Dr. Jorge Huberman

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Menino passa por teste do Covid-19: crianças possuem alta carga viral

Crianças têm alta carga viral

O debate é cada vez mais frequente: reabertura das escolas, a volta das aulas presenciais dos alunos. O medo, o temor é um só: as crianças possuem alta carga viral e podem ser mais contagiosas que os adultos.

Um estudo feito pela conceituada Escola Médica da Universidade de Harvard, nos EUA, concluiu que o potencial de alastramento do novo Coronavírus pelas crianças foi altamente subestimado nos últimos cinco meses da pandemia de Covid-19. 

Diferente do que os levantamentos anteriores mostraram, o trabalho apresentado pelos autores como o mais abrangente sobre o assunto até o momento, exibe provas sólidas de que as crianças tem alto potencial de disseminação e podem sim serem muito mais contagiosas do que os adultos, inclusive aqueles com quadro severo da doença, mesmo que ainda apresentem sintomas leves.  

O estudo é de autoria de pesquisadores do Hospital Geral de Massachusetts, que faz parte da Escola Médica de Harvard.

Os ensaios contaram com o suporte de diversas instituições americanas, como o Centro de Prevenção e Controle de Doenças do governo e o Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas. 

A pesquisa avaliou 192 pessoas, de 0 a 22 anos, que deram entrada no hospital, dos quais 49 testaram positivo para a Covid-19.

Embora no Brasil a lei estabeleça que são consideradas crianças, quem têm entre 0 a 12 anos e adolescentes, quem está na faixa entre 12 a 18 anos de idade, a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança, referendada pelo Congresso Nacional, reafirma que todo jovem até 18 anos de idade é considerado criança.   

Por questão de metodologia, os autores de Harvard incluíram pacientes com até 22 anos de idade, mas os resultados conclusivos foram colhidos entre as pessoas com 0 a 16 anos de idade.

Maioria dos jovens pacientes tinha entre 11 e 16 anos

Contudo, a maioria dos jovens que contraíram a doença tinha entre 11 e 16 anos de idade, mesmo que a doença não tenha poupado nem mesmo bebês com menos de 1 ano de idade.  

Ao menos 50% das vítimas do novo Coronavírus apresentou febre, indício que pode ser confundido com alergias e gripes, como a do vírus Influenza.

Mais da metade deles, 53%, estava frequentando a escola.

Outros 18% deram entrada no hospital com a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P), uma complicação da Covid-19 em crianças.  

Os cientistas descobriram níveis de carga viral do Sars-CoV-2 espantosamente mais altos nas vias respiratórias de crianças nas fases iniciais da doença do que nas de adultos hospitalizados em UTIs.

O alojamento do patógeno nas vias aéreas é um dos principais estimulantes de sua transmissão.   

Somente 27% das crianças que testaram positivo para a Covid-19 por meio do teste RT-PCR, que avalia a carga viral, possuíam uma comorbidade específica — a obesidade.

No entanto, nenhuma delas apresentava doenças cardíacas, pressão alta ou diabetes, enfermidades que constituem grupos de risco.  

Para os autores, a maioria dos cientistas caiu em um erro ao investigar a evolução epidemiológica da pandemia sob o ponto de vista sintomático da doença.

Até então, entendia-se que o número pequeno de receptores do Coronavírus nas crianças — a chamada proteína ACE2, pela qual a proteína spike do Sars-CoV-2 entra nas células humanas — conduziria a uma carga viral menor.

Contudo, este levantamento de Harvard rompe esta correlação e alerta que as crianças podem sim ser mais contagiosas, independentemente da suscetibilidade à Covid-19.  

Se algumas medidas de precaução não forem tomadas quando as crianças voltarem à escola, são elas, justamente, que podem ocasionar um novo ciclo de contágio do novo Coronavírus.   

Desinformação sobre alta carga viral ocorreu por falta de testes

Criança israelense dentro de um veículo passa por teste de coronavírus: Israel teve que rever seus protocolos de saúde após reabertura e aumento acentuado dos casos de Covid-19
Criança israelense dentro de um veículo passa por teste de coronavírus: Israel teve que rever seus protocolos de saúde após reabertura e aumento acentuado dos casos de Covid-19

Os autores do estudo dizem que o descompasso se deu por conta da limitação de testes no princípio da pandemia, quando somente pacientes suspeitos da Covid-19, em estado grave, eram testados.  

“Baseado nessa abordagem epidemiológica, chegamos à conclusão de que a pandemia da Covid-19 parecia se disseminar pela infecção de adultos.

A partir da realização de testes das crianças que moravam em áreas com grandes taxas de contágio, em contato com pessoas que contraíram a doença ou mesmo tiveram sintomas gripais, foi demonstrado que as crianças podem acabar se infectando tanto quanto os adultos e apresentarem alta carga viral.

A suposta alegação de que as crianças não desempenham um papel importante na transmissão da doença foi decisivo no momento de se reabrir escolas em diferentes países.

Alguns deles registraram experiências bem-sucedidas, como Alemanha e Dinamarca.

Outros, no entanto, infelizmente tiveram novos surtos após apresentarem diversas falhas nas medidas sanitárias de prevenção, como Israel, por exemplo. Os casos na 1°onda de contágio foram muito pequenas.

Diferente do que ocorre agora, quando diversos casos apareceram, principalmente após a reabertura das escolas.

As recomendações do Dr Jorge

Este estudo de Harvard, por sinal, mostra que o retorno às atividades “normais” pode acabar se tornando um hospedeiro de transmissão do Coronavírus dentro e fora dos muros da escola, afetando tanto seus funcionários, como também seus professores e, claro, a família dos estudantes.   

Os autores deste levantamento afirmam que se não forem tomadas medidas adequadas quando os alunos retornarem às aulas presenciais, as crianças poderão causar a nova onda de contágio do novo Coronavírus. Segundo eles, seu estudo mostra que o monitoramento de sintomas, incluindo a checagem de temperatura, não são confiáveis para identificar a doença em crianças.

“Temos que ter um cuidado redobrado, uma vez que as escolas estarão reiniciando suas atividades presenciais”, afirma o pediatra Jorge Huberman.

“O importante seria garantir que crianças não voltassem todas de uma vez. Pelo contrário: alternar as aulas entre presencial e virtual para garantir a segurança de todos”, finaliza o neonatologista.

O pediatra Jorge Huberman ao lado da paciente, Laura: "é importante garantir que as crianças não voltem às aulas todas de uma vez".
O pediatra Jorge Huberman ao lado da paciente, Laura: “é importante garantir que as crianças não voltem às aulas todas de uma vez”.

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