Dr. Jorge Huberman

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Entenda o que é idade relativa e como pode afetar as crianças

Idade relativa: o que é e como pode afetar as crianças?

Você já parou para pensar que crianças nascidas no mesmo ano, mas em meses diferentes, podem ter muitas diferenças em seu desenvolvimento? Não? Pois é! Isso é chamado de idade relativa e têm inúmeros efeitos em diferentes áreas. E é justamente esse tema que iremos abordar; idade relativa: o que é e como pode afetar as crianças?

Em primeiro lugar, só para citar exemplo: uma criança nascida em janeiro, e outra em dezembro, do mesmo ano, tem quase um ano de diferença! Logo, a criança que nasceu primeiro, muito provavelmente vai falar, andar e se desenvolver fisicamente (ficar mais alta ou mais forte) antes que a outra.

No mundo esportivo, principalmente no futebol, essa questão é muito debatida, especialmente nas categorias de base (como juvenil e júnior). Segundo estudos, há mais atletas de alto rendimento nascidos no começo do ano do que os nascidos nos últimos meses do ano.

Por outro lado, essas discussões também estão presentes no âmbito estudantil e escolar. Afinal, uma criança que completa 6 anos em fevereiro, e uma que só faz aniversário em novembro, poderiam estar na mesma sala sendo alfabetizadas? As duas estão preparadas para isso? Ou há muitas diferenças entre elas?

Pensando nisso, vamos explicar melhor; idade relativa: o que é e como pode afetar as crianças?

Porém, é importante ter em mente que o desenvolvimento de cada criança é único e individual, e os fatores genéticos influenciam. Um acompanhamento pediátrico é sempre indispensável para entender o desenvolvimento do seu filho.

O que é essa tal de idade relativa?

Chamamos de idade relativa a diferença de idade entre pessoas em um mesmo grupo etário, que estão na mesma categoria prática de algo, por exemplo, em um time de basquete, vôlei ou futebol ou, então, na mesma série escolar. A consequência disso é chamada de “Efeito da Idade Relativa”.

O psicólogo Roger Basmsley levantou a primeira hipótese sobre esse fenômeno, ao assistir um jogo de hóquei e perceber que a maioria dos atletas das equipes tinham nascido nos meses de janeiro, fevereiro e março.

Intrigado, ao chegar em casa, começou a pesquisar sobre diferentes atletas de hóquei e notou o mesmo fato: a grande maioria nasceu no início do ano. Esse efeito se repete até hoje, em diferentes categorias esportivas. Entenda agora, o motivo!

Efeito da idade relativa nos esportes

Os efeitos da idade relativa são ainda maiores no esporte
Os efeitos da idade relativa são ainda maiores no esporte (Foto: Pixabay)

Em um período entre a infância e a adolescência, as crianças que nasceram nos primeiros meses terão vantagens físicas sobre as que nasceram no final do ano.

Por exemplo, uma criança com 11 anos de idade, completados em janeiro, terá se desenvolvido mais física e cognitivamente do que a criança que completou 11 anos apenas em dezembro. Isso porque, provavelmente, ela estará mais alta e forte.

Dessa forma, os jogadores selecionados acabam sendo aqueles que nasceram primeiro, por estarem mais aptos fisicamente.

Especialmente em esportes de invasão”. onde existe certa luta por espaço, vantagens físicas como força e velocidade, são de alta influência na performance dos jogadores.

Já em relação às vantagens cognitivas, a criança nascida no início do ano poderá ter um melhor entendimento do jogo, nas habilidades, estratégias e até mesmo na autoestima. Assim, podemos entender que há uma vantagem não só física, como também comportamental.

No futebol, especificamente, o efeito da idade relativa acaba sendo ainda mais evidente nas posições de goleiros e defensores, pois a altura é um critério importante.

Além disso, esse fenômeno é percebido em diferentes lugares do mundo. Um estudo com jogadores das categorias de base da Premier League (Campeonato Inglês de Futebol) mostrou que 75% deles tinham nascido nos seis primeiros meses das suas respectivas categorias.

Vale pontuar que o problema não está na data de nascimento, mas sim nas datas de corte das competições, o que acaba prejudicando crianças nascidas nos últimos meses do calendário.

A seleção é injusta, pois acabam sendo escolhidos jogadores que são mais fortes ou altos naquele momento, e que não necessariamente serão assim na fase adulta. Com isso, atletas com grande potencial acabam ficando de fora e perdendo grandes oportunidades.

Como funciona a idade relativa na escola?

Como foi dito anteriormente, essa questão também é discutida no âmbito escolar, principalmente quando uma criança vai ser matriculada no ensino fundamental ou educação infantil. Nesse contexto, existe a idade de corte ou corte etário.

O debate sobre o corte etário começou, principalmente, a partir de 2006, quando existiram mudanças, e o Ensino Fundamental passou a ter 9 anos. Dessa forma, a idade para ingressar na escola passou a ser seis anos.

As medidas foram criadas em conjunto, para padronizar o acesso à alfabetização em uma data certa, garantindo que as crianças tenham as oportunidades na mesma idade.

Sendo assim, o MEC estabeleceu que a idade de corte é 31 de março. Ou seja, crianças que completam 4 anos até 31 de março estão aptas para serem matriculadas na Educação Infantil; e crianças com 6 anos completos até 31 de março, podem ingressar no Ensino Fundamental.

Dessa forma, crianças que completassem 6 anos em janeiro de 2021, poderiam começar o curso fundamental, porém, se uma criança fizesse aniversário apenas em outubro, teria que esperar o ano seguinte para se matricular.

Porém, assim como o efeito da idade relativa no esporte apresenta algumas “injustiças”, nesse caso, não é diferente.

Por exemplo, uma criança nascida no dia 1º de abril não poderia ingressar no Ensino Fundamental, sendo que há apenas 1 dia de diferença da idade de corte. Em casos em que as crianças nasceram pouco tempo após dia 31 de março, a regra pode ser flexibilizada.

No entanto, crianças com mais de 6 meses de diferença, podem ter grandes mudanças no desenvolvimento escolar.

Modos de se evitar o efeito da idade relativa
A idade relativa também pode afetar o ambiente escolar
A idade relativa também pode afetar o ambiente escolar (Foto: Pixabay)

No esporte, uma boa opção para que crianças nascidas no final do ano não sejam injustiçadas, é, por exemplo, em uma peneira de futebol para categoria de base, onde todos os candidatos devem ter a data de nascimento em mãos.

Dessa forma, analisando a diferença de meses entre os atletas, já se poderá ter uma noção das variáveis no desenvolvimento físico e cognitivo de cada um.

Assim, um jogador que nasceu em dezembro, não será prejudicado, pois não vão compará-lo com um nascido em janeiro do mesmo ano. Esse último, provavelmente, estará mais alto e mais forte que ele nascido no final do ano.

Vale lembrar que o desenvolvimento de cada criança é único, e regras assim muitas vezes podem ser injustas e excluir alguns grupos.

Crianças nascidas no segundo semestre podem ficar tão altas e fortes quanto as nascidas no primeiro, pois isso depende de outros fatores, como a genética, por exemplo.

Da mesma maneira que o desenvolvimento cognitivo também é algo individual, e no âmbito escolar, caso seu filho tenha nascido após o corte etário, é possível recorrer para que ele

seja matriculado no Ensino Fundamental.

Nesse caso, é direito da criança que seu desenvolvimento individual seja levado em consideração, e uma avaliação pode ser feita por psicopedagogos.

Afinal, é essencial que a criança esteja em um ambiente adequado e estimulante para o nível de habilidades daquele aluno. Sendo assim, não faz sentido que ele fique um ano “atrasado” pelo fato de ter nascido após 31 de março.

De acordo com o pediatra Jorge Huberman, a importância da estimulação desde o início da vida é fundamental para o desenvolvimento físico, psíquico e mental. “Os pais e cuidadores devem ser estar atentos a isso, assim como precisam estimular a criança desde cedo”.

O pediatra Jorge Huberman ao lado do paciente Danny: a criança deve evitar ingerir muitos líquidos para evitar o xixi noturno
O pediatra Jorge Huberman ao lado do paciente Danny: efeitos da idade relativa têm como serem evitados
Meu filho nasceu no segundo semestre, e agora?

Calma! Não se desespere. O efeito da idade relativa é percebido principalmente nos esportes, mas, como foi dito anteriormente, há maneiras de ser evitado.

Realizando um acompanhamento regular com um pediatra, é possível saber se o seu filho está no desenvolvimento esperado e adequado para determinada idade.

O crescimento, tanto físico quanto intelectual, de uma criança é único e não deve ser comparado. É aquela frase clássica: cada um tem o seu tempo!

Para marcar uma consulta com o pediatra e neonatologista Dr. Jorge Huberman, ligue para (11) 2384-9701.