Dr. Jorge Huberman

Como conversar com as crianças sobre divórcio?

O término de um casamento é uma situação delicada e desafiadora para toda a família. Muitas vezes, os filhos são afetados emocionalmente durante este processo. Por esse motivo, é necessário ser cuidadoso. Portanto, vamos apresentar maneiras de como conversar com as crianças sobre divórcio.

Uma pesquisa realizada pela Agência Brasil, mostra que, em 2021, mais de 77 mil escrituras de divórcios foram lavradas nos tabelionatos de notas, 4% a mais em relação a 2020. Esse número cresce em razão da migração deste procedimento para o meio eletrônico, devido à pandemia da COVID-19.

“O divórcio por videoconferência impulsionou o desejo de muitos casais que buscavam uma forma prática de realizar o ato e, muitas vezes, sem ter que rever o parceiro”, afirma Giselle Oliveira de Barros, presidente do Colégio Notarial do Brasil, em entrevista ao portal Metrópoles.

Essa realidade pode gerar inseguranças, incertezas, tristezas e medos se não houver uma conversa esclarecedora e um acompanhamento contínuo. Quando uma criança vive um divórcio na família a partir dos 12 anos de idade, por exemplo, torna-se ainda mais complicada a aceitação da separação devido a uma procura por sua própria identidade.

Diante disso, é necessário analisar com cuidado qual será a qualidade da relação que os pais terão com os filhos após este período, para que o impacto possa ser mais leve na saúde emocional das crianças. Afinal, essa realidade pode gerar inseguranças e incertezas se não houver uma conversa esclarecedora e uma rede de apoio.

Como se preparar para conversar com as crianças sobre a separação

Para que o processo de separação seja menos doloroso, é preciso ter muito cuidado ao conversar com as crianças sobre divórcio. Portanto, preparar o ambiente para esse momento é uma das etapas mais importantes.

Acima de tudo, é necessário que os pais estejam calmos e mantenham uma linguagem tranquila e respeitosa ao decorrer da conversa. Trate a situação sem desespero e estresse, para não assustar. Lembre-se também de iniciar o assunto quando ela estiver calma e atenta.

Também procure um ambiente leve para que a quantidade de informações não se tornem ainda mais pesadas. Uma sugestão é se reunir com a criança em um parque ou em algum restaurante, por exemplo.

O pediatra e neonatalogista, Dr.Jorge Huberman, em seu consultório, no Instituto Saúde Plena fala sobre conversar com as crianças sobre divórcio
O pediatra e neonatalogista, Dr.Jorge Huberman, em seu consultório, no Instituto Saúde Plena fala sobre conversar com as crianças sobre divórcio (Foto: Kesher Conteúdo/Divulgação)

O pediatra e neonatologista, Jorge Huberman explica como facilitar a transição: “Após a conversa sobre o rompimento, cada pai precisa ter tempo a sós com o filho. É importante criar um ambiente favorável para a criança falar sobre os sentimentos e deixar claro que nenhum dos pais irá abandoná-la”, explica.

Além disso, manter uma boa relação com o ex-companheiro(a) é a opção mais saudável para a criação dos filhos. Brigas constantes poderão causar consequências sérias na vida das crianças, como transtornos de conduta e depressão. Portanto, é fundamental que haja o máximo de respeito entre os envolvidos.

Precisamos lembrar que estes cuidados também são válidos entre a separação com padrastos ou madrastas, especialmente àqueles que estiveram presentes em um período significativo na vida das crianças.

Se o casal optar pela guarda compartilhada, por exemplo, é necessário esclarecer sobre como será a nova rotina com os pais: onde irá morar e como será a divisão do tempo. O preparo psicológico é fundamental para diminuir o impacto com a mudança da rotina.

Especialistas recomendam que a mudança seja feita de maneira gradual e em um momento em que os filhos não estejam em casa. Para evitar com que presencie a cena do pai ou da mãe saindo de casa com as malas, por exemplo. É comum que exista o medo do abandono, especialmente na fase dos 3 aos 7 anos.

Outra sugestão é levar a criança para a nova casa dos pai ou da mãe e deixá-la com que participe no processo de escolha dos móveis e decoração. Convide-a escolher o seu quarto e faça planos com ela naquele ambiente. Assim, poderá evitar com que o término dos pais se transforme em um trauma.

Conversar com as crianças sobre divórcio pode ser difícil, mas é necessário
Conversar com as crianças sobre divórcio pode ser difícil, mas é necessário (Foto: Freepik)

O mais importante é que a criança não se sinta sozinha, principalmente se for filho único.

Manter a proximidade física dos filhos neste momento é sempre a melhor opção! Colocá-los para dormir, ouvir as histórias que eles contam sobre como foi o dia na escola, oferecer refeições e comer juntos poderá diminuir o efeito negativo do divórcio na família. Costumes como esses também podem ajudar a trazer aconchego tanto aos pais como às crianças.

Saiba qual é a melhor forma de conversar com as crianças sobre divórcio

Conversar com as crianças sobre divórcio não é fácil. Dependendo da idade, é quase inevitável que o filho não sinta tristeza pela situação. Muitas vezes, esse sentimento pode demorar meses ou até anos.

Por esse motivo, os pais precisam ter cuidado e resiliência para lidar com a situação. Contudo, uma dica essencial é: dê espaço para perguntas e as responda de maneira clara e objetiva. Não minta e não crie omissões. Falar a verdade é sempre a melhor forma de ajudar no processo de superação.

Seja franco. Explique o verdadeiro motivo do término e informe de maneira detalhada como será a nova rotina com os pais separados. Acima de tudo, esteja pronto para ouvir os sentimentos dos filhos e não crie expectativas de reconciliação.

Também procure compreender os questionamentos da criança e tenha paciência com as suas dúvidas. Não coloque o ex-parceiro(a) como um vilão, independente de qual tenha sido o motivo da separação, pois isso poderá atrapalhar a relação entre pais e filhos.

Seja claro ao conversar com as crianças sobre divórcio para evitar problemas emocionais
Seja claro ao conversar com as crianças sobre divórcio para evitar problemas emocionais (Foto: Freepik)

Outro conselho é o de não deixar que a criança se sinta culpada ou responsável pelo ocorrido. Mostre que existe uma diferença entre a relação conjugal e paternal, e que o assunto tem de ser resolvido apenas entre o casal.

Mesmo com o crescimento do número de divórcios, a família não pode normalizar a situação permitindo que os filhos passem pelo momento sozinhos. É fundamental que haja muito cuidado no processo de superação, para evitar com que problemas futuros sejam desenvolvidos. 

Se todo o contexto não for tratado de maneira cuidadosa, a criança poderá ficar doente emocionalmente e desenvolver, até mesmo, outros sintomas físicos. Nestes casos, um pediatra deverá ser consultado.

Para marcar uma consulta com o pediatra e neonatologista Dr. Jorge Huberman, ligue para (11) 2384-9701

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