Dr. Jorge Huberman

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O exercício na bola de pilates é um método simples e eficaz de preparar a mulher para o parto normal

Parto normal: antes, durante e depois de dar à luz

O parto normal é o momento do nascimento de um ser humano de forma natural, ou seja, espontaneamente. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é um procedimento de baixo risco que ocorre entre as 37 e 42 semanas de gestação. E para as mães de primeira viagem, é normal querer saber tudo o que acontece antes, durante e depois de dar à luz.

Uma combinação de fenômenos fisiológicos dá início ao trabalho de parto. Contrações uterinas ficam cada vez mais fortes, a pressão na virilha aumenta, ocorre a saída do tampão mucoso e os movimentos do feto diminuem pouco a pouco.

Antigamente o parto era um procedimento totalmente comum, parte da cultura social. Entretanto, com o passar dos anos, a lógica da produtividade dos profissionais substituiu esse momento por uma cirurgia com duração máxima de 30 minutos.

Antes mesmo dos sintomas descritos acima, muitas mulheres são induzidas a realizarem cesarianas. O assunto é uma questão de saúde pública, afinal, todos nascemos de uma mulher e desejamos filhos ao longo da vida.

Por isso, é importante desmistificar questões ainda pouco discutidas sobre o parto normal. É necessário que a paciente seja capaz de avaliar todas as suas possibilidades e escolher a que acredita ser melhor, sejam quais forem os critérios adotados por ela.

O neonatologista e pediatra Jorge Huberman reforça que um dos passos mais importantes para conseguir ter um parto normal sem problemas é fazer todas as consultas de pré-natal. “Os exames ajudam o médico a saber se existe algo que impeça o parto normal, como alguma infecção ou alteração no bebê e precisam ser realizados”.

O pediatra e neonatalogista, Dr.Jorge Huberman, em seu consultório, no Instituto Saúde Plena fala sobre parto normal
O pediatra e neonatalogista, Dr.Jorge Huberman, em seu consultório, no Instituto Saúde Plena fala sobre parto normal (Foto: Kesher Conteúdo/Divulgação)

Conheça as etapas do parto normal, suas vantagens e saiba mais sobre a recuperação.

Como é feito o parto normal?

Realizado em três etapas, o parto normal começa quando o útero passa a sofrer contrações em tempos espaçados. Durante a primeira fase do procedimento, a mãe pode esperar horas até que a dor fique mais forte e frequente.

A dilatação do colo é inferior a 1 centímetro por hora, por isso, não há motivos para ter pressa. É indicado que a gestante procure a maternidade, quando os movimentos estiverem se repetindo em um intervalo de no mínimo 5 minutos.

Já examinada pelo médico ou doula, a futura mãe seguirá para a segunda fase. Nesse momento, a respiração, a caminhada e o banho morno podem ser grandes aliados no alívio da dor e na aceleração da dilatação.

O parto normal possibilita que a mãe pegue seu bebê nos braços logo após dar à luz, favorecendo o vínculo entre ambos
O parto normal possibilita que a mãe pegue seu bebê nos braços logo após dar à luz, favorecendo o vínculo entre ambos (Foto: Freepik)

Se a bolsa amniótica ainda não tiver estourado, o profissional pode optar por rompê-la artificialmente. É também a oportunidade de pedir pela anestesia, que pode ser aplicada para reduzir a dor aguda da etapa de dilatação ativa.

Quando o útero tiver atingido os 10 centímetros, a terceira fase, a expulsão terá início. É hora de fazer força! As contrações ajudam o bebê a passar pelo canal vaginal e o processo demora de 30 a 60 minutos.

Após a saída do recém-nascido realiza-se a dequitação, expulsão da placenta. A quarta fase é rápida e menos dolorida se comparada ao parto, e é natural que a mulher sinta o desejo de fazer força para expelir os resíduos da gestação.  

Tipos de parto normal: eutócico ou distócico

O parto normal eutócico diz respeito ao procedimento no qual o bebê nasce por via vaginal sem uso de qualquer instrumento cirúrgico.

Já no distócico, os instrumentos são utilizados para facilitar o parto. Ventosas, fórceps e espátulas auxiliam a expulsão do recém-nascido quando o estado fetal não é adequado ou não há progressão do feto no canal de parto.

Quais as vantagens do parto normal?

Existem inúmeros diferenciais do parto normal, tanto para a mãe quanto para o bebê. A gestante terá um tempo de internação hospitalar mais rápido, uma recuperação veloz, menos dor após o procedimento, menos chances de infecções e ausência de cicatrizes.

A criança, por sua vez, não nascerá antes da hora, formará a flora intestinal com maior facilidade, fortalecerá o sistema imunológico e reduzirá as possibilidades de doenças alérgicas e autoimunes.

Além disso, o vínculo entre ambos é estimulado nesse tipo de parto. Para dar à luz, a mulher precisa liberar uma série de hormônios. De acordo com cientistas modernos, trata-se de um coquetel de hormônios do amor. A ocitocina, endorfina, prolactina e adrenalina são fundamentais nesse processo.

O parto normal pode ser perigoso?

Podem ocorrer complicações em todos os tipos de parto, inclusive no normal. A asfixia neonatal e as disfunções do assoalho pélvico são os problemas mais temidos pelas gestantes.

O primeiro diz respeito à falta de oxigênio para o feto por conta da demora do trabalho de parto. Nesse momento, podem surgir sequelas e comprometimentos neurológicos nos pequenos. É indicado que seja feito o monitoramento cardíaco do bebê.

As disfunções do assoalho podem levar a alterações em diversos órgãos e sistemas causando incontinência fecal e urinária, prolapso genital, disfunções sexuais, anormalidades sensoriais, dor pélvica e muitos outros.

Em condições normais, todos esses problemas são bem menos comuns e o natural é que na grande maioria das vezes tudo ocorra bem!

Como é a dor do parto normal?

A intensidade da dor do parto varia entre mulheres, mas não é impossível de aguentar. Segundo Telma Mariotto Zakka, coordenadora do Comitê de Dor Urogenital da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor, o organismo responde com endorfina e ameniza o incômodo.

“Começa de fraca intensidade e com grandes intervalos entre uma contração e outra, depois essas cólicas ficam mais fortes e com espaços de tempo mais curtos. A dor ocorre porque há a contração da musculatura do útero”, explicou a profissional em entrevista ao portal Bebê, da Abril.

A mulher pode sentir uma queda hormonal brusca no puerpério, por isso, é preciso manter hábitos saudáveis e receber ajuda quando necessário
A mulher pode sentir uma queda hormonal brusca no puerpério, por isso, é preciso manter hábitos saudáveis e receber ajuda quando necessário (Foto: Freepik)

O pediatra e neonatologista Jorge Huberman, avalia que é preciso garantir que o ambiente em que ocorrerá o parto seja acolhedor, para que a mulher tenha segurança, privacidade e liberdade. Para desviar o foco da dor, é aconselhado que a mãe caminhe ou faça uso das bolas de pilates.

Massagens, aromaterapia, músicas, bolsas de água quente e banhos podem ser grandes aliados da paciente e métodos simples de tornar o momento do nascimento do filho ainda mais especial.

Recuperação pós-parto

O pós-parto é um período desafiador por conta da queda hormonal, capaz de provocar desânimo e cansaço. Além disso, a nova mãe precisa lidar com restrições e uma condição física diferente da anterior.

Não é recomendado, por exemplo, que a mulher dirija no primeiro mês após o parto porque pode atrapalhar a cicatrização no períneo. Nos casos em que não há incômodo, pode-se reduzir o tempo para duas semanas.

O sexo também deve ser evitado durante um período chamado de quarentena. Além dos riscos de infecção, a produção de leite também diminui a libido e a lubrificação vaginal, o que pode causar desconforto na mulher – que são amenizados com o passar dos dias.

Esse tipo de parto costuma ter uma recuperação mais rápida. É fundamental beber bastante água, manter a dieta balanceada e tomar o polivitamínico recomendado pelo médico. Essas medidas ajudarão também na amamentação.

Para marcar uma consulta com o pediatra e neonatologista Dr. Jorge Huberman, ligue para (11) 2384-9701.