Dr. Jorge Huberman

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Falar sobre racismo com as crianças é a melhor forma de permitir que os seus filhos reconheçam que existem pessoas diferentes e não reproduzam comportamentos racistas

Como falar sobre racismo com as crianças?

O termo “Consciência Negra” ficou famoso na década de 70 no Brasil, época em que a luta e os movimentos sociais que pedem por igualdade racial se desenvolveram, mas a grande questão é: como falar sobre racismo com as crianças?

A consciência negra é símbolo da resistência e da sabedoria de que a negritude tem valor na sociedade. Portanto, celebrar essa consciência é valorizar as lutas contra o racismo e reconhecer que a nossa sociedade se formou com uma relação desigual entre pessoas por questões de gênero, cor da pele, sexualidade e condições econômicas.

O Dia Nacional da Consciência Negra é celebrado sempre em 20 de novembro, dia da morte do Zumbi dos Palmares, e é declarado como feriado oficial em muitas cidades brasileiras. A data tem como objetivo principal a reflexão sobre a desigualdade e o preconceito.

As crianças são o nosso futuro e a forma que lidamos com esses assuntos tem o poder de transformar para melhor as relações sociais. Por isso, é preciso reforçar a importância de falar sobre racismo com as crianças. Confira!

Saiba a importância de como falar sobre racismo com as crianças

Vários motivos tornam essa conversa um pouco complicada para as mães ou pais, seja a falta de conhecimento sobre o assunto, o receio das crianças não entenderem ou o fato de não se sentirem à vontade para abordar o tema.

Mas, falar sobre racismo com as crianças é a melhor forma de tratar o preconceito, pois é extremamente importante que seus filhos reconheçam que existem pessoas diferentes e saibam como lidar com isso de forma a não reproduzir comportamentos racistas.

O Brasil é um país miscigenado e isso significa que conviver com pessoas de diferentes etnias por toda a vida é inevitável, comum e muito importante. E uma das formas de ter um filho livre de qualquer discriminação é conversar e dar exemplos de atitudes que mostrem respeito à diversidade.

As mães e os pais são as maiores referências para as crianças, por isso não basta apenas falar sobre racismo com as crianças, o comportamento delas é reflexo do que você faz
As mães e os pais são as maiores referências para as crianças, por isso não basta apenas falar sobre racismo com as crianças, o comportamento delas é reflexo do que você faz (Foto: Freepik)

As crianças não nascem racistas e nem preconceituosas, porém as questões sociais que estão enraizadas e promovem uma certa hierarquia de grupos em detrimento de outros já são parte da vida e das experiências dos pequenos. Mas é preciso lembrar, que o exemplo é tudo. Assim como as referências que seu filho têm.

Por isso é importante encontrar caminhos de diálogo e lidar com essa realidade, sabendo que não existe fórmula mágica, que esses papos são diferentes para cada família e que quanto mais cedo falar sobre racismo com as crianças, melhor. Assim como, buscar aprender e dominar o assunto, pode te ajudar a construir a opinião do pequeno.

Saiba como o racismo afeta as crianças

A conclusão do estudo do Centro de Desenvolvimento Infantil da Universidade de Harvard, é de que o racismo estrutural impacta o aprendizado, o comportamento, a saúde física e mental infantil, pois motiva episódios diários de preconceito que condenam a qualidade de vida e o futuro das crianças.

Segundo o IBGE, a desigualdade por causa da cor da pele pode ser vista nos ambientes educacionais, na infância, adolescência e na vida adulta, forte marca do racismo estrutural. Enquanto 31,1% dos universitários são brancos, apenas 12,8% dos estudantes do nível superior são negros.

Especialistas e pediatras afirmam que as crianças vítimas de racismo são prejudicadas e afetadas diretamente por mudanças de comportamento, que atrapalham o seu desenvolvimento social.

Sabe-se que a discriminação pode gerar transtornos de ansiedade, baixa-autoestima, depressão e estresse pós-traumático nas crianças negras.

Sendo assim, a primeira atitude quando o filho repercute uma fala ou comportamento racista é admitir que não há brincadeira ou fase em que o racismo é aceitável, portanto não se deve relevar.

Acolha a vítima de racismo demonstrando compaixão e pedindo desculpas pelo ocorrido, pois assim a criança perceberá que seu ato foi desrespeitoso e prejudicou a pessoa negra emocionalmente.

Em seguida, dialogue com o seu filho informando sobre o racismo presente naquela ação determinada, e mostre que atitudes assim são violentas, agressivas e fragilizam as pessoas que são vítimas de racismo.

É necessário falar sobre racismo com as crianças, explicar que é errado e então analisar se há algo no dia a dia da sua família que acabou transmitindo ideias preconceituosas para os pequenos. Afinal, ao ver os pais ou familiares tendo atitudes racistas, a criança tem aquilo como exemplo.

Você é o exemplo que seus filhos seguem: vale a pena falar sobre racismo com as crianças!

As mães e os pais são as maiores referências para as crianças! Por isso, não basta apenas falar sobre racismo com elas, o comportamento delas é reflexo do que vocês dizem e fazem.

O preconceito aparece no processo de criação e desenvolvimento da cultura dos filhos, e para enfrentar o racismo é preciso refletir sobre as suas atitudes e seus próprios preconceitos.

Crie oportunidades para apresentar diversas culturas e etnias para as crianças; fale sobre diversidade, demonstre a importância da equidade e de lutar contra o racismo.

Desta forma, seus filhos irão aprender e crescer cercados de bons exemplos.

Outro modo importante de falar sobre o racismo com as crianças é ampliar os horizontes por meio de filmes, livros e histórias, ficcionais ou não, de origem africana e de autores ou personagens de destaque negros, que fujam dos esteriótipos preconceituosos.

Conte sobre o passado para entender melhor o presente: se for preciso, estude junto com eles sobre eventos como as lutas quilombolas, o fim da escravidão, do apartheid na África do Sul e o movimento de luta negro dos Estados Unidos.

Como falar sobre racismo com as crianças?

Antes de tudo, tenha em mente que a forma que os pequenos enxergam o mundo avança conforme eles crescem, e para falar sobre racismo com as crianças, equidade e justiça social nunca é tarde demais.

Aqui estão algumas dicas para você poder iniciar essa conversa, com base nas informações dispostas na campanha da UNICEF “Por uma infância sem racismo”.

Confira:

Para falar sobre racismo com as crianças, equidade e justiça social nunca é tarde demais
Para falar sobre racismo com as crianças, equidade e justiça social nunca é tarde demais (Foto: Freepik)

Crianças menores de 5 anos:

  • As crianças reconhecem e mostram as diferenças. Portanto, faça o mesmo apontando e celebrando as diferenças e ainda destacando o que temos em comum, tudo com uma linguagem compreensível;
  • Esclareça dúvidas e corrija-as quando ela comparar ou julgar as diversidades;
  • Caso ela tenha passado por uma situação em que sofreu discriminação, encoraje-a a falar abertamente sobre isso, empoderando-a e falando sobre empatia.

Crianças de 6 a 11 anos:

  • As dúvidas são ainda maiores nessa idade, assim como a exposição às informações. Demonstre curiosidade sobre os conteúdos que ela acompanha e sugira outros. Entenda quem são os amigos dos seus filhos e se há diversidade neste grupo;
  • Sempre que algum caso de estereótipo ou preconceito surgir na mídia, levante pautas como “por que não vemos tantos negros sendo retratados como heróis nas novelas?”, incentivando a criação do senso crítico sobre o racismo;
  • Tenha papos abertos sobre inclusão, preconceitos e diversidade.

Acima de 12 anos:

  • Adolescentes já entendem conceitos abstratos e expressam suas ideias mais claramente, entenda o que eles pensam sobre o assunto e como se sentem sobre isso;
  • Mantenha um caminho aberto para que ele se expresse, tire possíveis dúvidas ou então compartilhe experiências que vocês viveram ou presenciaram sobre racismo;
  • Apresente novas perspectivas para que eles ampliem sua compreensão sobre o assunto.

O pediatra Jorge Huberman reforça que as escolas podem ajudar muito nesse processo selecionando obras de autores negros e com personagens negros, apresentar a trajetória e os aprendizados de personalidades negras da história e da atualidade e valorizar a cultura negra. “É super válido escolher uma instituição comprometida com o combate ao racismo”.

Para marcar uma consulta com o pediatra e neonatologista Dr. Jorge Huberman, ligue para (11) 2384-9701.