Dr. Jorge Huberman

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Cuidados com o prematuro

Os cuidados com o prematuro: fique por dentro!

Os cuidados com o bebê prematuro começam muito antes dele ter alta do hospital e voltar para a casa.

Em primeiro lugar, é bom que se explique este conceito.

O chamado recém-nascido prematuro tardio é definido pelos nenês com idade gestacional de 34 a 36 semanas e 6 dias.

O critério para a criança ter alta, sair do hospital e poder ficar em casa não é definido somente por seu peso. Ela só vai ter alta hospitalar se estiver sugando e mamando bem; se a respiração estiver regular e, também, se conseguir manter estabilizada a própria temperatura.

Isso, na média, acontece quando o bebê nascido de forma prematura atinge cerca de 2 quilos.

Em segundo lugar, os pais devem seguir as recomendações da equipe de saúde que esteve com o bebê em seus primeiros meses de vida, em sua internação na maternidade, porque cada nenê pode precisar de cuidados específicos.

Essa equipe inclui, claro, o seu neonatologista. Contudo, isso não quer dizer que seja necessário construir em sua casa uma UTI neonatal. Pelo contrário!

Cabe reforçar que, se a criança teve alta hospitalar, quer dizer que sua saúde está ok!

É claro que uma criança que nasça prematura sempre vai inspirar cuidados. Atualmente esse grupo de bebês que chegam “antes da hora” têm recebido bastante atenção dos especialistas e estudiosos.

SPSP realiza campanha sobre os prematuros

Sempre no mês de março, a Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), realiza campanhas sobre os cuidados com os bebês prematuros.

Segundo levantamento, algumas das maiores complicações de saúde entre os prematuros tardios são hipoglicemia, dificuldade de alimentação, instabilidade de temperatura, distúrbios respiratórios, icterícia, entre outros.

De acordo com estudo realizado pelo Hospital Universitário de Canoas, no sul do Brasil, foi pesquisado um grupo de bebês durante 12 meses, em 3.343 nascimentos.

Deste total, 6% eram prematuros tardios. Mais de 50% ficaram no apartamento do hospital, junto com suas mães. A outra metade teve que realizar internação em uma UTI neonatal.

Nos prematuros tardios, 62,5% conseguiram ser amamentados exclusivamente no seio.

Estes bebês nascidos prematuros podem apresentar maior perda de peso durante a internação, dificuldades de mamar, hipoglicemia e icterícia, e este levantamento é bem similar ao descrito em outros estudos.

Do mesmo modo, nenês recém-nascidos com prematuridade tardia possuem mortalidade neonatal maior em comparação com bebês a termo. 

O número de nascimentos pré-termos, ou seja, antes das 37 semanas gestacionais, é estimado em 11,5% dos cerca de 3 milhões de nascimentos anuais no Brasil.

Prematuro extremo

O prematuro extremo é definido assim quanto tem menos de 1 quilo e idade gestacional menor que 28 semanas

O prematuro conhecido como extremo é assim estabelecido quanto tem peso inferior a 1 quilo e idade gestacional menor que 28 semanas. Ou seja, inferior a 7 meses.

Esses bebês têm imaturidade em todos os sistemas. Por isso, normalmente precisam de suporte respiratório. Trata-se do grupo de crianças com maior mortalidade e com, infelizmente, maiores sequelas nos sobreviventes.

Também são nenês que necessitam ficar no hospital internados por um longo tempo: ao menos dois meses após o seu nascimento.

O termo prematuro de muito baixo peso faz referência a todos os bebês que nascem com menos de 1,5 quilo. Esse grupo também merece muita atenção: é onde está concentrada a maior morbidade e mortalidade. Representa cerca de 1,5% dos nascimentos.

São bebês que nascem antes de completarem 32 semanas. Os prematuros entre 32 e até 33 semanas e 6 dias não fazem parte de nenhuma classificação da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Este nível de idade gestacional pode ser compreendida como prematuro moderado, com menos mortalidade.

Já o outro grupo, o prematuro tardio, tem peso maior, assim como são também sua estabilidade térmica e suas reservas nutricionais. Isso quando comparados a prematuros menores, precisando assim de menos cuidados.

Contudo, vale ressaltar que prematuros tardios carecem de maiores cuidados que recém-nascidos a termo, tendo 50% de chance deste bebê precisar ficar em uma UTI neonatal.

Um prematuro tardio pesando dois quilos vai perder peso, chegando muitas vezes a perder 10% desse total. Terá alguma dificuldade para mamar, manter temperatura e mais risco de desenvolver enfermidades como hipoglicemia e icterícia.

Sendo assim, terá que permanecer um período maior internado.

Relação com a cesária eletiva

O cálculo para saber a idade gestacional é vinculado com a data da última menstruação ou ecografia fetal precoce, entre 7 e 12 semanas de gestação.

Dependendo da avaliação, poderá haver uma diferença de até duas semanas no cálculo da idade gestacional.

Apesar do avanço da medicina e da tecnologia, a prematuridade ao redor do universo não tem mostrado redução. Entre os motivos da prematuridade onde se pode interferir dá para citar um exame pré-natal correto, com um bom acompanhamento médico.

Assim como também, a importância do planejamento da gravidez, corrigindo problemas e infecções antes de engravidar. Nunca podemos esquecer que infecções de qualquer tipo na gestação podem aumentar o risco de trabalho de parto prematuro. 

A fertilização in vitro e a gemelaridade também são situações de risco para a prematuridade.

Cabe lembrar ainda que o bebê prematuro normalmente dorme mais do que o nascido a termo e que, por esse motivo, a interação com os pais também será menor.

O jeito é se esforçar um pouco mais ao estimular a criança. Caso ela acabe acostumando e troque o dia pela noite, evite acender a luz ou fazer algum barulho durante as suas mamadas noturnas.

A falta de consenso e a variedade de metodologias no monitoramento de recém-nascidos pré-termos (RNPT) representam um desafio para os pediatras no atendimento a bebês prematuros, já que a avaliação depende da curva selecionada entre as várias disponíveis.

O Departamento Científico de Neonatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulga o estudo científico Monitoramento do Crescimento de RN pré-Termos, que ajuda os médicos pediatrias a suprirem essa lacuna metodológica com informações relevantes sobre o crescimento de bebês prematuros.

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