Dr. Jorge Huberman

Como a endometriose pode afetar a gravidez?

Como a endometriose pode afetar a gravidez é um dos principais questionamentos entre as mulheres, especialmente àquelas que sonham em ser mãe. Além disso, dúvidas sobre tratamentos e como a infecção é desenvolvida, também são preocupações comuns. Portanto, é preciso saber o que fazer em casos de diagnóstico da doença.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada dez mulheres sofrem com a endometriose na idade reprodutiva, resultando em um total de 7 milhões, somente no Brasil. A doença começa a se desenvolver quando o tecido da camada interna do útero cresce na parte externa do órgão. Esse tecido é chamado de endométrio.

O mesmo é responsável por revestir a cavidade uterina e mensalmente, sob influência hormonal, se torna mais espesso, se descamando na menstruação quando não acontece a gravidez.

Quando acontece a gravidez o endométrio não se descama, e é responsável pela nidação ( fixação) do embrião à parede uterina. No entanto, em alguns casos, o endométrio cresce na cavidade do abdômen, gerando inflamação.

Além disso, a mulher também pode desenvolver a endometriose intestinal, que é quando este mesmo tecido que envolve o útero atinge as paredes do intestino, ocasionando dificuldades no funcionamento do órgão.

A endometriose costuma atingir mulheres acima de 20 anos de idade. No entanto, existem casos em que ela pode ser desenvolvida antes mesmo da paciente ter o seu primeiro ciclo menstrual.

Também existe a endometriose profunda, quando o tecido endometrial se fixa em outros órgãos com uma profundidade maior do que 5 milímetros. Ele pode dificultar o funcionamento dessas regiões, causando danos ainda maiores nos ovários, trompas, bexiga e reto. 

Segundo o ginecologista Dr. Rubens Paulo Gonçalves Filho, especialista no tratamento da endometriose, aproximadamente 50% das mulheres portadoras dessa condição desenvolvem infertilidade. “O diagnóstico precoce é muito importante, principalmente na adolescência, para que medidas preventivas possam ser tomadas”, explica o médico.

Ginecologista Dr. Rubens Paulo Gonçalves Filho, especialista no tratamento da endometriose fala sobre a doença
Ginecologista Dr. Rubens Paulo Gonçalves Filho, especialista no tratamento da endometriose, fala sobre a doença (Foto: Arquivo pessoal)

Quais são as causas e os riscos da doença?

Em primeiro lugar, é válido ressaltar que a endometriose não é transmissível e nem mesmo resultado de algo que a mulher tenha feito. As causas dela não são totalmente conhecidas pela medicina, no entanto existem diversas suspeitas de como ela pode ser desenvolvida.

Uma delas é o fator genético. Diversos estudos mostram que mulheres que possuem a doença costumam encontrar pessoas da mesma família que também receberam o diagnóstico.

Outra teoria é a menstruação retrógrada, ou seja, quando o sangue que deveria ser expelido pelo útero durante o período menstrual, não é eliminado da maneira correta. Isso pode direcioná-lo aos outros órgãos da região pélvica.

Além disso, fatores ambientais também podem ser um dos motivos que levam ao aparecimento da endometriose.

Alguns alimentos podem alterar o sistema imunológico do paciente, fazendo com que o corpo não reconheça estes tecidos endometriais. No entanto, é importante ressaltar que pesquisas ainda estão sendo feitas para comprovar essas afirmações.

Uma dúvida frequente entre as mulheres é se a doença traz algum risco à vida. A resposta é: muito improvável. No entanto, se o tratamento não for realizado, poderão surgir outros problemas que, esses sim, poderão levar a essa condição.

Quanto mais próximas as mulheres estiverem à menopausa, maior a chance de diminuir os sintomas da endometriose
Quanto mais próximas as mulheres estiverem à menopausa, maior a chance de diminuir os sintomas da endometriose (Foto: Freepik)

Afinal, a endometriose pode levar à obstrução intestinal e uma infecção generalizada na região, impedindo que alimentos, líquidos, gases e a digestão funcionem da maneira correta no órgão.

A doença também é capaz de causar a obstrução urinária, podendo levar a infecção no local, dilatação dos rins e gerando a disfunção do órgão. Esse processo também poderá levar à uma sepse, conhecida como infecção na corrente sanguínea.

Quais são os riscos da endometriose na gravidez?

Essa é uma das principais dúvidas entre as mulheres, especialmente àquelas que sonham em ter filhos. Um dos riscos da endometriose no processo de engravidar é o aparecimento de inflamações no útero, que pode dificultar a implantação do embrião na região.

Além disso, a doença pode levar à obstrução nas trompas uterinas e prejudicar no processo de ovulação. Esses fatores geram maior dificuldade para engravidar e algumas mulheres podem até se tornar inférteis em razão disso.

De acordo com o hospital Sírio Libanês, cerca de 15% a 45% das mulheres que possuem a doença têm  dificuldades para engravidar. Mas isso não significa que todas as pacientes são inférteis. Ainda assim, existe a possibilidade de mulheres com endometriose terem filhos – seja de maneira natural ou por meio de inseminação artificial.

Mulheres gestantes que foram diagnosticadas com endometriose antes da gravidez e tinham dores, devem ficar atentas pois elas podem se intensificar na gestação! Endometriose também aumenta o risco de abortamentos. Caso note dores ou outras situações além do normal, um ginecologista deve ser consultado. E depois que o bebê nascer, consulte um pediatra.

O pediatra e neonatalogista, Dr.Jorge Huberman, em seu consultório, no Instituto Saúde Plena fala sobre  endometriose
O pediatra e neonatalogista, Dr.Jorge Huberman, em seu consultório, no Instituto Saúde Plena. (Foto: Kesher Conteúdo/Divulgação)

Algumas pacientes ainda acreditam que a gravidez pode curar a infecção, mas isso não é verdade.

Também é importante lembrar que as dores podem voltar após o período gestacional. No entanto, também podem ser amenizadas enquanto a mãe está amamentando o bebê. Pois esse processo inibe a liberação de estrogênio pelos ovários, diminuindo, então, os desconfortos na região pélvica.

É preciso se atentar aos sinais da endometriose antes mesmo da tentativa de engravidar. Dores agudas na região uterina, especialmente durante o período menstrual, é uma das mais comuns entre as pacientes.

Além disso, dores durante as relações sexuais e presença de sangue na região do intestino e na urina, também podem ser sinais em que a infecção está presente e que precisa de cuidados.

Tratamentos da endometriose

Quanto mais próximas as mulheres estiverem à menopausa, maior a chance de diminuir os sintomas da endometriose. Isso ocorre, por conta da queda da produção dos hormônios femininos durante este período.

Em razão disso, é válido afirmar que o tratamento da doença envolve a interrupção do ciclo menstrual. Esse procedimento é realizado através das pílulas anticoncepcionais sem pausas para menstruar ou a implantação do DIU. Além disso, hormônios injetáveis ou progestagênios isolados também poderão ser utilizados.

Entretanto, esses tratamentos são realizados apenas para diminuir os sintomas da infecção. Afinal, a endometriose não tem cura e é uma condição que dura por toda a vida da mulher. Além disso, os procedimentos hormonais não alteram as lesões ocasionadas no corpo, apenas as dores.

Já em casos da endometriose profunda, com acomentimento intestinal, dos ureteres ou do diafragma, é necessário a realização da laparoscopia, cirurgia minimamente invasiva indicada para remoção completa das lesões causadas pela doença. Doença mais branda pode ser tratada com remédios.

Em casos de gestantes, a cirurgia só deve ser indicada se houver risco de vida da mãe ou do bebê. No entanto, médicos afirmam que, ainda assim, é necessário esperar até o nascimento da criança.

O anticoncepcional pode amenizar os sintomas causados pela endometriose
O anticoncepcional pode amenizar os sintomas causados pela endometriose (Foto: Freepik)

Além dessas opções, também existem outras maneiras para conseguir conviver com a endometriose no dia-a-dia. Para isso, é necessário realizar atividades físicas leves constantemente. Afinal, elas podem diminuir os níveis do principal hormônio que controla o ciclo menstrual, o estrogênio. E, através disso, as dores são amenizadas.

Aplicar compressas quentes na região das dores também podem ser uma solução para diminuir o desconforto, especialmente nos períodos menstruais. Ingerir alimentos ricos em ômega-3 também são excelentes opções para reduzir a inflamação. Ela costuma ser encontrada em sardinhas, salmão, castanhas, amendoim e sementes de linhaça.

Para marcar uma consulta com o pediatra e neonatologista Dr. Jorge Huberman, ligue para (11) 2384-9701

Para marcar consulta com o ginecologista especialista em endometriose Dr. Rubens Paulo Gonçalves Filho, ligue para (11) 2151-1818

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