Dr. Jorge Huberman

O metaverso voltado ao universo infantil

Para muitos, o metaverso ainda é um mistério a ser desvendado. Se esse é o seu caso, não se preocupe, você entenderá agora o que significa esse conceito, qual a sua funcionalidade e, porque as famílias devem observá-lo e saber usá-lo de forma segura. Por tudo isso, é muito importante sabermos mais sobre o metaverso voltado ao universo infantil.

Esse novo conceito pode ser definido como uma rede de mundos virtuais que tenta replicar a realidade com foco na conexão social. Realidade virtual, realidade aumentada e internet são os três principais responsáveis pelo surgimento do fenômeno. O pediatra e neonatologista, Jorge Huberman, explica que o metaverso é baseado, sobretudo, na ideia de realidade virtual e realidade aumentada. “As simulações serão cruciais para gerar um mundo novo, virtualizado, e que seja gerenciado por pessoas reais com recursos reais. Ou seja, o acesso será muito similar ao que as pessoas já fazem hoje, com óculos e outras ferramentas”, diz.

O pediatra e neonatalogista, Dr.Jorge Huberman, em seu consultório, no Instituto Saúde Plena fala sobre metaverso
O pediatra e neonatalogista, Dr.Jorge Huberman, em seu consultório, no Instituto Saúde Plena fala sobre metaverso (Foto: Kesher Conteúdo/Divulgação)

A palavra que para muitos representa o desconhecido surgiu pela primeira vez no romance de Neal Stephenson chamado Snow Crash  (1992). Na história, um hacker trabalha como entregador de pizza, mas vive como um príncipe samurai em um universo virtual paralelo.

Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, anunciou recentemente a mudança de nome da empresa para Meta. Entretanto, se engana quem acredita que apenas a nomenclatura está diferente, o magnata americano investiu no metaverso enquanto o produto está no topo.

Ele promete construir um mundo digital onde trabalharemos, brincaremos, criaremos, socializaremos e compraremos.  Edward Castronova, estudioso de mundos virtuais, destaca três características primordiais deste outro mundo.

São elas: interatividade, incorporeidade e persistência. Isto é, pessoas se relacionam em um universo paralelo, superando barreiras físicas e agindo por meio de avatares em um espaço que serve de ponto de encontro de diferentes tecnologias.

Mas como nem tudo são flores, essas novidades também contribuem para a diminuição da privacidade, prejudicam a saúde mental e proliferam um novo tipo de vício. Além da facilidade de incitar discursos de ódio e risco de divulgação de informações falsas.

Daí a relevância das famílias entenderem sobre o multiverso. Muitas vezes, os mais velhos se surpreendem ao descobrirem que os jovens já fazem parte dessa nova realidade e, assim como qualquer outra, ela representa eventuais perigos.

Descubra a seguir quais os riscos do metaverso para crianças e como abrir o diálogo para manter uma relação familiar transparente.

Quais riscos o metaverso oferece às famílias? Saiba mais sobre o metaverso voltado ao universo infantil!

O metaverso voltado ao universo infantil já é presente na vida de muitas crianças. O jogo criado pela Epic Games, denominado Fortnite é um exemplo disso. Nele os usuários podem criar ilhas, enfrentar monstros e jogar com pessoas online.

A mesma empresa já divulgou uma parceria com a Lego para construir um universo gigante de brinquedos onde os pequenos poderão interagir em ambientes fictícios mesmo com aqueles que não conhecemos pessoalmente.

A segurança nesse universo imersivo deve ser uma preocupação. Quando se trata de crianças menores, a presença de pedófilos que podem se fazer passar por outra pessoa em bate-papos online, enviar imagens e até marcar encontros presenciais é um problema.

Nos Estados Unidos, uma criança de 13 anos foi sequestrada e levada para fora do estado por um adulto. Os dois teriam se conhecido em um aplicativo chamado Roblox e ele havia convencido a menina a fugir de casa enquanto conversavam por mensagem.

As “deep-fakes”, vídeos criados a partir de inteligência artificial que reproduzem aparência e voz de alguém do mundo real, representam outra inquietude. Essa tecnologia é muito utilizada em vídeos pornográficos.

A ESET América Latina, empresa de segurança da informação e detecção de ameaças, possui uma iniciativa chamada Digipais focada na proteção dos pequenos na internet que também envolve os deep fakes.

Além de todos esses aspectos negativos, ainda existe a possibilidade desse hábito de interagir virtualmente apresentado pelo metaverso, também construa comportamentos antissociais e desenvolva transtornos psicológicos como depressão e ansiedade.

A relação do mundo real com o virtual torna-se uma estratégia de fuga da realidade na qual vivemos. Isso pode ocasionar uma confusão mental no cérebro de jovens ainda em formação, fazendo com que ele não consiga diferenciar as duas coisas.

A nova geração pode não ter um bom parâmetro do real e imaginário e de como interagir com outros seres vivos no mesmo ambiente, sem as famosas “skins”, conceito está relacionado ao visual do avatar.

O papel das famílias na proteção das crianças do metaverso

A grande maioria dos pequenos vive horas imersas em jogos do gênero. A pesquisa TIC Kids Online Brasil, do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) apontou que 93% das crianças e adolescentes do país entre 9 e 17 anos são usuárias de internet.

Apesar de parecer mais um projeto do que realidade para os adultos, é necessário se inteirar sobre as atividades dos pequenos nas redes, até porque esse conhecimento já faz parte da vida do seu filho.

É dever da família supervisionar as atividades virtuais das crianças na internet e já existem aplicativos que transmitem tudo ao vivo
É dever da família supervisionar as atividades virtuais das crianças na internet e já existem aplicativos que transmitem tudo ao vivo (Foto: Freepik)

As organizações para a segurança de crianças aconselham os pais a verificar quais aplicativos seus filhos estão usando nos óculos de realidade virtual e aparelhos digitais e, sempre que possível, usá-los para checar se as atividades no histórico são apropriadas.

Alguns aplicativos permitem que os usuários transmitam simultaneamente sua experiência para um telefone ou laptop, para que os pais possam assistir ao que está acontecendo ao mesmo tempo em que as crianças brincam.

No início deste ano, o Information Commissioner’s Office (ICO), órgão regulador no setor de privacidade e uso de dados no Reino Unido, quer discutir com a Meta (dona do Facebook) mecanismos de segurança para o público infantil.

Segundo o jornal The Guardian, a entidade estaria preocupada com a falta de controle parental, moderação e fornecimento de dados pessoais utilizados no cadastro da plataforma.

Famílias no metaverso: a aposta para o futuro

Agora que você já foi apresentado ao metaverso,  já sabe que deve acompanhar as aventuras virtuais das crianças e conhece os possíveis efeitos delas nos pequenos, uma nova informação talvez te deixe de queixo caído.

Estudiosos do metaverso dizem que será possível ter um filho virtual. De acordo com eles, as chamadas “crianças tamagotchi” serão indistinguíveis daquelas do mundo real, obedecerão e poderão interagir fisicamente com os pais com luvas high-tech.

Especialistas em inteligência artificial apostam que essas crianças virtuais terão rosto e corpo realistas, poderão se parecer com seus pais e reconhecê-los por análise facial e de voz.

A interação virtual pode acarretar comportamentos antissociais e depressivos nas crianças. Se for o caso, a família deve fazer um acompanhamento psicológico
A interação virtual pode acarretar comportamentos antissociais e depressivos nas crianças. Se for o caso, a família deve fazer um acompanhamento psicológico (Foto: Pexels)

Catriona Campbell, autoridade do Reino Unido em tecnologias emergentes e autora do livro “AI by Design A Plan For Living With Artificial Intelligence”, a aprovação dos pais com crianças virtuais pode ser maior devido ao controle sobre a geração virtual.

É claro que a hipótese levanta questões polêmicas, mas deixe para pensar nesse futuro com a mentalidade que terá daqui a alguns anos, quando já estiver fazendo reuniões de trabalho pelo metaverso. Que tal?

Para marcar uma consulta com o pediatra e neonatologista Dr. Jorge Huberman, ligue para (11) 2384-9701

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