Dr. Jorge Huberman

  >  crianças   >  Crianças e animais: relação saudável e benéfica
Animais e crianças: convivência benéfica

Crianças e animais: relação saudável e benéfica

Crianças e animais podem conviver em harmonia

Manter um pequeno bicho de estimação em casa, principalmente quando os filhos ainda são pequenos não parece ser uma tarefa muito fácil para alguns pais. O medo do tipo de relação que vai existir os animais e as crianças pode criar uma barreira na hora da definição para comprar um gato, cachorro ou qualquer outro pet.

Contudo, os especialistas dizem que a aproximação entre os pequenos e os animais é benéfica e pode ajudar no desenvolvimento social dos pequenos.

Os mesmos afirmam que as crianças que vivem com animais normalmente expressam carinho e amizade com maior facilidade e assimilam mais sobre regras de convívio, respeito e sobre a importância de cuidar bem do próximo.

Assim sendo, convivendo com um animal de estimação pode ser que as crianças respeitem mais os horários de alimentação, passeios, necessidades fisiológicas dos bichinhos, entre outros.

Deste modo, além do pet de estimação ser um companheiro para as brincadeiras das crianças, também ajudam muito no desenvolvimento delas.

Ressalta-se, contudo, que os pequenos têm de entender que mexer com animais inspira cuidados: eles adoecem, tem vontades próprias e, por isso, nem sempre vão querer brincar quando as crianças desejarem.

Além dos benefícios no crescimento infantil, possuir animais de estimação também pode resultar em melhoria para a saúde dos nossos filhos.

Presença de animais diminuem as chances de doenças

De acordo com os especialistas, a presença de um animal diminui as chances de as crianças desenvolverem resfriados, problemas de estômago e, até mesmo, dor de cabeça.

Isso se justifica porque os níveis de imunoglobulina A, anticorpo presente nas mucosas que evita a proliferação viral ou bacteriana, crescem quando há o contato com animais e também dão um reforço ao nosso sistema imunológico.

Mesmo com esses benefícios apontados, alguns pais também se ressentem com a idade e a eventual imaturidade dos filhos para lidar com um animalzinho em casa.

Contudo, não existe nenhuma fase específica, recomendada, dos nossos filhos para possuir um animal de estimação: a criança pode crescer em um lar onde já havia animais antes dele nascer e conviver em excelente harmonia com eles.

Do mesmo modo, isso pode acontecer quando eles ainda são bebês, na infância, ou mesmo na adolescência.

Uma dica para esta perfeita convivência é que os pais têm que fazer o animal entender que uma criança que chegará no lar, fará parte da rotina da casa e não irá tirar seu espaço.

É comum que os animais sintam ciúmes nesta situação. Por isso que é bom que o pet veja e conviva com este bebê que acabou de chegar.

Da mesma forma, não existe também uma raça específica de cachorro que conviva melhor ou pior com os pequenos, pois o comportamento do animal é simplesmente a cópia da criação que ele recebe do dono.

De todo modo, qualquer raça de cão pode adestrada, receber treinamento, aprender as regras da casa e conviver com as crianças.

Porém, as raças mais comuns e que costumam ser mais obedientes são: shih-tzu, maltês, yorkshire, poodle, labrador, golden retriever, Cocker, daschund e spitz.

Muitos pais têm dúvidas sobre presentear seus filhos com animal de estimação, porém os adultos podem se tranquilizar: normalmente, a convivência entre crianças de qualquer idade e animais é benéfica para ambos os lados. Eles se desenvolvem juntos, tanto nas ações cognitivas, de aprendizado, quanto no físico.

Bom senso e responsabilidade

É certo que os bichinhos de estimação necessitam de cuidados diários, como alimentar, trocar a água, ensinar a fazer xixi no lugar e hora certos, dar banho e medicação. Conforme os pais começam a dividir com as crianças essas responsabilidades, os filhos adquirem maior respeito e cuidado com o outro ser vivo.

Consequentemente, isso também beneficia o PET, pois quanto mais pessoas estiverem preocupadas com seu bem-estar e saúde, melhor para ele.

Quanto antes a criança entra em contato com os animais, mais cedo serão expostas a dezenas de agentes infecciosos. Deste modo, terão um desenvolvimento imunológico maior e melhor, já que o organismo tende a produzir anticorpos de defesa.

O exemplo típico é a resistência a alergias, já que as crianças têm o contato com os pelos dos animais e acabam ganhando resistência a eles.

Apesar disso, os pais e familiares próximos têm que estar atentos a doenças de pele e fungos dos animais pois algumas enfermidades, como sarna e doenças fúngicas, podem ser transmitidas aos humanos. Neste caso, é fundamental a companhia de um veterinário e estar sempre com as vacinações em dia,

Ajudando no equilíbrio

Outro benefício muito importante nesta relação é que os animais estimulam o desenvolvimento da coordenação motora das crianças, o que inclui a questão do equilíbrio para as mais novas. Os animais com mais idade, já não tão novos, percebem que o bebê não tem a mesma percepção que os adultos possuem e participam do desenvolvimento da criança com toda paciência e carinho.

Aprender a conviver com sentimentos faz parte da existência e da trajetória de todo ser humano, e as crianças, desde pequenas, podem se instigar a olhar o outro de um modo diferente. Muitos não percebem, mas pode estar dentro de casa a solução para alguns conflitos dos nossos filhos: um animal de estimação muda completamente para o bem a vida dos nossos pequenos.

É com cães e gatos, um passarinho, ou então aquele mascote inusitado que as crianças começam a compreender todas as etapas da vida: gestação, nascimento, primeiros passos, crescimento, doenças, e também, infelizmente, a morte.

Normalmente, com um tempo de sobrevivência menor do que o dos humanos, os animais são eterna fonte de experiência e aprendizado para as crianças e despertam nelas a responsabilidade, a sensibilidade e o respeito. Dessa relação, brotam sentimentos como frustração, alegria e também a autonomia.

Ao se ocupar com os animais, a criança projeta os cuidados que os pais têm com ela. A criança vai trazer isso para o seu íntimo, para a organização do psiquismo. É o que elas fazem, por exemplo, com as bonecas e com os brinquedos.

No entanto, com o animal é diferente: ele está vivo, vai reagir, e esse contato traz novas experiências para os nossos filhos.

É com os animais que a criança consegue exercer uma função diferente. Ela se torna responsável. Vai mostrar talentos que muitas vezes na família não é possível porque, normalmente, é ela quem precisa desses cuidados por causa da sua fragilidade e da sua falta de independência.