Dr. Jorge Huberman

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O frio pode aumentar a transmissão de Covid-19

O frio pode aumentar a transmissão de Covid-19?

É só o clima mudar que começamos a sentir as alterações no nosso corpo e dos nossos filhos. É uma coriza ali, dorzinha de garganta acolá. Isso acontece, na maioria das vezes, devido ao impacto que a mudança climática tem no nosso organismo. Por isso, vamos abordar o tema: o frio pode aumentar a transmissão de Covid-19?

É como se fosse uma forma do corpo se adaptar às alterações externas. Mas, afinal, quando o clima começa a esfriar, a transmissão e o contágio de doenças como a Covid-19 podem aumentar? 

No momento pandêmico em que estamos vivendo, você provavelmente já se perguntou a respeito disso ou ouviu alguém fazendo esse mesmo questionamento.

Por mais que isso não faça tanto sentido para muitas pessoas, a verdade é que os vírus, incluindo o coronavírus, gostam bastante do inverno.

Uma pesquisa publicada pelo The Center For Evidenced-Based Medicine (CEMB) da Universidade de Oxford aponta que a Covid-19 pode se disseminar com mais facilidade no tempo frio e seco. 

Para chegar ao resultado, os pesquisadores analisaram as curvas de contágio e transmissão em Wuhan, na China, onde os primeiros casos da doença foram registrados.

Mesmo com os resultados positivos, porém, é preciso ficar atento, afinal, apesar de estarmos há mais de um ano em pandemia, o coronavírus ainda é algo novo, que está sendo descoberto e entendido, a cada estudo e pesquisa diferente. 

De acordo com o pediatra Jorge Huberman, a vacinação anual contra a gripe que continua sendo uma eficiente medida de prevenção contra o vírus influenza. “Ela ajuda a reduzir a chance de evoluir para um quadro grave de pneumonia ou outras complicações, além de ajudar a manter o controle sobre outras comorbidades que poderiam descompensar durante um quadro gripal”, explica.

Por que a transmissão da Covid-19 pode aumentar no inverno? 

O contágio do coronavírus – e também de outros vírus – pode aumentar nas estações em que o clima é mais frio e/ou seco por uma série de motivos diferentes, dentre eles nossa mudança de comportamento durante esse período.

Além disso, como dito anteriormente, nosso corpo e o das crianças e adolescentes reagem de diversas formas quanto à mudança climática e à chegada do frio.

O frio pode aumentar a transmissão de Covid-19
Entenda por que a covid-19 pode ser transmitida mais facilmente no inverno (Foto: CDC/ Pexels)

Essas reações também podem aumentar a transmissão do vírus durante o inverno. 

E não são só as mudanças relacionadas ao nosso corpo e comportamento que influenciam nesse maior contágio durante o frio.

A própria composição do vírus o torna mais propício para resistir por mais tempo quando a temperatura é baixa.

Mas, vamos com calma!

Entenda a seguir as relações entre cada mudança citada e a transmissão da covid-19. 

Basta o clima ficar frio para querermos mais contato humano. A temperatura diminui e nós logo buscamos uma coberta para ficar com a família toda assistindo um filme, não é mesmo?

As crianças também tendem a ficar mais “carentes” durante esse período, pedindo mais colo ou abraços, para tentar se proteger do frio.

A verdade é que todos nós buscamos estar cada vez mais perto de outras pessoas, para tentarmos nos aquecer com o calor humano. 

E, com quase um ano e meio do início da pandemia, você provavelmente já sabe a importância do distanciamento para evitar o contágio.

Nessas situações em que costumamos ficar mais perto um do outro, as chances de uma pessoa infectada transmitir o vírus para outra é muito maior.

Justamente por isso, o contágio com a Covid-19 cresce. 

As mudanças no corpo e o aumento da transmissão de Covid-19

Outro motivo que faz com que a transmissão de Covid-19 aumente durante o inverno são as mudanças no nosso corpo nesta época.

O frio normalmente chega acompanhado de coriza, ataques de alergia e alguns outros sintomas que fazem com que nosso corpo – e, principalmente, o das crianças – elimine mais secreção pelo nariz e olhos, além de aumentar as tosses. 

Nesses casos, se a pessoa está infectada com a Covid-19, a possibilidade de ela transmitir a doença para outras pessoas aumenta.

As crianças, principalmente, tendem a não conseguir evitar colocar a mão no nariz ou olhos nos casos dessas secreções, podendo se transformar em um possível vetor de transmissão do vírus.

Já as pessoas que não estão contaminadas, ficam mais suscetíveis a infecções respiratórias, já que existe uma inflamação por conta da alergia.

Além disso, nosso corpo “perde” defesas com temperaturas mais frias, principalmente na região do pulmão, onde o Sars-Cov-2 costuma agir.

Em situações normais, nosso pulmão produz uma capa, que se chama muco, para se proteger contra a chegada de alguns vírus.

Durante climas frios e secos, no entanto, essa produção diminui, favorecendo a multiplicação do vírus e piorando nosso sistema de defesa.

Então, já sabe: todo cuidado é pouco – principalmente nessa época!  

A composição do vírus como fator determinante 

Além dos fatores relacionados ao nosso corpo e aos hábitos que costumam aparecer com a chegada do inverno, a própria composição do vírus torna-o mais propício para a transmissão em estações frias.

Isso acontece porque o coronavírus têm em volta de si uma cápsula de gordura.

A mesma faz com que ele morra em superfícies mais quentes e com o uso de detergente, por exemplo, mas propicia sua sobrevivência e multiplicação em temperaturas baixas.

Nossa proximidade durante o inverno pode aumentar as chances de transmissão de covid-19, então é preciso ficar atento
Nossa proximidade durante o inverno pode aumentar as chances de transmissão de covid-19, então é preciso ficar atento (Foto: Unsplash)

Nem tudo está perdido! A Covid-19 pode sim ser transmitida com mais facilidade durante climas frios e secos, mas isso não quer dizer necessariamente que você e sua família vão se contaminar com a doença durante esse período: tudo depende dos cuidados que vocês tomarem! 

O lado positivo é que já estamos desde março de 2020 na pandemia e, com isso, já aprendemos as medidas básicas de proteção, como uso de máscaras, higienização frequente das mãos com água e sabão ou com álcool em gel, distanciamento social e, se possível, ficar em casa. 

No caso das crianças, essas medidas não mudam muito. Você só vai precisar ficar atento quanto ao uso da máscara.

Se seu filho tiver entre 2 e 5 anos, a recomendação da OMS é que ele use o equipamento de proteção, mas com prudência.

Isso acontece porque crianças dessa idade podem se sentir incomodadas com a máscara e, consequentemente, colocar as mãos no rosto a todo momento.

Esse fator pode contribuir com a transmissão do coronavírus, já que elas colocam a mão, que pode estar infectada, com mais frequência em áreas de fácil contágio, como olhos, nariz e boca. 

Se seu filho já se acostumou com a máscara e consegue usá-la sem sentir a necessidade de tocá-la com tanta frequência, ela certamente vai ajudá-lo a se proteger contra o coronavírus.

Crianças menores de 2 anos não precisam usar a máscara

No caso de crianças menores de 2 anos, o uso de máscara não é recomendado.

A Covid-19, conforme explicado, gosta muito do inverno e consegue se multiplicar com mais facilidade em climas frios e secos.

Dessa forma, procure seguir estritamente as medidas de segurança durante esses meses, para garantir maior proteção para você e sua família.

São apenas alguns meses de cuidado extra que certamente podem fazer a diferença na saúde de todos nós. 

Para marcar uma consulta com o pediatra e neonatologista Dr. Jorge Huberman, ligue para (11) 2384-9701.