Dr. Jorge Huberman

Introdução alimentar de bebês: como fazer e quando começar

A chamada introdução alimentar, período em que os bebês começam a experimentar outros alimentos além do leite materno, é uma fase muito esperada pelos pais, mas deve acontecer de forma lenta e gradual de acordo com as particularidades de cada criança.

A introdução alimentar dos bebês deve começar somente após os 6 meses de vida, garantindo que o aleitamento materno seja exclusivo até essa idade. Isso porque o leite da mãe supre todas as necessidades nutricionais e de hidratação do bebê, não sendo necessário incluir nenhum outro alimento.

Como reforça o pediatra e neonatologista Dr. Jorge Huberman, “introdução alimentar é o termo usado para designar a fase em que a alimentaçãodos bebês começa a incorporar outros alimentos além do leite materno. Ela deve ser iniciada no sexto mês de vida, conforme orientação da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde.

Quando o bebê completa 6 meses, a introdução alimentar pode seguir em conjunto com o aleitamento, pois a amamentação é recomendada até os dois anos de idade, de acordo com as possibilidades da mãe.

Durante a introdução alimentar dos bebês, a família deve oferecer uma alimentação variada e que contemple os grupos alimentares, entre eles hortaliças, frutas, proteínas, tubérculos, grãos e cereais.

Até os 8 meses as crianças já devem ter sido apresentadas a ingredientes como ovos e peixes, além de ingredientes que contenham glúten, para que se crie uma tolerância no organismo, evitando as alergias alimentares.

Entre as refeições, a água filtrada é a bebida ideal a ser oferecida, juntamente com os chás naturais. Os sucos feitos na hora só devem ser oferecidos a partir de 1 ano de idade.

Dr Jorge durante consulta
O pediatra Jorge Huberman ressalta que a introdução alimentar deve começar a partir dos 6 meses

Pelo menos até os 2 anos, alguns alimentos devem ser evitados ao máximo, incluindo os ultraprocessados e aqueles com açúcar adicionado, tais como refrigerante, salgadinho, fast food, refeições congeladas, balas e chocolates, comidas enlatadas e iogurte.

Com relação ao sal, o tempero deve ser usado com moderação. Para deixar a alimentação dos bebês mais saborosa, indica-se apostar em temperos naturais, como ervas frescas.

Quais são os tipos de introdução alimentar para bebês?

Não existe apenas um tipo de introdução alimentar para bebês e a escolha do melhor método deve levar em conta as condições de cada família. Entre os principais modelos de introdução alimentar estão:

Papinha

Um dos tipos mais tradicionais de introdução alimentar é a papinha, em que os alimentos são oferecidos de forma pastosa aos bebês. Apesar de bastante prático, esse método tem algumas desvantagens, como não permitir que o bebê entenda o que está consumindo, tornando mais complicado saber de quais alimentos a criança gosta ou não. Outro ponto negativo é que a papinha não incentiva a mastigação, função essencial no desenvolvimento da fala.

PFinho

Esse método de introdução alimentar consiste basicamente em oferecer o prato feito em porções menores para a criança, ou seja, incorporar na alimentação do bebê o que a família come. Para garantir que esse modelo dê certo, é fundamental que os pais mantenham uma alimentação saudável.

BLW

No cadeirão, bebê usa babador e come pedaços de cenoura
Bebê sentado no cadeirão come pedaços de cenoura: o método BLW de introdução alimentar dá mais autonomia para a criança

Bastante difundida na internet, a introdução alimentar BLW é a sigla para Baby-Led Weaning, ou desmame guiado pelo bebê. Nesse método, os alimentos são oferecidos na consistência habitual, mas em pedaços menores, permitindo que o bebê possa se familiarizar com a comida ao segurar, morder e mastigar os alimentos. Apesar de incentivar a autonomia da criança, essa abordagem requer muito tempo e paciência por parte da família.

Participativa

Para os pais que não se sentem seguros em usar o método BLW, uma alternativa é a introdução alimentar participativa, em que tanto a família quanto o bebê participam do processo e os pais conseguem controlar melhor a situação ao oferecer a comida aos poucos.

Como fazer a introdução alimentar: os passos essenciais

Os 6 meses de vida são um ponto de partida para a família saber quando está na hora de começar a introdução alimentar, porém, esse tempo pode variar de acordo com o desenvolvimento de cada criança.

Por isso, há alguns sinais que indicam que a criança está pronta para essa nova fase, entre eles:

  • Conseguir se sentar sozinha e sem apoio
  • Ter controle do corpo para sustentar a cabeça
  • Começar a mostrar interesse pelos alimentos
  • Fazer movimentos com a boca que simulem a mastigação
  • Pegar objetos com a mão e levá-los à boca
  • Diminuir ou eliminar a protusão da língua, movimento em que a língua é levemente colocada para fora
Mãe faz brincadeiras para que seu filho coma as abobrinhas à sua frente
Mãe brinca com o filho enquanto ele come um pedaço de abobrinha: os pais devem controlar a ansiedade e as expectativas durante a introdução alimentar

Quando a criança cumprir com todos ou a maioria desses pontos, a família pode prosseguir com a introdução dos alimentos, sempre de forma gradual e sem pressa. É importante que os pais não insistam para a criança comer um alimento específico, em geral é preciso oferecer até 10 vezes um mesmo ingrediente para que o bebê o aceite sem contestar.

Seja qual for o método de introdução alimentar escolhido pela família, o ideal é que a alimentação do bebê seja variada e contenha pelo menos um ingrediente de cada grupo, sendo que a cada dia a fruta ou a hortaliça oferecidos devem variar, garantindo que a criança consuma uma variedade maior de nutrientes.

Nos primeiros meses da introdução alimentar, a criança deve comer a quantidade que tiver vontade, sem se sentir pressionada a “limpar o prato”.

No início, a introdução alimentar pode ser feita apenas em uma das refeições, como no almoço ou no jantar, e ir aumentando de frequência à medida que o bebê for se acostumando aos alimentos. De qualquer forma, é indicado que os pais criem uma rotina para que a criança vá se familiarizando com a alimentação.

Além de horários para as refeições, a rotina alimentar também deve incluir uma atmosfera calma e tranquila, de preferência sem distrações como TV ou celular.

De modo geral, a recomendação é que os pais tentem controlar a ansiedade e não criar tantas expectativas, sempre respeitando o tempo de cada criança.

Em caso de dificuldades, o indicado é contar com o auxílio do pediatra de confiança, que pode inclusive recomendar um nutricionista infantil para acompanhar a introdução alimentar se necessário.

Para marcar uma consulta com o Dr. Jorge Huberman, ligue para (11) 2384-9701.

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