Dr. Jorge Huberman

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Criança com álcool gel: adultos devem supervisionar seu uso

Prevenção de queimaduras em tempos de Covid-19

Acidentes domésticos, principalmente usando álcool líquido, ou o uso de álcool em geral, durante a pandemia do novo Coronavírus, é um dos principais problemas que enfrentamos dentro de casa: por isso é muito importante saber quais são as medidas de prevenção de queimaduras em tempos de Covid-19.

O tema, na verdade, merece tanta atenção que recentemente a Sociedade Brasileira de Pediatria lançou um alerta.

O informativo traz orientações sobre como os pediatras chamam a atenção para o crescimento dos acidentes com queimaduras neste ano, no período de isolamento social que ainda estamos vivendo, em especial aquelas relacionadas à utilização de álcool líquido, o álcool 70, que tem sido frequentemente usado para a higienização das mãos e das superfícies.

Em primeiro lugar, há que se ressaltar: as famílias, neste momento de pandemia, têm lidado mais com a presença de crianças e adolescentes em casa, o que contribui muito para o aumento do risco e a incidência dos acidentes domésticos.

Segundo os especialistas, grande parte dos acidentes não intencionais pode ser evitada. São necessárias, para tanto, que algumas medidas de precaução sejam adotadas.

Por isso, o melhor meio de garantir um ambiente saudável e seguro para crianças e adolescentes é a disposição e a conscientização de todas as pessoas.

As lesões por queimaduras trazem, eventualmente, consequências estéticas e funcionais. Fora isso, atingem a dimensão emocional do indivíduo.

O informativo diz que o pediatra tem que orientar e aconselhar os pais a reconhecer possíveis ameaças no ambiente doméstico e explicar quais medidas de prevenção e socorro à vítima devem ser estabelecidas.

“Além da queimadura com o álcool em gel e o álcool 70, não podemos esquecer dos acidentes com esses materiais quando entram em contato com os olhos e, às vezes, nas mucosas, causando irritações e até inflamações”, afirma o neonatologista e pediatra Jorge Huberman.

O pediatra Jorge Huberman ao lado de pai de um paciente e um bebê: pais tem que tomar cuidado com todas as formas de álcool e tomar cuidado para que eles não entrem em contato com os olhos e as mucosas

Acidentes são a principal causa de morte entre 1 e 14 anos de idade

De acordo com informações do Ministério da Saúde, os acidentes continuam sendo o mais relevante motivo como causa de mortes entre as crianças entre um e 14 anos de idade.

Em 2017, por exemplo, o número de óbitos de menores de 14 anos foi de 3.661.

Além disso, no ano seguinte, foram hospitalizadas quase 112 mil crianças nesta mesma faixa de idade.

Dentro deste universo, as queimaduras responderam por quase 6% dos óbitos em 2017 e mais de 18% de todas as internações por acidentes em 2018.

Em geral, as particularidades das queimaduras em crianças estão associadas ao fato de que elas são, de forma geral, mais curiosas e interessadas em explorar o ambiente de sua casa.

No entanto, por não saberem identificar os riscos que correm com clareza, é essencial a orientação e supervisão frequente de um adulto responsável, seja a mãe, o pai, ou mesmo os avós.


Bebê brincando com extensão elétrica desligada: queimaduras em crianças estão associadas ao fato de que elas são, em geral, mais curiosas e interessadas em explorar o ambiente de casa

Boa parte dos acidentes relacionados às crianças, até o final da idade escolar, acontece em sua casa mesmo e a cozinha é o local onde mais ocorrem as queimaduras. Para evitar essas intercorrências, a SBP recomenda o seguinte.

Prevenção de queimaduras térmicas:

  • Ficar em casa e treinar com as crianças a lavagem adequada das mãos, com água e sabão, deixando a utilização do álcool em gel caso tenha que ir à rua;
  • Evitar usar álcool para a limpeza doméstica frequente. Há produtos que o substituem, como o hipoclorito de sódio, que é um desinfetante de superfície eficaz para combater o coronavírus;
  • Não segurar, nem mexer com líquidos quentes segurando uma criança no colo;
  • Não deixar, de forma alguma, que copos com líquidos quentes fiquem próximos de bebês;
  • Materiais quentes devem ser deixados no centro da mesa, distante das crianças, levando em conta o tamanho da toalha, para evitar que possa ser puxada por elas;
  • Mantenha os pequenos afastados de aquecedores, lareira, fogueira e fogos de artifício;
  • Da mesma forma, deixe o ferro de passar roupa longe do alcance das crianças. Do mesmo modo, nunca deixe o ferro esfriando no chão. Com sua curiosidade, que é natural, a criança pode tentar mexer nele e vai acabar se queimando!

Prevenção de queimaduras químicas

  • Mantenha produtos tóxicos fora da visão e do alcance dos pequenos. Esses produtos devem ser trancados em local seguro. Importante: nunca transfira produtos tóxicos para embalagens “atraentes”, como garrafas de refrigerante ou sucos (mantenha em suas embalagens originais);
  • Nunca deixe ao alcance das crianças pilhas e baterias.

Prevenção de queimaduras elétricas

  • Utilize protetores de tomada em todas as tomadas da casa que não estão sendo usadas;
  • Dentro do possível, se for viável em sua casa, encoste os móveis, escondendo as tomadas;
  • Evite ao máximo ligar vários aparelhos eletrônicos em uma mesma tomada e, do mesmo modo, evite usar benjamins ou extensões;
  • Mantenha, sempre, os fios da casa bem longe do alcance das crianças;
  • Nunca deixe uma criança brincar com objetos metálicos que possam ser colocados ou introduzidos em tomadas elétricas;
Criança brincando em uma tomada: nunca deixe os pequenos com objetos metálicos que possam ser colocados ou introduzidos em tomadas elétricas

A nota de alerta da Sociedade Brasileira de Pediatria apresenta ainda diversas informações úteis para a correta classificação de queimaduras na população pediátrica por profundidade e extensão, além de orientações sobre abordagens de primeiros socorros, desmistificando práticas errôneas disseminadas pelo senso comum, como o uso de pó de café, clara de ovo ou pasta de dente nas queimaduras.

Já a Sociedade Brasileira de Queimaduras, SBQ, traz uma intensa campanha contra as queimaduras de forma geral. “Queimaduras Nunca Mais” é o nome da campanha realizada pela SBQ. A mesma tem como objetivo a conscientização desse mal que atinge cerca de 1 milhão de pessoas por ano.

Para marcar uma consulta com o pediatra Jorge Huberman, ligue para: (11) 2384- 9701