Dr. Jorge Huberman

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Andar com os bebês no colo quando eles já sabem ficar de pé pode retardar os primeiros passos

Incentivar os primeiros passos do bebê é importante

Os primeiros passos do bebê são um marco no desenvolvimento infantil. É nessa fase que a criança adquire certa independência dos pais, que também aguardam esse fato com bastante entusiasmo e desejam incentivá-lo.

A autonomia dos pequenos pode chegar em momentos diferentes, dependendo da experiência de cada criança. Contudo, ela representa a mesma coisa para todos: o progresso de  competências motoras, cognitivas e socioemocionais.

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a criança é capaz de andar sozinha com segurança aos 18 meses de idade. Nessa faixa etária, é possível que algumas delas corram, subam poucos degraus, sentem e levantem sem auxílio.

Os primeiros sinais de que o bebê está pronto para andar com as próprias pernas chegam num piscar de olhos. Quando ele é capaz de manter o corpo em equilíbrio, faz dos móveis da casa paredes de escalada e fortalece os músculos da perna, é um anúncio do que está por vir. Isso costuma acontecer entre 1 e 2 anos de idade.

Apesar da faixa etária estabelecida como padrão, é importante lembrar que cada criança tem seu tempo, o que torna inconveniente qualquer tipo de competição entre os responsáveis por bebês de idades próximas.

Além disso, é fundamental que as expectativas e ansiedades dos adultos não sejam visíveis para os pequenos, que se sentirão pressionados e poderão, inclusive, retardar a primeira marcha, nome técnico dado ao primeiro caminhar dos pequenos.

Assim como é possível atrapalhar o desenvolvimento da criança, os pais também têm o potencial de estimulá-lo por meio de comportamentos e atividades específicas.

Descubra como incentivar os primeiros passos do bebê e quais podem ser os sinais de atraso motor a seguir.

O momento ideal para os primeiros passos do bebê

Os primeiros passos do bebê representam o desenvolvimento motor, cognitivo e emocional
Os primeiros passos do bebê representam o desenvolvimento motor, cognitivo e emocional (Foto:Freepik)

A marcha do nenê passa por 3 fases até chegar nos primeiros passos. O primeiro movimento da criança é rolar na cama ou no chão. Geralmente, isso acontece quando ela tenta alcançar um objeto de desejo que está à vista.

Com a musculatura trabalhada, o próximo passo é aprender a sentar sem apoio. O comum é que isso aconteça por volta dos 6 meses de idade e é possível encorajar a criança com um exercício semelhante ao abdominal.

É só puxar o bebê suavemente para que ele se sente, segurá-lo por alguns segundos na posição, e depois deitá-lo novamente.

A terceira fase é engatinhar mas, ao contrário do que se pensa, não é sempre que a pequena criança engatinha antes de andar. Apesar deste ser um presságio do que está por vir, alguns pais são pegos de surpresa quando presenciam os primeiros passos dos pequenos que acabam pulando essa etapa.

É no mesmo período que a criança se percebe como ser independente da mãe. Por isso, esse fato costuma ser acompanhado da introdução alimentar ou da vivência na creche, que desafia o nenê a tentar coisas novas.

A participação dos pais nos primeiros passos

Os pais e cuidadores têm a opção de estimular a firmeza e o equilíbrio dos pequenos, seguindo dicas simples e eficazes. Além de adiantar o momento tão esperado, determinadas ações marcam as crianças, que se lembram da sensação de confiança e realização ao longo da vida.

A primeira medida a ser tomada, quando os pequenos demonstram sinais de que estão prontos para andar, é tornar o ambiente seguro para ser explorado.Utilizar protetores de quina de mesa, por exemplo, é uma boa opção. Deixar objetos de vidro ou pesados demais escondidos também é importante para evitar acidentes.

Outra estratégia para dar um empurrão na evolução dos bebês é posicionar os brinquedos preferidos com certa distância. Dessa forma, eles tentarão superar os próprios limites e aumentarão gradualmente o percurso que percorrem diariamente.

Muitos acreditam que segurar a mão da criança pode torná-la preguiçosa, mas a tendência é que ela confie mais em si mesma e perca o medo de se aventurar conforme for treinando. A conversa também é fundamental para acalmar e transmitir segurança para os nenês.

Colocar a criança em contato com pisos de diferentes texturas é uma atividade sensorial, que também pode ajudar nos primeiros passos. É fundamental que os pequenos sintam a grama e a terra com os pés, por exemplo. Isso porque, o desenvolvimento do tato os ajudam a interagir com o mundo ao seu redor.

Dicas para fortalecer as pernas do bebê

O pediatra e neonatologista Jorge Huberman reforça que os pais podem ajudar fortalecendo as pernas dos bebês com os seguintes exercícios:

-Coloque o bebê no chão! Assim que seu bebê começar a sentar, ele precisará de espaço para que possa se arrastar ou engatinhar. Ao fazer isso, não se esqueça de tampar as tomadas e tirar do alcance coisas que o pequeno possa puxar, como toalha de mesa;

-Deixe um objeto longe e faça com que o bebê alcance: procure colocar um brinquedo ou outro objeto que o pequeno goste, um pouco distante dele e deixe-o tentar alcança-lo;

-Sente-se com as pernas abertas e do lado de fora de uma das pernas coloque o bebê. E do lado de fora da outra perna coloque um brinquedo. Assim, o bebê terá que passar pelas duas pernas para conseguir alcançar o brinquedo;

-Que tal um pega-pega com seu bebê? Você pode tentar acompanhar a criança enquanto ela engatinha ou ir atrás dela como se fosse pegá-la;

-Quando seu bebê estiver maior, você pode deixá-lo em pé, mas faça isso por pouco tempo.

Deite o bebê com a barriga para cima. Depois, faça pressão com as mãos na sola dos pés do bebê e deixe que ele empurre de volta.

O pediatra e neonatalogista, Dr.Jorge Huberman, em seu consultório, no Instituto Saúde Plena fala sobre os primeiros passos do bebê
O pediatra e neonatalogista, Dr.Jorge Huberman, em seu consultório, no Instituto Saúde Plena fala sobre os primeiros passos do bebê (Foto: Kesher Conteúdo/Divulgação)

O que não fazer antes dos primeiros passos da criança

É inevitável que os bebês tropecem, caiam ou derrubem objetos pelo caminho até que consigam se manter em pé com a solidez necessária. Por isso, evite ficar com eles no colo o tempo inteiro, aumentar o tom de voz ou se mostrar impaciente diante de um imprevisto. Os pequenos podem se sentir retraídos e ter medo e insegurança.

O ideal é que os adultos demonstrem total disponibilidade para ensinar e comemorar as vitórias dos filhos, por menor que elas sejam. Quando o bebê é parabenizado por qualquer que seja seu progresso, ele continua se esforçando e foca nos pontos positivos do processo de aprendizagem.

Na ânsia de ver os pequenos andando com as próprias pernas, muitos pais optam pelos andadores para crianças. Contudo, o uso do equipamento é contra-indicado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) por confundirem os bebês.

Especialistas afirmam que ao invés de facilitar os passos, o acessório prejudica o equilíbrio do corpo e o desenvolvimento de tendões e músculos, além de aumentar os riscos de acidentes graves.

Os primeiros passos do bebê não chegam. É hora de procurar o pediatra?
Nem todos os bebês engatinham antes de dar os primeiros passos, alguns deles pulam essa etapa
Nem todos os bebês engatinham antes de dar os primeiros passos, alguns deles pulam essa etapa (Foto: Pixabay)

A demora no andar da criança pode ter causas simples, desde a falta de estímulo, até fatores mais graves, como atrasos no desenvolvimento neurológico. Por isso, é fundamental manter um acompanhamento periódico com o pediatra,  capaz de fazer diagnósticos precisos.

O Instituto NeuroSaber estima que até 15% das crianças com menos de 3 anos de idade apresentam algum quadro de déficit no desenvolvimento e os sinais começam a aparecer em casa, daí a necessidade de estar atento.

Se até essa faixa etária a criança não tem firmeza para andar, cai constantemente ou não demonstra qualquer intenção de se locomover, o indicado é procurar pelo profissional da área da saúde.

Formas de andar diferentes também podem indicar transtornos nos pequenos. A marcha equina, caracterizada pela ausência de contato do calcanhar com o chão, pode ser uma fase passageira ou representar a presença de Transtorno do Espectro Autista, por exemplo.

Já a marcha em tesoura, quando um joelho passa na frente do outro, é comum em crianças com Paralisia Cerebral.

O pediatra será o único capaz de avaliar cada uma das fases do desenvolvimento infantil e apontar possíveis causas e soluções para atrasos ou patologias. Na maioria dos casos, a solução vem acompanhada de um pacote de exercícios que melhoram o desempenho motor.

Para marcar uma consulta com o pediatra e neonatologista Dr. Jorge Huberman, ligue para (11) 2384-9701.