Dr. Jorge Huberman

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Entenda o que é a síndrome do imperador e como isso afeta o relacionamento com o seu filho

Criança mandona: saiba o que é a Síndrome do Imperador

Pais oferecem tudo aos filhos, de brinquedos até outros desejos e mesmo assim a criança nunca está satisfeita, não tem limites, faz todas as escolhas familiares, não respeita e até mesmo xinga e agride seus genitores. Cuidado, isso pode ser muito perigoso para a relação entre vocês. Este é o tópico que iremos abordar; criança mandona: saiba o que é a Síndrome do Imperador.

O que poderia ser considerado apenas com uma sensação de ter uma criança “mimada” em casa vai muito além disso, causando constante sentimento de frustração por parte dos pais, por não conseguir educar e agradar o seu filho.

Esse tipo de criança não sabe aceitar o não como resposta e, além de perturbar o lar em que vive, também causa desconforto em outros ambientes por onde passa, como na escola, desrespeitando colegas de sala, professores e funcionários.

Entenda melhor o que é essa síndrome, como saber se a criança e os pais estão sofrendo com ela e o que fazer nestes casos.

Entenda o que é a Síndrome do Imperador

A criança com síndrome do imperador desrespeita os pais constantemente
A criança com síndrome do imperador desrespeita os pais constantemente (Créditos: Freepik)

Como o próprio nome diz, essa situação ocorre quando a criança se torna a “imperadora” da casa: ela toma todas as decisões, desde escolher o cardápio e horário do almoço ou jantar, o que todos vão assistir na televisão ou cinema e até decidir quais serão os passeios feitos em família.

Elas não aceitam ser contrariadas, nunca descem de seu “trono” e não sabem lidar com frustrações, muitas vezes usando choro e birra típica de criança para que suas vontades sejam atendidas. 

No entanto, o que poucos entendem é que a criação e educação que cada criança recebe está por trás desse comportamento. 

Nos dias atuais, muitos pais vivem ocupados e em uma rotina frenética, para garantir uma boa renda e bem-estar familiar e acabam não tendo tanto tempo de qualidade com os filhos, que precisam de atenção. 

Com isso, ocorre muito o fato dos pais tenderem a suprir essa falta física e emocional com bens materiais, atendendo a todos os desejos dos pequenos com presentes. Por não estarem sempre por perto, os genitores se sentem obrigados a satisfazerem os caprichos da criança. 

Porém, esse tipo de comportamento é um dos passos para criar um pequeno monstro. As crianças precisam de atenção, carinho e afeto, e ao serem “consoladas” com presentes, passam a não aceitar quando seus desejos não são atendidos.

Além disso, outra atitude dos pais que pode criar um “pequeno imperador” é a falta de limites. Por exemplo, a criança faz birra e chora porque não pode comer sobremesa antes do almoço. Se os pais oferecem o doce como recompensa para o filho parar de chorar, estão ensinando que ele pode conseguir o que quiser fazendo birra.

Dessa forma, o pequeno vai entender que pode ter tudo o que quer, quando quer e da sua maneira e episódios como este vão se repetir.

Segundo o pediatra Jorge Huberman, é preciso ter calma no momento da birra. “Tente não demonstrar o quanto você está afetado pelo comportamento da sua filha ou do seu filho, respire fundo e, se estiver em algum lugar público, procure um local mais calmo onde a criança possa extravasar sua birra – sem que você ceda ao que ela quer”, explica.

Possíveis sinais; criança mandona: saiba o que é a Síndrome do Imperador

Além dos comportamentos já pontuados – choro, birra, não saber receber não, comer o que deseja na hora que quer – é necessário ficar atento a outras atitudes da criança, pois ela pode estar se tornando um “pequeno tirano”. Caso a criança tenha alguns dos sintomas abaixo, procure um pediatra:

  • Está sempre irritado;
  • Demonstra ingratidão;
  • Reclama constantemente dos demais;
  • Não apresenta empatia e compaixão com pessoas ao seu redor, como os próprios pais;
  • Postura mandona e com manipulação;
  • Baixa interação – possui dificuldade de interagir com outras crianças.

Estes comportamentos foram construídos ao longo da infância de crianças que não tiveram limites impostos por seus pais, e sendo assim, passaram a ter dificuldade para aceitar regras e respeitar autoridades.

Outro ponto para ficar atento é que essas atitudes tendem a começar primeiro contra os genitores, mas, podes se estender a qualquer outra pessoa que não atenda as expectativas do pequeno, até mesmo professores e diretores da escola onde ele estuda.   

Alguns pais acabam “terceirizando” a educação, esperando que a escola eduque seus filhos, mas se a criança agride e desrespeita uma professora, a culpa não é do colégio, e sim – na maioria das vezes -, dos próprios pais.

A síndrome é um problema a longo prazo. Criança mandona: saiba o que é a Síndrome do Imperador

Além do fato da criança causar situações desagradáveis para os seus pais e aqueles que convivem com ela, a síndrome faz mal para a própria criança. 

Crianças que não sabem aceitar um “não” e lidar com frustrações, serão sempre infelizes, pois não aprenderam a esperar, a serem flexíveis e a terem empatia. Logo, quando algo não sair como ela deseja, ficará decepcionada e consequentemente infeliz.

Se durante a infância, ela não aprender a lidar com essas questões, ao chegar na adolescência e se deparar com dificuldades, como não ser aprovada em um vestibular, vai desistir, pois, não foi ensinada a lidar com decepções – que são inevitáveis e fazem parte da formação humana.

Tendo todos os seus desejos atendidos, a criança com síndrome do imperador vai acabar desistindo de tudo que é trabalhoso, pois é uma pessoa viciada em prazeres, onde não precisa se esforçar muito para ter aquilo que quer.

Não se preocupe! É possível tratar! Entenda mais sobre criança mandona: saiba o que é a Síndrome do Imperador

Ainda que não seja reconhecido pelo Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais, segundo profissionais, é necessário que seja feito um tratamento psicológico com as crianças e também com os pais.

É importante que as famílias consultem um pediatra e um psicólogo para tentar reverter a situação. Por exemplo, uma criança que foi criada dessa maneira até os 10 anos de idade, pode mudar. Porém, o tratamento será mais longo.

Assim, é recomendado que os pequenos façam uma terapia cognitiva comportamental, que orienta a mudar posturas, atitudes e valores do mundo, ajudando a criança a ter um estilo de vida mais saudável para ela e para todos que a rodeiam.

Os pais também precisam de acompanhamento psicológico para mudarem o comportamento com os filhos. Afinal, não adianta que a criança mude e os familiares continuem sem impor limites e atendendo todos os caprichos dos pequenos.

Nesse caso, as sessões de orientação familiar seriam ideais, para que os pais não esqueçam que são os adultos da casa, os responsáveis por tomar grandes decisões, tirando o “trono” do pequeno imperador. É importante que os pais entendam que precisam impor limites, sempre com respeito e educação.

Durante um episódio de birra e choro, os pais devem agir com calma, amor e carinho. Ao invés de gritar ou entregar o que a criança quer, é essencial acalmá-la e conversar sobre o que ela está sentindo, buscando orientá-la da melhor forma para resolver o problema.

Para marcar uma consulta com o pediatra e neonatologista, Dr. Jorge Huberman, ligue para (11) 2384-9701.