Dr. Jorge Huberman

Crianças e tecnologia: riscos e benefícios das telas na infância

O uso de tecnologias acontece cada vez mais cedo. Atualmente, crianças pequenas têm contato com celulares e tablets antes mesmo de aprenderem a andar ou falar. Embora a relação entre crianças e tecnologia tenha seus benefícios, é preciso que a família acompanhe essa interação digital para evitar prejuízos ao desenvolvimento infantil.

Por conta da rotina corrida, muitas famílias oferecem dispositivos eletrônicos às crianças como forma de distraí-las e acalmá-las, porém, essa é uma atitude inadequada.

O ideal é que as crianças só tenham contato com as telas a partir dos 2 anos de idade, e ainda assim com a supervisão dos pais e por tempo controlado, durante 1 hora por dia.

A partir dos 6 anos, o tempo em frente às telas pode aumentar para 2 horas diárias.

Dr Jorge Huberman segura um celular e tira uma selfie com sua paciente, uma menina pequena
O pediatra Jorge Huberman tira selfie com a pequena Nina: o neonatologista sugere usar as configurações de segurança do Twitter para proteger as crianças com acesso à rede social

A relação das crianças com a tecnologia pode trazer algumas vantagens caso os dispositivos sejam usados da forma correta. Uma delas é possibilitar o aprendizado de forma lúdica, através de jogos educativos, por exemplo.

Outro benefício da tecnologia é incentivar o raciocínio lógico. Como as crianças têm contato com o universo digital desde pequenas e a utilização dos dispositivos é algo natural para elas, a tecnologia também é capaz de desenvolver a autonomia e a resolução de problemas.

Por outro lado, quando as crianças são expostas à tecnologia sem o devido controle por parte da família, o desenvolvimento infantil pode ser prejudicado.

Para evitar que as crianças desenvolvam problemas emocionais e até físicos por conta do uso inadequado da tecnologia, é fundamental que a família mantenha o diálogo sobre a importância de usar as telas com moderação.

Dar o exemplo também é importante, por isso os pais precisam prestar atenção ao próprio uso que fazem do celular e do computador na frente da criança.

Incentivar atividades ao ar livre e criar mais programas em família ao longo da semana são outras estratégias possíveis para garantir que a criança vivencie mais “momentos reais”.

Sinais de atenção para o excesso de tecnologia

Permitir que as crianças tenham contato com a tecnologia por períodos maiores que os recomendados é algo capaz de torná-las dependentes dos dispositivos eletrônicos. O excesso de tecnologia na rotina pode, inclusive, acarretar alguns problemas de saúde.

O isolamento e a inabilidade sociais estão entre eles, bem como alguns atrasos no desenvolvimento cognitivo, o que pode levar a criança a enfrentar dificuldades na escola.

Na cama no escuro, uma menina mexe em seu celular
Menina usa um celular deitada na cama: o uso exagerado da tecnologia pode trazer prejuízos à saúde emocional das crianças

Do ponto de vista da saúde física, o excesso de tecnologia pode contribuir para o sobrepeso e até para a obesidade infantil.

Dependendo dos ambientes em que a criança está inserida por meio da tecnologia, como redes sociais ou jogos online, também há o risco de ela sofrer com cyberbullying.

Alguns sinais servem de alerta para que os pais identifiquem um problema relacionado ao uso exagerado da tecnologia, tais como irritabilidade, agressividade, tristeza, dificuldade de concentração, mudança de comportamento repentina e desinteresse por atividades que costumavam ser prazerosas.

Caso os pais suspeitem de algo, o pediatra da criança pode encaminhá-la a um psicólogo.

Como impor limites para o uso das tecnologias na infância

Uma das principais maneiras de evitar que a tecnologia prejudique a saúde da criança é estabelecer um tempo máximo de uso dos dispositivos eletrônicos por dia.

Além de restringir o acesso, a família também deve acompanhar o que a criança está consumindo no ambiente digital.

É indicado observar a classificação indicativa dos jogos e aplicativos utilizados e dos vídeos e desenhos assistidos, além de usar dispositivos de controle parental para não permitir que a criança tenha contato com determinados conteúdos.

“As configurações de privacidade e segurança do Twitter podem ajudar a proteger seu filho de receber conteúdo abusivo e relatar incidentes de bullying online ou conteúdo impróprio. As configurações também dão a eles controle sobre quem pode contatá-los e quais dados pessoais eles compartilham”, sugere o especialista em pediatria e neonatologia Dr. Jorge Huberman.

Caso a criança tenha acesso a redes sociais ou interaja com outras pessoas em jogos online, é importante orientá-la sobre a importância de não compartilhar dados pessoais ou fotos com desconhecidos.

A família também pode estabelecer outras regras para uma utilização saudável das tecnologias, como determinar ambientes da casa em que os dispositivos eletrônicos não são bem-vindos, como dentro do quarto da criança. Desta forma, o pequeno continuará enxergando o próprio quarto como um local de descanso.

O uso das telas deve ser evitado também durante as refeições.

Mãe está sentada com a filha pequena no sofá e confere o que a menina está vendo no celular
No sofá da sala, mãe e filha usam juntas o celular: é importante que os pais acompanhem o que as crianças consomem no ambiente digital

Toda semana ou uma vez por mês, há a opção de marcar um dia de “detox” das tecnologias, em que toda a família não usará seus dispositivos eletrônicos, algo que é benéfico inclusive para fortalecer os vínculos.

Sempre que possível os pais devem incentivar que a criança participe de atividades longe das telas, como passear no parque, visitar um museu e praticar esportes, por exemplo.

Com relação ao celular, um dos primeiros dispositivos aos quais as crianças têm acesso, o recomendável é permitir que os pequenos tenham acesso ao próprio aparelho somente a partir dos 12 anos de idade, ou antes caso a criança já se desloque sozinha para ir à escola.

Para marcar uma consulta com o Dr. Jorge Huberman, ligue para (11) 2384-9701.

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