Dr. Jorge Huberman

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Desafios da saúde para a próxima década

Segundo a OMS, Organização Mundial da Saúde, são diversos os desafios da saúde para a próxima década que precisam ser enfrentados.

No começo de 2020, a entidade enumerou os desafios globais para a saúde que são mais urgentes.

Essa lista reflete profunda preocupação de que os comandantes mundiais não estão investindo grandes recursos nos sistemas de saúde.

Sem dúvida alguma, isso coloca vidas em risco. Claro que nenhuma dessas questões são fáceis de resolver. Contudo, são alcançáveis.   

Há que se perceber que a saúde é um investimento no e para o futuro.

Diversas nações no mundo hoje investem bilhões de dólares em proteção da população a ataques terroristas, mas não contra ataques de vírus, que podem ser bem mais letais e causar mais estragos econômicos e sociais na população.

Uma pandemia é sim capaz de derrubar economias e nações. É por esse motivo que a saúde não pode ser só um problema do Ministério da Saúde de cada país. 

Todos os desafios da lista da OMS exigem uma reação de mais de um setor, não somente da saúde. Encaramos ameaças compartilhadas e temos a obrigação conjunta de agir.

O alto custo de não fazer nada é aquele que não podemos pagar. Governos e agências internacionais tem que trabalhar em conjunto para alcançar estes objetivos.

A crise climática é uma crise de saúde. Calcula-se que a poluição do ar mata mais de 7 milhões de pessoas anualmente.

Ao mesmo tempo que estas mudanças causam eventos climáticos mais extremos, intensificam a desnutrição e ampliam o contágio de doenças infecciosas como, por exemplo, a malária.

As mesmas emissões que ocasionam o aquecimento global são responsáveis por cerca de 25% das mortes por ataque cardíaco, acidente vascular encefálico, câncer no pulmão, entre outras enfermidades.

Líderes dos setores público e privado têm que agir juntos

Comandantes dos setores público e privado têm que agir juntos para melhorar o nosso ar e deter os impactos das mudanças climáticas. Também deve se levar saúde para as áreas de conflitos e crises. 

No ano passado, boa parcela dos surtos de doenças que demandavam grande nível de resposta, a qual a OMS foi responsável, deu-se em países com conflitos prolongados. 

Da mesma forma, observamos a continuidade de uma tendência preocupante, na qual os profissionais da saúde são direcionados.

A Organização Mundial de Saúde registrou quase 1000 ataques a postos de saúde em 11 nações em 2019. O saldo foi trágico: 193 mortos.

Ao mesmo tempo, lutas entre os países estão forçando cada vez mais pessoas a saírem de suas casas.

Desse modo, milhões de pessoas acabam tendo pouco acesso a cuidados básicos (e necessários) de saúde por muito tempo.  

Não há somente uma diferença de 18 anos na expectativa de vida entre os habitantes de países ricos e países pobres, mas também existem diferenças significativas dentro de próprios países e cidades. E o Brasil, infelizmente, é um exemplo disso.

Ao mesmo tempo, o prolongamento global de doenças não transmissíveis, como câncer, doença respiratória crônica e diabetes cresce de forma desproporcional em países de baixa renda, o que pode acabar esgotando, de forma rápida, os recursos das famílias mais pobres.  

Ao menos um terço da população do mundo não possui acesso a remédios, vacinas, diagnósticos e outros produtos de saúde considerados fundamentais.

A inexistência de acesso a produtos de saúde ameaça a vida, o que pode colocar pacientes em situação de risco e aumentar a resistência à medicação.

Os remédios compõem a segunda maior despesa dos sistemas de saúde e é o maior fator da despesa privada em saúde dos países de baixa renda.  

Doenças infecciosas matarão cerca de 4 milhões: esse é um dos desafios da saúde para a próxima década

Doenças infecciosas como HIV, tuberculose, hepatites virais, malária, entre outras, irão matar cerca de 4 milhões de pessoas em 2020, índice ainda maior entre as nações com menos recursos.

De outra forma, doenças com vacinas preventivas continuam sendo letais, como o sarampo, que foi o responsável pela morte de 140 mil pessoas no ano passado, a maioria, crianças.

São diversos os desafios da saúde para a próxima década que precisam ser enfrentados. 
No começo de 2020, a OMS enumerou os desafios globais para a saúde que são mais urgentes.
Medicina e tecnologia: os dois têm que andar lado a lado para que se consiga enfrentar os desafios na próxima década

Há muito tempo, os países investem mais recursos financeiros com a resposta a surtos de doenças, desastres naturais e outras emergências médicas do que com a prevenção delas.

Falta de comida, alimentos contaminados e dietas não saudáveis são motivadores de quase um terço da carga global das doenças atuais.

A fome continua assolando milhões de pessoas ao redor do mundo.

Do mesmo modo, à medida que as pessoas consomem alimentos com grande teor de açúcar, gordura saturada, gordura trans e sal, a obesidade e doenças relacionadas à dieta são um risco global.

Em paralelo, o consumo do tabaco está sendo reduzido em alguns países, mas está crescendo em outros, e existem várias evidências dos riscos à saúde dos cigarros eletrônicos.  

Serão necessários para o mundo cerca de 18 milhões de profissionais da saúde a mais do que os que existem hoje até 2030.

Isso, principalmente, em países de baixa e média renda, incluindo 9 milhões de enfermeiros e parteiras.  

É preciso manter os adolescentes seguros

As principais causas da morte de milhões de adolescentes ao redor do mundo são acidentes de trânsito, HIV, suicídio, infecções respiratórias e violência.

Outros fatores: uso excessivo de álcool e drogas; falta de atividade física, sexo desprotegido e exposição precoce a maus tratos infantis podem potencializar a causa dessas mortes.    

A confiança ajuda a determinar se os pacientes utilizarão os serviços de saúde e seguirão o conselho de um profissional de saúde – se tomarão vacinas, medicamentos ou usarão preservativos.

A saúde pública é comprometida pela disseminação descontrolada de informações falsas nas mídias sociais, bem como por quebra de confiança nas instituições públicas.

O movimento anti-vacina tem sido um fator significativo no aumento de mortes em doenças evitáveis.  

Novas tecnologias estão revolucionando nossa habilidade de prevenir, diagnosticar e tratar diversas doenças.

A edição do genoma, biologia sintética e tecnologias digitais de saúde, como inteligência artificial podem solucionar muitos problemas, mas também levantam novas questões e desafios para monitoramento e regulamentação.

Sem um entendimento mais profundo das implicações éticas e sociais, estas novas tecnologias – que incluem a capacidade de criar novos organismos – podem prejudicar as pessoas as quais pretendem ajudar.