Dr. Jorge Huberman

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Adulto ajeita pernas de bebê com DDQ displasia de desenvolvimento do quadril

DDQ: displasia de desenvolvimento do quadril

No meio da pediatria é bastante comum a pergunta; o que significa DDQ: displasia de desenvolvimento do quadril?
Em primeiro lugar, cabe explicar que a palavra displasia vem dos termos gregos dys (má) e plasis (formação). Ou seja: má formação do quadril.
Na ortopedia, este termo faz referência ao desenvolvimento anormal de uma região do corpo.
A displasia do desenvolvimento do quadril (também conhecida como ddq) se refere a quadris instáveis. Nestes, geralmente, a cobertura da cabeça do fêmur é insuficiente.
É um quadro clínico de gravidade variável, podendo haver desde pequenas alterações que podem até passar despercebidas por um longo período até luxações francas, quando o quadril já nasce totalmente “desencaixado”, fora do lugar.
É interessante ressaltar que, apesar de ser classicamente considerada como uma doença da primeira infância, pode se desenvolver também durante o crescimento do indivíduo.
Costuma ocorrer nesses casos também que o osso da coxa (fêmur) seja mais estreito e apresente alterações rotacionais.


Quais são os sintomas da displasia de desenvolvimento do quadril?


Nos bebês recém nascidos, é essencial a avaliação precoce com o pediatra ou com o ortopedista para a detecção da DDQ, pois ela, geralmente, é indolor.
Por meio do exame físico, o médico pode detectar sinais clínicos suspeitos e prosseguir com uma investigação por imagem, se necessário.
Na idade adulta, a DDQ pode tornar-se dolorosa.
Geralmente, a dor é na virilha, podendo ser também dor do lado de fora do quadril.
Podem existir sintomas mecânicos tais como: bloqueios da articulação, falseios ou estalidos. É sempre fundamental a avaliação do ortopedista para ter-se um diagnóstico preciso.
A DDQ é uma causa de desgaste precoce da articulação, sendo ainda uma das indicações mais comuns de prótese total de quadril em adultos que ainda são jovens.


Quais são as causas da DDQ?

Bebê com gesso para curar DDG: causas ainda são desconhecidas
Bebê com gesso para curar DDG: causas da doença ainda são desconhecidas


As causas da DDQ ainda não são totalmente conhecidas, mas sabe-se que existe relação genética, sendo que a história familiar é um fator de risco a ser fortemente considerado.
É mais comum nas meninas (80%) e também tem relação com a posição intra-uterina de apresentação pélvica, isso é: quando o feto encontra-se “sentado”, dentro do útero.
O hábito que determinados povos têm de enrolar os seus nenês logo após o nascimento, como um “charuto”, também pode contribuir para o aparecimento da DDQ.
A displasia do quadril tende a ser familiar, com maior incidência entre membros de uma mesma família. Pode estar presente no quadril e em qualquer indivíduo.
Na maioria dos casos, afeta o quadril esquerdo e é predominante em: meninas, crianças primogênitas, bebês nascidos na posição de nádegas (especialmente com os pés para cima dos ombros).
A Academia Americana de Pediatria agora passou a recomendar ultrassonografia para triagem de todos as bebês nascidas na posição de nádegas.


Como é o tratamento da displasia de desenvolvimento do quadril?

O tratamento da displasia de desenvolvimento do quadril depende da idade do paciente, do seu diagnóstico e da gravidade do caso.

Quanto antes for dado o diagnóstico e menor a gravidade da displasia, melhores serão as chances de um bom resultado.
Na infância, podem ser utilizadas órteses para corrigir casos mais leves. Em situações de maior gravidade, recorre-se ao tratamento cirúrgico. Nesta fase, o tratamento tem como objetivo principal manter o quadril bem centralizado.
A cirurgia pode envolver várias técnicas, inclusive com osteotomias (cortes nos ossos) do fêmur ou da bacia, para corrigir as deformidades.
No adulto, o tratamento varia conforme a presença ou não de desgaste de cartilagem e de acordo com a gravidade da deficiência de cobertura.
Pode envolver osteotomias de correção ou prótese de quadril em casos que sejam mais avançados.
Como se trata de uma deformidade estrutural, o tratamento não-cirúrgico nem sempre é benéfico. Mas novamente a avaliação de um ortopedista é essencial para realizar um plano de tratamento.
Outro grupo de osteotomias envolve a correção do ângulo e da rotação do fêmur, sendo estas mais indicadas nas crianças, podendo ser associadas ou não a uma osteotomia pélvica.
Em adultos, suas indicações diminuíram nos últimos anos por conta da melhora tecnológica das próteses de quadril.
Atualmente, estas abordagens podem eventualmente ser complementadas por meio da luxação cirúrgica ou da artroscopia do quadril, possibilitando, em casos bem selecionados, um tratamento mais amplo por meio da abordagem de eventuais problemas intra-articulares.

Bebê com displasia: abordagens podem eventualmente ser complementadas por meio da luxação cirúrgica
Bebê com displasia: abordagens podem eventualmente ser complementadas por meio da luxação cirúrgica

DDQ: tratamento depende de vários fatores


A DDQ é uma causa importante de artrose. O diagnóstico e o tratamento precoce devem sempre ser o objetivo para combater a doença com eficiência.
A indicação do melhor tipo de tratamento depende de vários fatores e deve ser feita de modo individualizado, de preferência por meio da avaliação de um ortopedista.
O tratamento da DDQ é desafiador tanto para o ortopedista pediátrico como também para o generalista.
Os grandes objetivos do tratamento incluem o diagnóstico o mais cedo possível, a redução da articulação e a estabilização do quadril em uma posição segura.
No Brasil, entre uma a duas crianças podem desenvolver displasia para cada 100 nascidos.
“Sempre devem ser feitos dois testes nos recém-nascidos”, afirma o pediatra Jorge Huberman.
“A Manobra de Ortolani detecta o deslizamento posterior do quadril para dentro do acetábulo; já a Manobra de Barlow, detecta o deslizamento do quadril para fora do acetábulo” explica o médico neonatologista.

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