Dr. Jorge Huberman

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Paternidade ativa: pais atuam cada vez mais em casa

Paternidade ativa: benefício para toda a família!

De forma geral, a relação entre pai e filho vem mudando bastante nos últimos anos e a paternidade ativa é um bom exemplo disso, já que uma vez que ela aconteça traz benefício para toda a família. Hoje em dia, o pai pode, sem dúvida alguma, tomar conta dos seus filhos enquanto sua mulher trabalha ou tem algum compromisso.

Uma criança precisa ter seus pais por perto, sempre, ainda mais quando muito pequena. Além disso, ficou no passado aquele conceito que se mostrava, antigamente, nas propagandas do Dia dos Pais, onde o patriarca, engravatado, chegava em casa cansado do trabalho, e era recebido pelos filhos.

Hoje o que se discute e está em jogo é a figura da paternidade ativa, ou seja, que o pai deve ter um papel muito mais atuante em casa do que tinha no passado.

A imagem do pai como figura de autoridade, responsável somente por prover a família e ocupado demais para participar da rotina dos filhos está cada vez mais ultrapassada.

Nos últimos tempos, as famílias passaram por mudanças imensas, junto com as transformações do mundo: as visões sobre maternidade e paternidade estão se renovando, mudando, e os homens também tendem a deixar no passado o papel do pai provedor, para, ao contrário, desempenhar um papel ativo, no cuidado, e na educação, dos filhos.

Pai participativo é aquele que encerra a visão do “pai que sustenta” e vem discutir e reformular a função do homem no cuidado com os filhos e, o coloca num papel mais abrangente, de atuação bem maior dentro do seu lar. Ou seja, participa ativamente em casa, seja ajudando a esposa com as tarefas domésticas ou mesmo cuidando dos filhos.

Mais ainda: como o pai deve agir, não só com os filhos, mas também com a esposa.

Segundo documento sobre paternidade ativa realizado pela UNICEF, a função do pai é alternada por níveis. O ponto prático é o homem cuidar e se preocupar com as necessidades dos filhos e realizar tarefas domésticas.

A presença emocional é o segundo grau do estudo e se caracteriza pela construção do vínculo e a ligação emocional com o filho. A transformação pessoal surge em um terceiro nível: entender o papel e a responsabilidade de ser pai e como isso afeta a sociedade em geral.

Ainda é um desafio para os homens ser pai ativo

De acordo com o levantamento do dossiê “Paternidade no Brasil”, feito pelo Instituto Promundo, em 2016, as políticas públicas sobre paternidade não são amplas. O documento diz que o setor privado tem que compreender que “as relações de trabalho, procedimentos e políticas internas estão totalmente conectadas às condições necessárias para produzir justiça social no campo da equidade de gênero”.

A paternidade ativa, além de colaborar com o bem-estar de toda a família, ajuda também para que a mulher se consolide no mercado de trabalho, tenha ascensão em sua carreira, receba bons salários.

Além disso, quando o filho cresce e tem todo este apego com o pai, há, sem dúvida, melhor desempenho escolar. É claro que nesse tema, o pai ativo pode ajudar também: estudando com seu filho, incentivando a leitura, bons hábitos, entre outros.

Os pais precisam saber que estar com os filhos é um tempo precioso, que vale a pena, que é importante não só para ele, como também para os seus descendentes. O pai é o chefe da família, é boa parte de sua sustentação, junto com sua mulher.

Dados assustadores do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), revelam que existem mais de 5,5 milhões de crianças brasileiras sem o nome do pai na certidão de nascimento. Isso é grave, fora que o abandono paterno é uma realidade cruel! 

É extremamente necessário e urgente que o pai passe a ser mais ativo, que vá além. De acordo com a UNICEF, pais ativos são aqueles que exercitam uma relação afetuosa, carinhosa, e emocional com seu filho. Possuem uma relação que vai muito somente além do aspecto financeiro: participam dos cuidados diários e da criação dos seus filhos.

Além disso, dividem com a mãe as tarefas do lar e dos afazeres com o filho e estão envolvidos com todos os momentos do desenvolvimento do seu descendente: desde a gravidez, o nascimento, a infância e a adolescência, até chegar à fase adulta.

Quando a ficha cai

De uns tempos para cá, a importância da participação do pai na criação dos filhos tem sido mais debatida. Apesar disso, ainda é bastante comum um pai atuante ser elogiado, mesmo hoje em dia, enquanto a mãe participativa é somente uma mãe, mesmo. Ou seja, seria como que uma “obrigação” dela.

Muitos homens dizem que apenas quando o bebê nasce é que a ficha sobre a paternidade cai, enquanto a mãe carrega o bebê no ventre, sente o filho mexer, além de passar, claro, pelo parto.

Falando nisso, a licença paternidade no Brasil é breve: somente cinco dias. Diferente de outros países, onde o afastamento do pai é bem maior!

Um levantamento realizado em 2016 pela Universidade de Michigan mostrou que quanto mais o pai atua, maior será o autocontrole e a cooperação que terá entre os filhos. Essa relação também influencia, diretamente, na qualidade do desenvolvimento social da criança.

No estudo, foram observadas 730 famílias norte-americanas de diferentes regiões.

Vale sempre ressaltar: um bom pai vai muito além de ser somente um “provedor” financeiro. Ele tem que prover afeto e atenção aos filhos porque as crianças preferem muito mais ter o pai ao seu lado do que uma Ferrari para passear.

Do mesmo modo, os filhos, quando crianças, curtem muito mais dormir ao lado dos pais do que em uma cama enorme.

Há, no entanto, grandes desafios para os pais assumirem essa função, já que isso envolve mudanças de mentalidade na sociedade inteira, de modo geral.

Contudo, os benefícios dessa modificação também são muitos: pesquisas mostram que o maior envolvimento dos pais é positivo para todos: a criança, o homem, e, principalmente, para a sua carreira profissional e também de sua companheira.