Dr. Jorge Huberman

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Durante o parto cesárea, a mulher fica acordada, mas não sente da cintura para baixo. Ela consegue observar a sala de cirurgia

Parto cesárea: o método convencional de dar à luz

O parto cesárea, ou cesariana, é uma intervenção cirúrgica convencional, feita para dar à luz um ou mais bebês. Nesse caso, a extração do feto ocorre com uma operação abdominal, na qual é realizado um pequeno corte acima do púbis da gestante, que requer cuidados.

Apesar de ser recomendada somente em casos em que há risco para mãe e filho, a última pesquisa da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou um aumento do procedimento em nível global.

Com 55%, o Brasil é o país que detém a segunda maior taxa desse tipo de parto do mundo e perde apenas para a República Dominicana. Em 2016, por exemplo, o Sistema Único de Saúde (SUS) realizou 2.400.000 partos, destes, 1.336.000 foram cesáreas.

O problema é que, desde 1985, a comunidade médica internacional considera que a taxa ideal desse tipo de procedimento seria de até 15%. Pensando em reduzir o número de intervenções desnecessárias, foram lançadas 56 recomendações para os médicos em relação às mulheres grávidas.

Além disso, não existem evidências de que as cesáreas sejam minimamente benéficas quando mulheres ou nenês não enfrentam problemas. O método é realizado apenas em determinadas condições e pode ser programado pelo obstetra com antecedência ou não.

Independente de qual seja a escolha da mãe, é importante que seja garantida a autonomia da gestante para optar por qualquer uma das vias de nascimento. Por isso, é fundamental que os profissionais da área apresentem todos os pontos positivos e negativos de cada um dos possíveis procedimentos.

Como é feita a cesárea?

O primeiro passo de uma cesárea é a anestesia, geralmente administrada com a mulher sentada, sendo aplicada na coluna vertebral. No espaço, um cateter é inserido com o objetivo de administrar medicamentos e inserir uma sonda, que filtra a urina.

Quando o efeito anestésico começa a fazer efeito, o médico realiza um corte de aproximadamente 10 centímetros de largura na região abdominal. Após a incisão, o recém-nascido é retirado e cuidado por um neonatologista para avaliar a respiração.

No caso da cesárea humanizada, a mãe e o bebê se conectam pele a pele logo após ele ser retirado da barriga. Depois, a criança será examinada, enquanto a mulher tem sua placenta retirada pela equipe de parto.

Na hora de suturar, o médico fechará todas as camadas de pele que foram rompidas na cirurgia. O processo de finalização demora cerca de 30 minutos e o tempo total da intervenção, sem complicações, é de 1 hora.

A anestesia mais comum nesse tipo de parto é a raquidiana. Uma seringa com agulha é utilizada para introduzir o medicamento na região lombar com profundidade máxima. A droga proporciona alívio mais rápido da dor e seu efeito dura cerca de 3 horas.

Já a epidural, frequente no parto normal, pode ser aplicada caso o obstetra preveja maior tempo de operação. Um cateter fino entra na coluna da gestante e bloqueia a sensação de dor, o efeito começa 10 minutos depois da administração do fármaco.

É possível também receber a anestesia combinada, que mistura a raquidiana com a epidural. Enquanto a primeira oferece alívio imediato da dor, a segunda permite uma duração mais prolongada do efeito anestésico.

Quais as vantagens da cesárea?

A anestesia geral é utilizada em circunstâncias emergenciais, bloqueio da espinha ou quando a mulher tem quadro de líquido pulmonar. É importante alertar a gestante ao fato de que ela dormirá no momento do nascimento. O efeito também pode se estender ao bebê, que possivelmente sairá do útero sonolento.

A cesariana oferece vantagens em relação ao parto normal. Quando ocorre a incompatibilidade feto-pélvica, por exemplo, o canal não permite a passagem do feto e deve-se optar pela cirurgia. Veja outros casos onde a intervenção cirúrgica é indicada:

  • Eclâmpsia e pré-eclâmpsia, isto é, quando a pressão arterial da grávida é elevada e há excesso de proteína em sua urina.
  • Síndrome de HELLP. A doença se manifesta antes da 37ª semana de gestação e os sintomas incluem náuseas, dor de cabeça, de barriga e inchaço. Geralmente é necessário o parto, mesmo com o feto prematuro.
  • Sofrimento fetal. Na presença de sinais como diminuição ou alteração dos batimentos cardíacos do bebê, diminuição dos movimentos fetais e do volume de líquido amniótico.
  • Placenta baixa ou cordão umbilical em frente do colo uterino. Ambos bloqueiam a passagem da criança e é possível que ocorra hemorragia intensa.
  • Gravidez de gêmeos, caso um dos bebês não se encontre na posição de nascimento, virado de cabeça para baixo.
  • Infecção da placenta, pelo vírus da herpes simples ou pelo vírus do HIV, sem tratamento ativo.
  • É possível escolher previamente a data de nascimento do bebê e o trabalho de parto tem duração reduzida.
  • Duas ou mais cesáreas anteriores.

A cesárea é perigosa?

A cesariana apresenta perigos como qualquer outra cirurgia. Embolia pulmonar, hemorragias, infecções, trombose, aderência de alças intestinais e lesões na bexiga são possíveis riscos. Em comparação ao parto normal, pode haver maior perda de sangue.

Quando a mulher passa por uma cesárea seguida da outra, o risco aumenta. Existem chances de ter placenta prévia (placenta baixa), placenta acreta (placenta aderente ao útero) e risco de ruptura uterina.

Para o nenê, é preocupante quando a cirurgia é feita antes das 37 semanas de gestação. Além disso, se a mulher não entra em trabalho de parto espontaneamente, pode ser que ocorram problemas respiratórios e disfunções do aparelho digestivo da criança.

 Quando a mulher passa por uma cesárea seguida da outra, o risco aumenta e os cuidados devem ser maiores
Quando a mulher passa por uma cesárea seguida da outra, o risco aumenta e os cuidados devem ser maiores (Foto: Freepik)
Recuperação da cesárea

É indicado que a mulher use a cinta pós-parto, que evita o acúmulo de líquido na área da cicatriz e no abdômen. Beber cerca de 3 litros de água por dia e manter uma alimentação rica em proteínas, vegetais e frutas também é importante para ajudar na cicatrização do corte.

Durante os primeiros dias, é comum que a paciente sinta dificuldade para se levantar e fazer atividades cotidianas, mas o tempo médio de internação no hospital é de 3 a 5 dias apenas. O sexo deve ser evitado por 6 meses após o procedimento.

A cicatriz pode levar de 6 a 10 semanas para ficar imperceptível. É fundamental lavá-la e manter o curativo do corte limpo. É comum a sensação de dormência, queimação ou coceira no local.

O pediatra e neonatologista Jorge Huberman explica que as operações cesáreas têm influência na amamentação. “Durante o trabalho de parto, o corpo feminino libera hormônios como a prolactina e a ocitocina, que favorecem a produção e ejeção do leite materno. Nos casos de cesáreas programadas, o processo não acontece, tornando a lactação mais difícil. Dessa forma, aguardar, se possível, o início do trabalho de parto é muito importante”, conclui.

O pediatra e neonatalogista, Dr.Jorge Huberman, em seu consultório, no Instituto Saúde Plena fala sobre o parto cesárea
O pediatra e neonatalogista, Dr.Jorge Huberman, em seu consultório, no Instituto Saúde Plena fala sobre o parto cesárea (Foto: Kesher Conteúdo/Divulgação)

Para marcar uma consulta com o pediatra e neonatologista, Dr. Jorge Huberman, ligue para (11) 2384-9701.