Dr. Jorge Huberman

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Após se descobrir grávida, a mulher deve pesquisar por partos alternativos para dar à luz e planejar seu parto

Partos alternativos: conheça outras formas de dar à luz

Embora o normal e a cesariana sejam os métodos mais conhecidos para dar à luz, existem alguns partos alternativos que podem ser considerados pelas mulheres

Por razões distintas, muitas gestantes preferem ter o bebê em posições menos convencionais. Outras ainda escolhem entre o ambiente hospitalar ou domiciliar e se terão ou não assistência durante o processo de dilatação e expulsão da criança.

Conforme a resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) é permitida à mãe a escolha da via de parto no pré-natal, desde que devidamente informada dos riscos e benefícios. As únicas exceções são casos emergenciais que envolvem perigo de vida iminente.

Entretanto, essa não é a realidade das maiorias das gestantes no Brasil. Nos últimos 20 anos, houve um aumento substancial na aplicação de uma série de intervenções para iniciar, acelerar e monitorar o trabalho de parto.

Além disso, a pesquisa Nascer Saudável realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), revela que a maioria das mulheres inicia o pré-natal optando pelo parto vaginal e muda de opinião ao longo da gestação. O que indica que os profissionais interferem nas decisões de suas pacientes.

Por isso, é essencial que haja um planejamento de parto onde os desejos da grávida fiquem registrados. Desse modo, ela pode documentar o que ela quer que aconteça ou não durante o seu parto.

Conheça algumas alternativas possíveis e entenda seus benefícios e perigos.

Partos alternativos à domicílio

Os partos alternativos feitos em casa costumam ser escolhidos por mulheres que desejam criar um ambiente acolhedor para o nascimento do bebê. Mesmo que seja realizado fora do hospital, é indispensável que a paciente esteja acompanhada de uma equipe de profissionais.

Durante o procedimento, que costuma durar de 8 a 12 horas, é necessário que haja materiais limpos e esterilizados, lençóis descartáveis, sacos de lixo e que o local seja higienizado e quente.

Apesar da comodidade, alguns aspectos desse tipo de experiência são preocupantes. Quando as gestantes são diabéticas, hipertensas ou estão esperando por gêmeos, é indicado que elas estejam em um ambiente preparado para lidar com imprevistos.

Outra questão é que esse tipo de parto não é acessível para mães que não possuem tantos recursos financeiros. O parto domiciliar não é coberto pelo Sistema Único de Saúde (SUS), por isso, as mulheres que desejam viver a experiência, precisam contratar uma equipe especializada por um alto custo.

Parto de Lótus

Os partos alternativos de Lótus não dizem respeito ao nascimento do bebê, mas aos pós. É a prática de não cortar o cordão umbilical, que liga o recém-nascido à placenta. Durante a gestação, ele é o responsável por enviar nutrientes necessários para o desenvolvimento da criança.

Nesse procedimento alternativo, a separação da criança e da placenta é feita naturalmente. Ou seja, o fio se desprende de forma espontânea sem que seja feito o clampeamento do cordão de forma imediata. O processo demora de 7 a 10 dias.

Segundo ginecologistas e obstetras, não há benefícios ou riscos comprovados nesse tipo de parto. Mesmo assim, especialistas alertam sobre a possibilidade de infecções decorrentes do apodrecimento da placenta.

Partos alternativos: na água

Apesar da posição horizontal ser vista como convencional, muitas mulheres preferem fazer o parto de cócoras ou verticalmente
Apesar da posição horizontal ser vista como convencional, muitas mulheres preferem fazer um dos partos alternativos de cócoras ou verticalmente (Foto: Freepik)

Na técnica do parto na água, o bebê nasce por via vaginal enquanto a mãe fica submersa em uma banheira ou piscina de plástico. Além de ter o potencial de reduzir a dor das contrações, o líquido morno acelera o processo de expulsão da criança.

O procedimento contribui para o relaxamento muscular, tem efeito anestésico e diminui a sensação de cansaço.

Dessa forma, a mobilidade da mulher aumenta e a necessidade de intervenções médicas é cada vez menor, o que deixa a gestante satisfeita com seu desempenho.

Também há benefícios para o bebê. A água e a temperatura nesse tipo de parto são semelhantes ao útero, o que faz com que o pequeno passe por uma transição gradual de dentro da barriga para o mundo externo.

Há risco de afogamento? Não. Nos primeiros segundos, o recém-nascido ainda está respirando por meio do cordão umbilical, que só é cortado depois que ele é entregue para a mãe.

Parto vertical ou de cócoras

Ao contrário do que se pensa, ficar deitada não é a posição mais recorrente para quem deseja um parto natural. Quando a paciente fica de barriga para cima, o útero aperta as veias e diminui a quantidade de sangue que passa da mãe para o bebê.

É comum que mulheres fiquem de cócoras e usem a gravidade a seu favor no momento de dar à luz. Para as mulheres que desejarem, o parceiro pode participar do parto abraçando a futura mãe pelas costas ou servindo como apoio.

Nessa posição, a passagem do bebê pelo canal vaginal é facilitada pela abertura da pelve. O procedimento também diminui a possibilidade de uma intercorrência médica como a episiotomia, isto é, uma incisão efetuada na região do períneo para ampliar o espaço.

Partos alternativos: humanizado
No parto humanizado, o bebê vive um momento de contato físico antes de ser separado da mãe ou receber atendimento médico
No parto humanizado, o bebê vive um momento de contato físico antes de ser separado da mãe ou receber atendimento médico (Foto: Unsplash)

O parto humanizado não pode ser considerado um tipo de parto, mas um modo de assistir à mulher e o bebê antes, durante e depois do procedimento. O ambiente pode ser no hospital ou em domicílio, mas é preparado de forma especial com luzes, músicas e massagens.

Nesta modalidade, o principal é que a equipe médica responsável fique atenta ao plano de parto e aos desejos da gestante e faça de tudo para mantê-la confortável durante todo o processo.

Nesse caso, não são utilizados medicamentos para indução e evolução do parto. A equipe de parto humanizado busca intervenções não farmacológicas para propiciar relaxamento e conforto necessários para a gestante.

Depois do nascimento do bebê, ele é colocado sobre o corpo da mãe. A intenção é favorecer o vínculo entre ambos por meio do contato pele a pele e não o afastar de sua progenitora para que haja o pronto atendimento médico.

O desafio do parto humanizado é encontrar uma equipe que acolha os princípios desse método. No Brasil, isso pode ser considerado um desafio, já que prevalecem práticas intervencionistas e até de violência obstétrica. Então é preciso ter uma equipe qualificada em que confie.

Jorge Huberman, pediatra e neonatologista, reforça que reconhecer a individualidade é humanizar o atendimento nos partos alternativos. “É essencial estabelecer com cada mulher um vínculo e perceber suas necessidades e capacidade de lidar com o processo do nascimento. Assim como é preciso criar relações menos desiguais e menos autoritárias”, conclui.

O pediatra e neonatalogista, Dr.Jorge Huberman, em seu consultório, no Instituto Saúde Plena fala sobre parto normal
O pediatra e neonatalogista, Dr.Jorge Huberman, em seu consultório, no Instituto Saúde Plena fala sobre partos alternativos (Foto: Kesher Conteúdo/Divulgação)

Para marcar uma consulta com o pediatra e neonatologista Dr. Jorge Huberman, ligue para (11) 2384-9701.