Dr. Jorge Huberman

É bom dar a chupeta para o bebê?

Um bebê chega em casa e, de repente, tudo muda! Apesar de trazer muito amor e alegria para toda a família, é claro que desafios cercam a nova rotina. Não tem nada melhor do que vê-lo calmo e tranquilo, mas sempre os pais caem na mesma dúvida: é bom dar a chupeta para o bebê?! Será que meu filho pode usar chupeta?

Essa questão é um tanto quanto polêmica, já que o uso da chupeta pode trazer consequências negativas  para o nenê. Porém, cabe aos pais decidirem o que fazer. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), é preciso pesar os prós e contras antes de escolher essa opção.

Em inglês a chupeta é chamada de “pacifier”. Ou seja, pacificador, calmante, relaxante e essa realmente é sua função se usada sem exageros. O pediatra e neonatologista Jorge Huberman, explica que as chupetas possuem uma longa história. “Escavações na Itália, Chipre e Grécia sugerem que as chupetas têm pelo menos 3000 anos de idade. Entretanto, elas apareceram pela primeira vez na literatura médica, na Alemanha, em 1473, quando foram descritas por Bartholomäus Metlinger”.

O pediatra e neonatalogista, Dr.Jorge Huberman, em seu consultório, no Instituto Saúde Plena fala sobre dar a chupeta ao bebê
O pediatra e neonatalogista, Dr.Jorge Huberman, em seu consultório, no Instituto Saúde Plena fala sobre dar a chupeta ao bebê (Foto: Kesher Conteúdo/Divulgação)

O uso da chupeta ocorre por ser uma boa alternativa para fazer a criança parar de chorar. Quando a fralda já foi trocada, seu filho não está com fome e você simplesmente não enxerga nenhum motivo aparente para tanto choro. Sendo assim, o acessório pode ser um bom aliado para tranquilizá-lo.

Contudo, o uso frequente da chupeta em bebês pode trazer consequências negativas para o pleno desenvolvimento da criança. Vale a pena conversar com o pediatra e explorar todas as alternativas, possibilidades e concessões.

Mas, afinal, porque os bebês se acalmam quando chupam a chupeta?

Os pequenos têm por instinto a necessidade de sugar. Esse reflexo garante à criança um bom desenvolvimento e crescimento, já que é por meio desse movimento que ela se alimenta. Por isso, a amamentação é tão importante!

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que as mães amamentem seus bebês até os dois anos de idade. O leite materno é completo e garante toda a nutrição que um filho precisa nessa fase da vida.

Antes das chupetas, os pais usavam objetos como colheres de prata e panos umedecidos para tentar acalmar os pequenos e fazê-los parar de chorar. Tais objetos funcionam, pois a sucção incentiva o cérebro a liberar endorfina, hormônio que gera sensação de prazer, capaz de reduzir estresse e ansiedade.

No entanto, mesmo que você opte por dar a chupeta ao bebê, ela não pode ser usada sempre que o seu filho começar a chorar. Isso porque o choro é uma forma de comunicação com os pais e pode ter significados relevante e que merecem atenção.

Pontos negativos de dar a chupeta ao bebê

Existem algumas questões que devem ser levadas em consideração quando o assunto é dar ou não a chupeta ao bebê. A primeira coisa a se pensar é que o acessório não pode ser usado como um “escape” em todo o momento que o seu filho chorar.

A chupeta não pode ser usada toda vez que o bebê começa a chorar. É por meio do choro que o seu filho se comunica
A chupeta não pode ser usada toda vez que o bebê começa a chorar. É por meio do choro que o seu filho se comunica (Foto: Freepik)

Como já foi dito, se dar a chupeta se torna um hábito, é provável que se crie um ruído na comunicação entre pais e filhos. O choro é a única forma que o bebê tem de te dizer que está com fome, frio, ou que algo não está bem, e bloquear essa comunicação pode ser muito prejudicial.

A longo prazo, o uso constante de chupetas pode desencadear uma série de problemas ortodônticos, como alterações das cavidades orais e de dentição, como o desalinhamento dos dentes, e também levar a problemas na mastigação.

A dor de ouvido também pode ser mais comum, porque a sucção da chupeta faz com que o músculo responsável pelo funcionamento da tuba auditiva seja estimulado de forma inadequada, favorecendo o acúmulo de secreção nos ouvidos e, consequentemente, a dor.

A falta de atividade dos músculos utilizados para mamar no peito pode levar a problemas na mastigação e também na fala. Nessa fase, na qual a criança está desenvolvendo a capacidade de comunicação verbal, é bom deixar o caminho livre para ela se expressar. 

Um estudo publicado em 2009 pelo periódico científico BMC Pediatrics aponta que a chupeta atrapalha a imitação dos sons e pode provocar trocas articulatórias na linguagem. Tal defasagem na fala pode causar inúmeras dificuldades de socialização no futuro.

Se usada, a chupeta deve ser higienizada diariamente, pois esse objeto é considerado um reservatório de infecções e pode afetar seriamente o sistema imunológico do nenê. Geralmente, a fervura é o método mais recomendado. 

Chupeta pode prejudicar a amamentação?

De acordo com a SBP, crianças que usam chupeta mamam por menos tempo. Isso tende a acontecer porque a sucção do peito é diferente da sucção da chupeta: para mamar no peito, o bebê usa músculos diferentes daqueles necessários para sugar o acessório e isso pode deixá-lo confuso.

Quando essa confusão acontece, a criança pode sentir dificuldade de sugar o leite, e com isso vai deixando de mamar, o que prejudica gravemente o seu desenvolvimento, já que a falta de alimentação implica na perda de peso.

Sendo assim, recomenda-se esperar que a amamentação da criança no peito esteja bem estabelecida, o que dura em média de 30 a 40 dias após o nascimento, para dar a chupeta ao bebê.

Uso prolongado causa vício

Uma pesquisa feita pelo historical cohort apontou que o uso prolongado de chupeta na infância – cerca de 2 anos – pode favorecer o início de outros hábitos orais, como fumar cigarro na adolescência ou comer excessivamente.

Consulte o pediatra sobre o uso da chupeta e esclareça suas principais dúvidas
Consulte o pediatra sobre o uso da chupeta e esclareça suas principais dúvidas (Foto: Freepik)

O que embasa essa teoria é o fato de que tanto a chupeta como o cigarro, por exemplo, exercem a mesma função: ambos são mecanismos externos utilizados, em geral, com o objetivo de acalmar.

Afinal, qual é o ideal?

A Associação Brasileira de Odontopediatria (ABO) e o Ministério da Saúde recomendam remover o acessório gradualmente até os 2 anos, caso os pais decidam usá-lo..

Se o bebê utiliza a chupeta apenas para se acalmar ou para dormir, sem criar uma dependência com o objeto, as consequências negativas são bem menores. De qualquer forma, é importante ponderar as possibilidades e sempre considerar a opinião do pediatra.

Caso surjam dúvidas relacionadas à saúde e desenvolvimento de bebês e crianças, o pediatra é o seu principal aliado!

Para marcar uma consulta com o pediatra e neonatologista Dr. Jorge Huberman, ligue para (11) 2384-9701

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