Dr. Jorge Huberman

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Crianças estudando idiomas

Crianças pequenas podem aprender novos idiomas?

Para quem está se mudando para o exterior ou está pensando em colocar seus filhos em uma escola bilíngue, sempre vem a dúvida: crianças pequenas podem aprender novos idiomas?

O que ocorre hoje em dia é que estudar outras línguas não é mais um “artigo de luxo”: é uma necessidade dos tempos atuais.

Só para citar um exemplo, o inglês faz parte da nossa rotina, diariamente, em rótulos de produtos e marcas que usamos, músicas que ouvimos ou mesmo nos simples aplicativos que baixamos em nossos celulares.

Fora o sempre concorrido mercado de trabalho, que exige cada mais dos profissionais, a cada dia.

É por este motivo que os pais pensam em colocar os filhos, o quanto antes, em escolas de idiomas.

Com certeza, aí, surge a pergunta: qual é a idade certa para que as crianças comecem a aprender outra língua além da que já conhece, ou seja, a nativa? 

Em primeiro lugar, respondendo essa pergunta, não há uma regra específica. Isto é: não existe idade certa para começar a aprender outra língua.

Contudo, é certo que, o quanto antes se iniciar o contato com outro idioma, fica mais fácil de adotá-lo naturalmente. Ou seja: a fluência será muito maior.

Sem dúvida alguma, sempre consultar o seu pediatra para saber sua opinião, é extremamente válido!

Se você pensa em colocar seus filhos em uma escola bilíngue, mas está em dúvida, oriente-se com seu pediatra. Esta é a melhor saída!

Assim que a criança nasce, ela consegue identificar os fonemas de qualquer língua. Nos primeiros meses de vida do bebê, o cérebro começa a concentrar-se nos fonemas da língua materna.

No entanto, se ele permanece sendo estimulado com a língua adicional, ele mantém essa habilidade para ambas línguas.

Sendo assim, o quanto antes a criança for exposta a uma língua adicional, maior será sua capacidade de reconhecimento e criação dos fonemas. Isto é: mais rápido e consistente será este aprendizado.

A estrutura de ensino é compatível com a idade da criança

O que muda, somente, é a estrutura de ensino, que é compatível com a idade da criança.

Em segundo lugar, a metodologia se divide desta forma.

Crianças de até 3 anos de idade não usam livros e sim jogos e atividades que irão ajudá-los não só a aprender a língua, como também no desenvolvimento de outras aptidões como, por exemplo, a coordenação motora.

Entre 4 e 6 anos de idade, eles ainda não usam material escrito, pois a maioria dos pequenos alunos não sabe escrever. O ensino é realizado por meio de livros, com atividades de colorir ou identificar objetos.

Contudo, aos 7 anos de idade, as crianças já sabem ler, escrever e falar.

Sendo assim, na aula, a professora usa todos esses recursos possíveis.

Do mesmo modo, a inclusão e a ambientação também têm que ocorrer aos poucos.

O início ideal é ensinar uma música, fazer uma pergunta curta, solicitar ao aluno que fale os nomes de animais, das cores ou conte alguns números.

Fora isso, quando tem início “precoce”, o aprendizado ocorre por meio de suposições, criando hipóteses e regras, justamente como fazemos com a língua materna.

Ele não recorre à primeira língua para significado, mas sim às circunstâncias da situação.

O bebê consegue sim aprender duas línguas junto, sem problemas.

Além das aulas, é importante que os pais reforcem em casa este segundo idioma também.

Quanto mais natural para a criança for o contato com outro idioma, melhor

Quanto mais natural para a criança for esse contato, melhor. Uma dica legal é colocar a TV em inglês, baixar vídeos e aplicativos e os pais ou familiares que sabem a língua, podem escolher uma parte do dia e brincar em inglês.

Ou, então, realizar tarefas cotidianas, como na hora do banho, para interagir com o novo idioma a ser ensinado.

“No meu caso cresci, ouvindo ídiche”, diz o pediatra Jorge Huberman.

“O ídiche apareceu por volta dos séculos 10 e 11, perto da fronteira entre França e Alemanha. O idioma foi criado para fazer segredo. Ele surgiu como um dialeto do alemão medieval a partir da necessidade dos judeus de falarem entre si sem que os cristãos os compreendessem”, conta o pediatra.

“Meus avós falavam muito ídiche entre si e conosco. Hoje entendo o ídiche e sei dar algumas respostas. Não sei escrever ou ler. Mas já me ajudou em várias situações dentro e fora do país”, esclarece o pediatra Jorge.

“Eu apoio muito a ideia da criança logo cedo aprender mais uma língua pois vai aumentar o seu desenvolvimento cognitivo”, diz o médico.

“Apoio a ideia da criança logo cedo aprender mais uma língua pois aumentará o seu desenvolvimento cognitivo”, diz o pediatra Jorge

Para as crianças, são diversas as vantagens do aprendizado de outros idiomas

Cabe ressaltar que, para as crianças, são inúmeras as vantagens do aprendizado de outros idiomas desde cedo.

Um dos maiores benefícios de aprender idiomas diferentes para os pequenos são aqueles associados ao seu desempenho cognitivo.  

O método de aprendizagem de uma um novo idioma permite que eles trabalhem suas habilidades de memória, solução de problemas e também a leitura.  

Fora isso, também fica disponível para que aumentem as suas habilidades em assuntos não necessariamente relacionados com a linguagem em si, como por exemplo, ciências e matemática.  

Além desses fatores, crianças que dominam um segundo idioma acabam potencializando a sua produtividade na escola e levam esse diferencial junto com elas ao longo da vida.  

O aprendizado de outros idiomas é cognitivo, antes mesmo de ser linguístico.

Promover a tolerância às diversidades é uma das vantagens que aprender uma língua estrangeira traz ao cérebro das crianças na sala de aula.

No processo de aprendizagem de outros idiomas, como a gramática inglesa, por exemplo, muito mais do que habilidades cognitivas estão envolvidas.  

Este estudo também é responsável por aumentar a consciência das crianças e o modo como entendem as diversidades universais. 

Conseguir pensar fora da caixinha, ou seja, construindo pontes que levam a outras origens, culturas e realidades, é muito importante para a formação de indivíduos mais tolerantes e acolhedores.  

Ao ter contato com outros idiomas, a criança, de forma natural, vai mergulhar em outras percepções de mundo. Isso dará a ela maior flexibilidade em seus relacionamentos interpessoais.

Consequentemente, isso está fortemente relacionado à habilidade de resolver conflitos. 

Outro benefício: crianças que estudam outros idiomas tem grandes possibilidades de desenvolver a sua fala na hora de discursar em público.

Isso pode ajudar a contornar problemas como timidez e inibição em público. 

Agregar outra língua ao conjunto de habilidades de uma criança facilitará para falar seu próprio idioma

Aprender novos idiomas faz as pessoas pensarem sobre as complexidades de sua língua nativa.

Agregar uma segunda língua ao conjunto de habilidades de uma criança vai facilitar para falar seu próprio idioma, simplesmente pela capacidade de estabelecer analogias e provocar diferenças em relação à sua língua mãe.  

Em consequência, ao ter novos parâmetros para perceber sua própria língua, a criança também amplia a leitura de sua própria realidade, seja ela nacional, social ou mesmo cultural.

Fora que, aprender uma nova língua, encoraja o gosto pela novidade.

Os pequenos são ótimos em imitar, reproduzir os sons que escutam, e quando se trata de repetir palavras e frases, parecem soar mais fluentes do que alguém que aprendeu um idioma em idade mais avançada.  

Por este motivo, há grandes chances de que elas cresçam para falar a língua como um nativo. Fora isso, expô-las à experiência de imersão em uma outra língua e cultura estimula nelas a curiosidade, a vontade de experimentarem e também de conhecerem o novo.  

Além disso, ao saberem idiomas diversos, elas também podem conhecer outras literaturas, o que irá estimular o gosto pela leitura e levar a fantasia para além dos limites do conhecido.