Dr. Jorge Huberman

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foto simbólica colorida que remete a saúde mental

O impacto da pandemia na saúde mental dos jovens

Quando o assunto é pandemia, inegavelmente, o foco da transmissão da Covid-19 é voltada para adultos e idosos – ainda que, crianças possam ser contaminadas pelo vírus. Contudo, um dos temas que mais causa preocupação atualmente é o impacto da pandemia na saúde mental dos jovens.

Quando entramos no campo da saúde mental, devido ao isolamento, as crianças e os adolescentes possuem o mesmo nível de impacto ou até um nível maior do que os adultos. 

Isso porque, com a gravidade do vírus, pouco se debate como as crianças e os jovens estão sendo prejudicados, seja nos estudos, no convívio social ou nas relações familiares. 

Para os adultos, essa mudança de vida não foi fácil.

Em pouco tempo, a rotina corrida das ruas, escritórios e salas de aula foi transferida para dentro das casas – e a palavra dos últimos 16 meses foi adaptação. 

Entretanto, é preciso lembrar que as crianças e adolescentes sentem os impactos da pandemia tanto quanto os adultos.

E, nessa idade, é ainda mais difícil entender a gravidade da situação, então é preciso muita conversa e empatia.

Saúde mental da criança e adolescente no isolamento

Menino observa em janela da sua casa: isolamento pode afetar ainda mais as crianças e adolescentes (Foto: Freepik)

Em primeiro lugar, é importante entender tudo aquilo que se perde, no olhar da criança e do adolescente quando falamos de isolamento e pandemia.

Essa fase é a de maior aprendizado social, onde os pequenos desenvolvem a personalidade, a moral e o caráter – tudo isso baseado no convívio com outras pessoas da mesma idade. 

Com o isolamento, todo este desenvolvimento ficou restrito, assim como as interações e descobertas. Aquela risada, abraço e sorriso com os colegas foram trocadas por telas. 

De acordo com o pediatra e neonatologista Jorge Huberman, não se pode esquecer que o momento da brincadeira é uma oportunidade de desenvolvimento para a criança. “Através do brincar ela aprende, experimenta o mundo, possibilidades, relações sociais, elabora sua autonomia de ação, organiza emoções. … O brincar desenvolve também a aprendizagem da linguagem e a habilidade motora e isso , infelizmente, não está acontecendo nesse período pela pandemia”.

Além disso, as adaptações para uma vida dentro de casa nem sempre são fáceis. Neste caso, o papel dos pais em propiciar um ambiente agradável para seus filhos e para o convívio em família é de extrema importância.

Segundo uma nova pesquisa do Children’s Hospital of Chicago, nos Estados Unidos, publicada recentemente, em maio de 2021, na JAMA Network Open, a saúde mental das crianças americanas foi prejudicada pelo ensino remoto durante a pandemia da Covid-19. 

Para o levantamento, foram ouvidos 32 mil cuidadores de estudantes.

E foi observado que um quarto das crianças e adolescentes ficaram estressados, ansiosos e irritados e um terço se sentiu solitário.

Vale lembrar que todo o impacto psicológico sofrido por uma criança ou adolescente tende a causar efeitos em sua vida adulta – como prejudicar o relacionamento em sociedade, por exemplo.

Afinal, é nesta idade que o ser humano é mais vulnerável ao desenvolvimento de transtornos mentais.

No entanto, com a atenção dos pais e da rede de apoio, esses impactos podem ser nulos, ou então, minimizados. 

Sintomas relacionados à saúde mental na infância e juventude; saiba qual é o impacto da pandemia na saúde mental dos jovens

Toda pessoa que está com a saúde mental abalada transmite sinais em suas atitudes ou modo de agir, mesmo que sejam silenciosos e quase imperceptíveis.

Com as crianças e adolescentes não é diferente.

Dessa forma, é necessária grande atenção por parte dos pais ou cuidadores. 

Listamos os principais sintomas que o impacto da pandemia pode causar na saúde mental das crianças e adolescentes: 

  • Insônia;
  • Irritabilidade;
  • Crise de ansiedade;
  • Dificuldade para adaptação ao confinamento;
  • Falta de paciência para lidar com pais e irmãos;
  • Tendência ao desenvolvimento de episódios depressivos;
  • Pensamentos e emoções resultantes de situações estressantes.

Quando a criança se isola, há um problema

É necessário entender que além desses sintomas, a criança ou adolescente tende a querer ficar isolada, geralmente em seu quarto. Esta ação pode afetar a conexão com os pais, que não conseguem estar próximos aos filhos para observá-los. 

Além disso, a criança acabará buscando uma válvula de escape para amenizar seu sofrimento.

Isso pode implicar em atitudes ou rotinas pouco saudáveis. Por exemplo, o consumo excessivo de aparelhos eletrônicos, como celular ou videogames.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria – SBP, o tempo diário de uso das telas entre crianças, deve ser de acordo com a faixa etária de cada uma. 

Dessa forma, a SBP recomenda que, até os dois anos de idade, os pais não devem liberar o contato com os dispositivos; dos dois aos seis anos, utilizem até uma hora por dia; dos seis aos 11, duas horas; e a partir dos 12 anos de idade, até três horas.

Afinal, qual o papel dos pais na saúde mental dos filhos?

Pai brinca com seus filhos na sala de casa: mãe e pai desempenham papel muito importante para a boa saúde mental dos filhos; saiba que é o impacto da pandemia na saúde mental dos jovens.
Pai brinca com seus filhos na sala de casa: mãe e pai desempenham papel muito importante para a boa saúde mental dos filhos; saiba que é o impacto da pandemia na saúde mental dos jovens

Uma saúde mental debilitada também diz muito sobre o ambiente em que vivemos.

Em outras palavras, os responsáveis devem almejar pelo fortalecimento emocional do jovem ou da criança, criando o sentimento de resiliência e aceitação.

À primeira vista, a conversa sobre sentimentos com os filhos pode ser estranha em um convívio que não possui este costume.

Entretanto, falar abertamente e demonstrar empatia com os sentimentos das crianças e adolescentes é o principal passo para amenizar os impactos do isolamento e da pandemia. 

Ainda assim, consultar um médico é indispensável. O acompanhamento psicológico, por exemplo, tende a ajudar crianças e adolescentes a crescerem de maneira saudável e com maior qualidade de vida.

Como se sabe, não há previsão do fim da pandemia, mas os traumas relacionados à saúde mental da geração atual de crianças e adolescentes tendem a permanecer.

É fundamental que os pais e toda a rede de apoio entendam o problema para que então, trabalhem para amenizá-lo.

O pediatra e neonatologista Jorge ao lado do paciente Gael: chocolate e leite industrializado ajudam a evitar os gazes
O pediatra e neonatologista Jorge ao lado do paciente Gael: chocolate e leite industrializado ajudam a evitar os gazes

Para marcar uma consulta com o pediatra e neonatologista Dr. Jorge Huberman, ligue para (11) 2384-9701.