Dr. Jorge Huberman

Criança com gagueira: o que fazer?

O processo de desenvolvimento da fala, que ocorre entre 2 e 4 anos de idade, costuma ser bastante complexo e desafiador para as crianças. Durante essa fase é comum que os pequenos apresentem episódios de gagueira.

Também chamada de disfluência, a gagueira tem como um de seus fatores de risco o histórico familiar, sendo que a condição atinge com mais frequência os meninos.

Nos primeiros anos de vida, a gagueira pode ser passageira, recebendo o nome de gagueira do desenvolvimento. Nesta fase, os episódios de gagueira podem até mesmo começar e terminar repetidas vezes.

Além de ter relação com o próprio processo de desenvolvimento da fala, a gagueira passageira pode se manifestar nos momentos de muita animação ou quando a criança está sendo apressada para falar.

A gagueira torna-se preocupante quando, além da repetição de sílabas ou palavras e prolongamento de sons, a criança também apresenta alguns “tiques”, como entornar o rosto, piscar o olho, tremer os lábios etc.

Quando diagnosticada de forma precoce, a gagueira tem cura. Além dos fonoaudiólogos, profissionais responsáveis por auxiliar a criança no tratamento, o apoio da família é fundamental para a criança com gagueira, evitando que ela fique constrangida, introvertida ou com medo de falar por conta da sua condição.

Até quando a gagueira infantil é normal?

Entre os 2 e 4 anos de idade as crianças ainda não tem domínio sobre o vocabulário para falar tudo o que desejam. Também podem ficar ansiosas para se comunicar ou estão tentando chamar a atenção dos adultos.

Fatores como esses contribuem para que a criança tenha gagueira, apresentando sintomas como:

  • Ansiedade e nervosismo antes de falar
  • Dificuldade para começar uma palavra
  • Repetição de sílabas ou palavras
  • Pausas silenciosas entre as sílabas
  • Nervosismo ao ter de pronunciar determinadas palavras (palavras que começam com “p” ou com as sílabas “pr” e “bl” costumam ser mais difíceis para quem tem gagueira)
  • Uso de expressões ou palavras como “muleta” ao começarem a falar, tais como “hum”, “ééé”, “tipo”, “quer dizer” etc
  • Movimentos involuntários, como tremer os lábios, piscar os olhos, franzir as sobrancelhas, entortar o corpo etc

Como foi possível observar a partir da lista acima, além da repetição de sílabas ou palavras, outros sinais devem funcionar como um alerta para os pais diante de episódios de gagueira, como irritabilidade e movimentos involuntários.

Em um sofá, fonoaudióloga e criança pequena estão sentadas fazendo exercícios de fala
Fonoaudióloga faz exercícios da fala com uma menina: episódios de gagueira que persistem por mais de 6 meses devem ser analisados por um especialista

Se após 6 meses do início dos sintomas a gagueira persistir, é indicado procurar ajuda especializada. Caso a família não tenha o contato de nenhum fonoaudiólogo, o pediatra de confiança pode fazer o encaminhamento para um profissional da área.

Como ressalta o pediatra Jorge Huberman, “a gagueira deve ser motivo de preocupação para os pais quando a criança está consciente da dificuldade e luta para falar. Nesse caso, se o problema persistir por mais de seis meses, eles devem procurar ajuda especializada”.

É importante que os pais deem a devida atenção para a gagueira e busquem tratamento antes da fase de alfabetização, uma vez que depois dos 7 anos aumentam as chances de a gagueira se tornar permanente.

Neste caso, o tratamento terá um papel mais encorajador, ajudando a criança a se sentir mais confiante nos momentos em que precisar falar e fornecer instrumentos para que ela consiga driblar situações desconfortáveis associadas à gagueira, como bullying.

Como ajudar uma criança que gagueja?

Não apenas os fonoaudiólogos, como também os pais têm um papel essencial no apoio à criança com gagueira.

Na intenção de ajudar, muitos familiares costumam sugerir que a criança fale mais devagar, pense ou respire antes de falar. Porém, dizer esse tipo de coisa costuma apenas piorar a situação da criança que gagueja.

Ao invés disso, a família deve adotar uma postura acolhedora, valorizando mais o conteúdo e menos a forma com que a criança se comunica.

As dicas abaixo podem ajudar os pais que não sabem como lidar com os episódios de gagueira infantil:

  • Ouvir com calma o que a criança tem a falar e nunca terminar as palavras por ela
  • Conversar com atenção, olhando para os olhos da criança, de preferência ficando na mesma altura que ela
  • Não prestar atenção à criança somente quando ela estiver gaguejando
  • Não dizer à criança para ela parar de gaguejar, uma vez que os problemas na fala ocorrem de maneira involuntária
  • Adotar uma postura de exemplo, falando de forma tranquila e articulada
  • Criar um ambiente familiar em que todos têm espaço para falar, evitando que a criança precise “lutar” para ser ouvida
  • Não chamar a criança de “gaga” ou “gaguinha”, pois esses estigmas podem prejudicar a autoestima da criança
  • Não aparentar nervosismo, constrangimento ou pena diante da gagueira
  • Dar segurança enquanto a criança fala, dizendo palavras de suporte e abraçando a criança, fazendo-a se sentir valorizada
  • Não forçar a criança a se comunicar em público
Em um consultório de fonoaudiologia, uma criança faz exercícios vocais
Um menino e sua fonoaudióloga fazem exercícios vocais: a família também tem papel fundamental no apoio à criança com gagueira

É importante que os pais compartilhem essas dicas com toda a família, garantindo que nenhum parente deixe a criança constrangida ou ansiosa.

Os professores também devem ficar cientes de que a criança está com gagueira, para evitar que os pequenos sejam colocados em situações de estresse diante dos colegas.

No mais, os pais podem pedir a orientação do pediatra sobre avaliações de linguagem e como encontrar um fonoaudiólogo infantil para auxiliar a criança.

Para marcar uma consulta com o Dr. Jorge Huberman, ligue para (11) 2384-9701.

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