Dr. Jorge Huberman

Luto na infância: como falar sobre morte com as crianças

Perder um ente querido costuma ser um processo doloroso em qualquer fase da vida, e o luto na infância tende a ser ainda mais desafiador.

Dependendo da idade, a morte gera sentimentos complexos para as crianças e também é durante o luto que a criança percebe a fragilidade dos adultos.

Assim como acontece com os adultos, cada criança terá a sua própria forma de lidar com o luto, e é importante que nenhum sentimento seja invalidado.

Embora o luto não seja uma doença, ele também é capaz de causar sintomas físicos, como náusea, problemas digestivos e perda de apetite.

Em relação aos sintomas psicológicos que a criança pode desenvolver, como medo de ficar sozinha, queda no rendimento escolar, baixa autoestima, dificuldade para dormir e perda de interesse por atividades prazerosas, é importante que a família possa oferecer o suporte emocional necessário. Buscar um psicólogo especializado com a ajuda do pediatra é outro meio interessante de apoiar a criança na superação do luto.

A escola também costuma ter um papel importante nessa fase, mas para isso a família deve conversar com os professores para garantir que haja um ambiente acolhedor.

O pediatra .Jorge Huberman em seu consultório em Moema: “Avós são amor que nunca envelhece e sabedoria que nunca acaba
O pediatra Jorge Huberman em seu consultório em Moema: saiba 6 maneiras de ajudar a criança a passar pelo luto

Como a criança percebe a morte ao longo da infância

A maneira com que a criança entende e lida com a morte varia bastante ao longo da infância. Ter noção disso é importante para que os pais saibam a melhor maneira de falar sobre o assunto de acordo com a idade da criança.

  • Até os 3 anos de idade, a criança encara a morte como algo que pode ser revertido e associa a perda de alguém à ausência, como numa viagem ou ao dormir e acordar
  • Dos 3 aos 5 anos, as crianças associam a morte a algo ruim, que gera tristeza, mas que também pode ser reversível. Nessa fase é comum que os pequenos acreditem que algo que foi dito para o falecido possa ter provocado a morte, gerando sentimento de culpa
  • Dos 5 aos 9 anos, a criança já compreende que a morte é definitiva, mas pode ter dificuldade para entender por que ela acontece e também para lidar com os próprios sentimentos diante da perda
  • Dos 10 anos em diante, as crianças entendem que não são capazes de evitar a morte e também já tendem a falar sobre o tema de forma mais natural, além de notarem como a perda de alguém pode impactar as pessoas ao seu redor
No consultório, menina é atendida por uma psicóloga
Menina é atendida por uma psicóloga: o apoio especializado pode ajudar a criança a superar o luto

Além dos padrões relacionados à idade, outros fatores também podem contribuir para a forma como a criança compreenderá a morte.

Entre eles, experiências anteriores de perda, seja de um ente querido ou de um animal de estimação, e a frequência com que o tema é abordado no convívio.

Como conversar sobre morte com as crianças

O diálogo sincero e o acolhimento são duas atitudes muito importantes durante o processo de luto na infância, permitindo que a criança passe por esse período da maneira menos traumática possível.

A primeira recomendação para falar sobre morte com os pequenos é nunca mentir, evitar o assunto ou tratá-lo como um tabu.

É claro que os termos utilizados irão variar conforme a idade da criança, mas expressões como “virou uma estrelinha”, “foi viajar” e “dormiu para sempre” devem ser evitados.

Isso porque as crianças costumam levar as palavras “ao pé da letra”, e podem alimentar a esperança de que a pessoa irá voltar em algum momento ou, pior ainda, podem ficar com medo de dormir ou viajar.

Durante a conversa, é importante estar aberto a ouvir a criança e responder as perguntas feitas, sempre de forma sincera.

Não há problema caso os familiares chorem na frente da criança ao falar sobre a pessoa que morreu, isso pode até ajudar a criança a se expressar e a entender melhor as próprias emoções.

Em algumas situações, pode ser que os adultos não saibam como agir ou o que devem dizer para confortar a criança. Nesses casos, é importante mostrar-se presente, mesmo que em silêncio.

No sofá da sala, mãe segura sua filha pequena no colo e lê para ela um livro infantil
Mãe lê um livro para a sua filha pequena: ferramentas lúdicas como livros e filmes contribuem para conversar sobre morte com as crianças

Contar com a ajuda de filmes também é uma boa ideia para os pais que têm mais dificuldade em abordar o assunto. 

Obras como “Rei Leão”, “Bambi”, “Viva – a Vida é uma Festa” e “Soul” abordam o luto de maneira adequada à compreensão dos pequenos.

O Dr Jorge Huberman, pediatra e neonatologista, resume em seis tópicos a maneira de dar maior suporte aos pequenos durante o luto infantil:

  • Abordar o tema anteriormente, falando de morte com naturalidade
  • Ter transparência e honestidade ao conversar com a criança
  • Não ficar preocupado em não saber todas as respostas para as dúvidas dos pequenos
  • Entender o sentimento e as manifestações físicas do luto, que podem variar de acordo com cada criança
  • Dar tempo ao luto infantil para que a criança se recupere gradualmente
  • Estimular boas lembranças do ente querido que se foi, seja por meio de fotos, vídeos ou contação de histórias

É comum que a família tenha dúvidas sobre levar ou não a criança ao velório. Essa é uma decisão muito particular e que deve ser feita em conjunto.

É importante que a criança entenda o que é um funeral, o que acontece nesse tipo de cerimônia e o que ela verá no local.

De qualquer forma, é contraindicado que a criança participe dos momentos mais tensos, como o fechamento do caixão. Por isso, é importante designar uma pessoa com antecedência para ficar com a criança durante essa hora.

Para marcar uma consulta com o Dr Jorge Huberman, ligue para (11) 2384-9701.

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