descobrir mais coisas. 

No entanto, é preciso que se saiba: recentes surtos de qualquer micróbio devem sempre ser um quebra-cabeça para saúde pública resolver. Ou seja, isso é de sua inteira responsabilidade.

O perigo desses surtos depende das características do vírus, incluindo como ele se dissemina entre as pessoas, a gravidade da doença resultante e as medidas médicas para que se controle o impacto do vírus.   

Coronavírus é séria ameaça para saúde pública

Populares em uma rua no continente asiático: coronavírus é ameaça séria para a saúde pública

Sem dúvida alguma, pode-se dizer que o coronavírus é uma ameaça séria para a saúde pública.

Simplesmente pelo fato de ter provocado doenças graves e transmissão contínua de pessoa para pessoa no continente asiático, principalmente na China, é preocupante.

Não está claro, ainda, como a situação nos demais continentes irá se desenvolver.

Nos EUA, por exemplo, há monitoramento dos surtos e os dados recebidos de laboratórios, assistência médica e saúde pública para produzir os melhores planos e as precauções e medidas a serem tomadas.

Deve-se levar em consideração que o risco de pegar infecção depende da exposição.

Fora da região epidêmica, determinadas pessoas vão ter um risco aumentado de infecção. Para exemplificar, profissionais de saúde que cuidam de pacientes infectados com Covid-19 e outros contatos próximos.

Contudo, para a maioria do público que de forma improvável será exposto a esse vírus, o risco imediato para a saúde é considerado relativamente baixo.  

Outro questionamento que vemos com frequência é sobre o que sabemos atualmente sobre a transmissão entre humanos desse novo vírus.

Ou seja, uma vez que uma pessoa é infectada, o coronavírus parece ser muito contagioso no contexto humano-humano.  

Isso é, no contato próximo entre os seres humanos.

Os meios de transmissão do vírus entre humanos ainda estão sendo estudados.

Porém, conforme as evidências atuais, é presumível que ele se espalhe através do ar, por tosse e espirro. 

Ou, ainda: por meio de contato pessoal próximo, como tocar ou apertar as mãos; tocar um objeto ou superfície com o vírus e tocar sua boca, nariz ou olhos antes de fazer a lavagem das mãos.  

E, em raríssimos casos, contaminação fecal. 

Coronavírus x vírus influenza 

De acordo com os especialistas, não se acredita que o novo vírus seja mais contagioso que o vírus Influenza.

No momento, ambos os vírus parecem ter taxas de transmissão parecidas e taxas de fatalidade de casos, cerca de 2%.

Com certeza, isso pode se modificar e é por esse motivo que há que se monitorar o surto de perto e confiar em resultados de testes de laboratório que sejam absolutamente precisos.  

Os sintomas do novo vírus variam em gravidade.

Os atuais são: febre, dificuldade em respirar e tosse.

Na maioria dos casos diagnosticados relata-se pneumonia, alguns têm insuficiência renal ou disfunção de outros órgãos. 

Uma questão pertinente que se coloca também é: como os sintomas do coronavírus são diferentes daqueles que associamos a um resfriado comum e a uma gripe sazonal?  

O que se tem conhecimento é que tanto o MERS quanto o SARS (coronavírus anteriores) ocasionam doenças graves nas pessoas (35% e 10%, respectivamente).

Infelizmente, o quadro clínico completo em relação ao Covid-19 ainda não está esclarecido.

As doenças observadas variaram de pessoas infectadas com pouco ou nenhum sintoma a pessoas gravemente doentes. Atualmente, acredita-se que os sintomas do Covid-19 podem surgir entre dois e 14 dias depois da exposição.

Ou seja, não se sabe precisamente quanto tempo leva para a pessoa apresentar de fato a doença.

Tanto é que, nas estimativas da doença há casos suspeitos, como também há, de fato, casos confirmados.

Há estudos médicos e científicos sendo realizados em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil, para se saber mais.

Esta é uma situação em rápida e constante evolução e as informações serão esclarecidas tão logo estejam disponíveis.  

Como fazer para evitar o contato com o coronavírus?

Um dos principais pontos dessa doença que as pessoas querem saber é: o que se deve fazer, como proceder para evitar o contato com o coronavírus?

Na verdade, o indicado, inicialmente, é realizar as mesmas estratégias habituais de prevenção de gripes e resfriados (como lavar as mãos regularmente, tomar bastante água para se hidratar, ficar em casa quando estiver doente, etc).  

Obviamente que usar álcool gel ou lavar as mãos com bastante água e sabão (no mínimo por 20 segundos) certamente também será uma medida de proteção eficaz contra a doença.

O que já se tem disponível no momento a respeito de como tratar esse surto de vírus é agir do mesmo modo que combateríamos outros sintomas respiratórios, como um resfriado ou uma gripe comum.

A perspectiva adequada é crítica. Não é preciso ter pânico.

Todos devem fazer sua parte para não nos tornarmos parte do problema, como por exemplo espalhar notícias falsas e inverídicas sobre esse surto de vírus.

Basta lembrar que, todos os anos, milhares de pessoas ainda lidam contra o Influenza, os resfriados comuns e outros agentes respiratórios.

Outra: aqui no Brasil os primeiros casos da doença foram confirmados somente após o carnaval, bem depois que a epidemia se espalhou pela China.

Deve-se ainda diferenciar, o caso suspeito ou o confirmado. Nem sempre a suspeita se traduz em realidade, ou seja, ela é, de fato confirmada.

É por esse motivo que o Ministério da Saúde está sempre atualizando esses dados até porque precisa manter a população informada.

Como descubro se estou com o coronavírus?

Para descobrir se você está com o Coronavírus é preciso fazer exames de biologia molecular que irão detectar o RNA viral.

O diagnóstico do novo coronavírus é realizado com a coleta de materiais respiratórios com potencial de aerossolização (aspiração de vias aéreas ou indução de escarro).

É preciso que se realize a coleta de duas amostras na suspeita do novo coronavírus. Ambas amostras são encaminhadas para o Laboratório Central de Saúde Pública.

Uma das amostras é enviada ao Centro Nacional de Influenza (NIC) e outra amostra é enviada para análise de metagenômica.

É fundamental seguir as orientações que estão no boletim em relação aos procedimentos para o diagnóstico laboratorial.

Lembre-se que: no começo da doença, no início dos sintomas, não há diferenças quanto aos sinais e sintomas de uma infecção pelo novo coronavírus em comparação aos demais vírus. Por isso, é essencial ficar atento às áreas de transmissão local.

As crianças e o coronavírus

Como já é sabido e amplamente divulgado, o coronavírus já atingiu milhares de pessoas.

Porém, relativamente, raros foram os casos com crianças, segundo os dados disponíveis até o momento.

Na verdade, a média de idade entre os pacientes está entre os 49 anos e 56 anos de idade.  

Diz o Journal of American Medical Association. “Casos de crianças infectadas são raros”.

Segundo os especialistas, os mais jovens até estão sendo infectados. No entanto, os sintomas são um pouco mais brandos.

Os cientistas simplesmente não vêm observando um número maior de crianças que contraíram o vírus porque não há dados sobre esses casos mais leves.

Contudo, ainda de acordo com eles, se o novo coronavírus, de fato, propagar-se pelo mundo e se intensificar, como acontece com as gripes chamadas comuns, é provável que o número de crianças infectadas deve aumentar também.

Há alguns anos, entre os cerca de 8 mil casos detectados da Sars, os pesquisadores identificaram somente 135 crianças entre os doentes.

Crianças menores de 12 anos tiveram menos necessidade de serem internadas ou precisaram de oxigênio ou outros tipos de tratamentos.

Já as crianças com mais de 12 anos de idade revelaram sintomas parecidos com o dos adultos. Esses são mais suscetíveis porque podem apresentar outras doenças, como diabetes, pressão alta ou doença cardíaca.

Isso, sem dúvida, enfraquece sua capacidade de combater determinadas infecções.

A imunidade do nosso corpo, fundamental para combater os vírus, também acaba se deteriorando à medida que nossa idade avança, principalmente depois da meia idade.

O corpo declina, isso é normal! Acontece com a grande maioria das pessoas e é por isto que há maior incidência do coronavírus em pessoas de mais idade.

Dr Jorge responde

O pediatra e neonatologista, Jorge Huberman, também responde algumas dúvidas dos seus pacientes e seguidores.

Quais são os sintomas mais comuns do coronavírus?

São três: febre, tosse e falta de ar.

Ao chegar de uma zona de risco, o que devemos fazer?

Sem estiver sem sintomas: leve viva uma vida normal, não é necessário aplicar medidas especiais.

Com sintomas: se você tiver sintomas do coronavírus dentro de 14 dias após a sua chegada, entre em contato com os serviços de saúde por telefone.

Como posso reduzir o risco de infecção?

Lave as mãos frequentemente com água e sabão ou um desinfetante para as mãos, tipo álcool gel. Ao tossir ou espirrar, cubra a boca e o nariz com o cotovelo (e não com as mãos). Ou, então, com um lenço. Descarte o tecido imediatamente e lave as mãos.

Importante: evite o contato direto com pessoas que estejam com febre e tosse.

O médico Jorge Huberman faz um alerta. “As escolas devem estar atentas a presença de casos compatíveis com gripes envolvendo 2 ou mais alunos em uma mesma sala de aula ou turma para evitar a disseminação dos vírus respiratórios – muito frequentes nesta época do ano”, diz.

“Quanto mais rápida a detecção destes casos e a comunicação para a vigilância epidemiológica do município para estabelecimento de ações de bloqueio, menor será o impacto das doenças respiratórias virais”, finaliza o pediatra e neonatologista.