Dr. Jorge Huberman

  >  bebês   >  O que as fezes do seu filho podem dizer sobre a saúde dele?
Os pais precisam estar atentos ao cocô do bebê a cada troca de fralda

O que as fezes do seu filho podem dizer sobre a saúde dele?

Você pode ainda não saber, mas, da infância à vida adulta, as fezes dizem muito sobre a saúde do organismo. Para garantir o bem estar do seu filho, é fundamental deixar o “nojinho” de lado e ficar de olho na cor, consistência e formato do cocô da criança.

Isso porque as fezes são um ótimo indicador sobre o funcionamento do organismo, deixando perceptível a existência de problemas ou não. Para não deixar nenhuma pista passar despercebida, é importante analisar o cocô do seu filho com atenção a cada troca de fralda.

Acompanhar o cocô do seu filho é essencial, mas não se desespere se aparecer algo diferente. Nem sempre é sinal de problemas no organismo. Até os seis meses de vida do bebê, é comum que o “número dois” apresente variações de cor, textura, consistência e odor.

Mudanças nesses aspectos ocorrem dependendo do tipo de alimentação, da idade, e da fase do desenvolvimento em que o seu filho está. 

Porém, quando essas mudanças vierem acompanhadas de febre, dor abdominal, choro, vômito, diminuição do apetite e irritabilidade, por exemplo, pode estar relacionada a infecções intestinais, alterações estomacais, ou outros problemas.

Nesses casos, é fundamental consultar o pediatra do seu filho. O médico analisará a situação e fará o diagnóstico correto para o início do tratamento. Ele é o principal aliado para tirar suas principais dúvidas sobre o desenvolvimento saudável da criança.

O primeiro cocô

É importante ressaltar que, embora o intestino comece a se formar a partir da quarta semana de gestação, a função dele é praticamente nula enquanto o bebê ainda está dentro do útero. O órgão só passa a funcionar após entrar em contato com bactérias externas e ser colonizado. 

O primeiro cocô do bebê recebe o nome de mecônico. Ele é formado ainda na gestação, composto por restos celulares, bile, muco e outras secreções.Verde-escuro, espesso, viscoso e sem cheiro, ele costuma ser eliminado entre as primeiras 24 a 36 horas após o nascimento.

Tal fenômeno é estimulado pela amamentação. Isto porque, sendo rico em carboidratos e nutrientes,  o leite materno ajuda a manter a flora intestinal equilibrada e leva à produção do bolo fecal. Conforme novas comidas vão sendo introduzidas no organismo da criança, o ‘número dois’ muda de aparência e consistência.

Fique atento! A demora para eliminação do mecônio pode ser sinal de doenças como fibrose cística e megacólon congênito, também conhecido como doença de Hirschsprung: uma dilatação de parte do intestino grosso.

Nesses casos, consulte o pediatra para a realização do diagnóstico correto e encaminhamento para tratamento eficaz.

É normal que a coloração do cocô varie nos primeiros dias de vida do nenê e ao longo do desenvolvimento da criança. Porém, cada mudança tem um significado e os pais devem estar atentos aos sinais.

Cor das fezes

As fezes dizem muito sobre o nosso organismo e o das crianças
As fezes dizem muito sobre o nosso organismo e o das crianças (Foto: Freepik)
  •  Verde

Nos primeiros dias de vida, quando o bebê é alimentado exclusivamente por leite materno, é normal que o cocô seja esverdeado.

Se a cor for um verde muito claro, pode significar que o intestino está funcionando rápido demais, sem deixar tempo suficiente para a digestão adequada.

Se as fezes tiverem cor verde brilhante e com textura de espuma, pode ser sinal de que o nenê stá se alimentando apenas com o começo da mamada do peito, que é composta especialmente por água.

Assim que seu filho começar a mamar corretamente, o leite mais nutritivo desce e o cocô tende a ficar mais amarelo.

Se as fezes forem esverdeadas e espumosas, deixe o seu filho sugar todo o leite antes de trocar de peito. Dessa forma, ele consegue ingerir a gordura do leite e as calorias necessárias.

Depois dos seis meses, a cor verde pode ser por causa de alimentos verde-escuros, da suplementação de ferro ou medicamentos. No entanto, essa cor também pode ser sinal da presença de infecção, mudança do leite ou intolerância a algum alimento.

  • Amarelo

Após as primeiras semanas de vida, fezes de cor amarelada são características de bebês que só se alimentaram com leite materno, causada pela quantidade de gorduras e de lactose presentes.

Nessa fase, o cocô é menos pegajoso do que o mecônio, porém é aquoso, mole, sem cheiro e, costuma ser eliminado logo após a mamada.

  • Marrom

No sexto mês de vida, a criança já está na fase de introdução alimentar. Com o acréscimo de frutas e papas principais, as fezes se modificam: ficam mais consistentes, mais escuras e com odor mais forte devido a fontes diversas de proteínas, carboidratos e gordura na dieta.

A cor marrom também pode ser sinal de que o bebê está tomando suplementos alimentares como o ferro, que acabam escurecendo as fezes.

Nesse caso, a alteração na cor é normal e deve-se apenas observar se as fezes melhoram após o término da medicação.

Nessa fase, é comum a presença de restos de alimentos devido à digestão incompleta. Alimentos coloridos com corantes como sucos artificiais, iogurtes, cereais e gelatinas também modificam a cor fecal.

  • Vermelho e preto

Fezes vermelhas e pretas podem estar relacionadas a ingestão de comidas de coloração intensa, mas também podem ser indício de sangramento no trato intestinal, provocado por problemas como infecção, prisão de ventre, hemorroidas ou alergias.

Se você perceber que a coloração vermelha ou preta nas fezes não está associada à alimentação, leve seu filho ao pediatra imediatamente para entender o problema e iniciar o tratamento.

  • Branco

A eliminação de fezes esbranquiçadas por mais de 2 ou 3 dias podem sinalizar doenças do fígado ou das vias biliares. Essa condição é grave e o pediatra deve ser consultado imediatamente para o bem-estar do seu filho.

Cheiro das fezes

O seu filho pode reclamar de dores fortes na barriga, esse pode ser um sinal de que algo está errado com o intestino dele
O seu filho pode reclamar de dores fortes na barriga, esse pode ser um sinal de que algo está errado com o intestino dele (Foto: Freepik)

O cheiro do cocô é um indicador do tempo que ele ficou dentro do intestino. Quanto maior o contato com as bactérias do organismo, mais intenso será seu odor.

Além disso, tal sentido também recebe influência dos tipos de alimentos ingeridos: bebês que mamam exclusivamente no peito não têm cocô de cheiro tão ruim quanto os que tomam fórmula ou já comem alimentos sólidos.

 Consistência das fezes

A consistência normal das fezes do bebê é pastosa, mas isso varia de acordo com a alimentação do seu filho. É comum que crianças alimentadas com leite em pó tenham fezes mais consistentes, por exemplo, pois a fórmula é mais difícil de digerir que o leite materno.

No entanto, alterações bruscas na consistência podem indicar problemas de saúde como prisão de ventre ou diarreia.  

  • Prisão de ventre

Pode ser reconhecida a partir de fezes em menor quantidade, com formato redondo, pequeno e consistência dura. Nesse caso, seu filho pode reclamar de dor, ter enrijecimento da barriga, além de rachaduras no ânus, devido à dificuldade em defecar.

A questão pode estar associada à desidratação, mudança na tolerância ao leite ou aumento do consumo de alimentos de difícil digestão, como sementes, feijão e milho. Sendo assim, ofereça mais água, frutas e legumes cozidos.

Caso a constipação persista por mais de 3 dias, procure o pediatra.

  • Diarreia

Fezes líquidas. Pode indicar infecção por vírus ou alergias. Nesses casos, mantenha o bebê sempre hidratado e dê alimentos leves. Procure o médico para a identificação da causa do problema, principalmente se também houver febre ou vômitos.

Formato das fezes

Os formatos das fezes são relevantes para identificar problemas no organismo. A Bristol Stool Chart é uma tabela criada para avaliar os tipos de fezes.Confira:

  • Tipo 1: Bolinhas duras, que saem após muito esforço. Podem indicar intestino preso por falta de consumo de água e fibras.
  • Tipo 2: Embolotadas como caroços. Pode ser o início de constipação e a hidratação pode melhorar.
  • Tipo 3: Comprido e com rachaduras no exterior. Está perto do ideal, mas ainda é um pouco seca e boia na água. Dê mais água, fibras e reduza o consumo de alimentos gordurosos.
  • Tipo 4:  Fezes moldadas, lisas e macias. Desliza facilmente ao sair e é o tipo de cocô ideal.
  • Tipo 5:  Pedaços macios com bordas definidas e fáceis de passar. Normalmente, é sinal de que passou muito rápido pelo intestino e o corpo não teve tempo de absorver todos os nutrientes da alimentação, podendo causar carência nutricional.
  • Tipo 6: Fezes pastosas, amolecidas. Esse tipo de cocô pode estar ligado à hiperatividade do cólon, estresse ou excesso de potássio na dieta.
  • Tipo 7: Fezes totalmente líquidas. Indica má alimentação, infecções ou alergias.   Hidrate seu filho e procure orientação médica se permanecerem os sintomas por muitos dias.

O pediatra e neonatologista Jorge Huberman, reforça que é importante nunca esquecer da microbiota intestinal que atua, além das suas funções na digestão, o intestino tem um papel importante na defesa imunitária, porque contém entre 70-80% das células imunitárias do nosso corpo. As células da mucosa, as células imunitárias e a flora intestinal (designada de microbiota) estão intimamente ligadas para a manutenção da sua integridade.

O pediatra e neonatalogista, Dr.Jorge Huberman, em seu consultório, no Instituto Saúde Plena fala sobre o frio que os bebês sentem
O pediatra e neonatalogista, Dr.Jorge Huberman, em seu consultório, no Instituto Saúde Plena fala sobre o frio que os bebês sentem (Foto: Kesher Conteúdo/Divulgação)

Para marcar uma consulta com o pediatra e neonatologista Dr. Jorge Huberman, ligue para (11) 2384-9701.