Dr. Jorge Huberman

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Competição entre mãe e filha: quando é hora de agir?

A relação entre mãe e filha costuma ser generosa, gentil e cheia de um amor único e inexplicável. Por amar tanto e querer tão bem, algumas mães (e filhas) acabam passando dos limites em certas questões. Por isso, muitas vezes surge a dúvida: competição entre mãe e filha: quando é hora de agir? 

O convívio entre elas pode ser marcado por todas essas características boas e, ao mesmo tempo, contar com um ar conflituoso, agressivo e com uma certa competição entre mãe e filha. 

Ouvir a palavra competição quando se trata da relação entre mãe e filha pode ser um tanto quanto assustador, quase um tabu. Mas, muita calma! Basta entender melhor como ela se dá na prática e saber como evitá-la. 

A verdade é que essa competição nem sempre é negativa e pode se dar de diversas formas. Muitas famílias, inclusive, passam por isso sem nem sequer saber. 

Confira dicas e informações para te ajudar a identificar os sinais de competição entre mãe e filha e como fazer para que ela não se torne negativa.

Entenda mais, competição entre mãe e filha: quando é hora de agir?

Essa relação de competição entre mãe e filha pode aparecer de diversas formas no dia-a-dia, dependendo da família e da convivência entre elas. Mais uma vez, é importante ressaltar que ela não é sempre negativa. 

Um dos sinais de que há uma certa competição é quando a mãe, sem perceber, acaba desejando certas coisas que a filha tem: a juventude, as amizades ou o sucesso em algum esporte. Isso pode acontecer de forma positiva ou negativa.

Quando ocorre, normalmente é de forma inconsciente. Afinal, é difícil pensar que uma mãe tentaria brigar com a filha por certa posição no esporte ou em qualquer outra questão da vida. 

Mas, se é inconsciente, como descobrir se ela chegou a um nível prejudicial? Assim como em outras situações, tudo depende da reação da filha! 

Se a sua filha começar a reclamar da forma na qual você, como mãe, está se envolvendo com alguma atividade ou amizade que é dela, vale ligar o botão de alerta.

A melhor forma de perceber é se atentar às próprias atitudes e a reação da sua filha frente a elas. 

E claro: diálogo é tudo! Se você perceber um incômodo da sua filha em relação a forma na qual você lida com certas situações, chame-a para conversar. 

No bate-papo, tente se esforçar ao máximo para entender o que de fato a incomoda e como você pode mudar isso. 

A linha entre o incentivo e a competição pode ser bem tênue em diversas áreas da vida, mas isso não significa que ela não pode ser demarcada com muita calma e diálogo! 

Competição também pode aparecer na comparação

competição entre mãe e filha
A relação entre mãe e filha pode ser moldada por essa competição (Foto: Pixabay)

Como mãe, é normal usar exemplos da sua vida na hora de educar sua filha, para mostrar as diferenças e semelhanças do que você viveu com o que ela vive e demonstrar como você superou certos obstáculos que ela pode estar vivendo. 

O uso desses exemplos pode ser muito saudável para mostrar à criança que o que ela está passando é normal e todos nós passamos por certas dificuldades. Além disso, eles tendem a te aproximar da sua filha, por mostrar que as duas passaram por momentos parecidos. 

Mas, como tudo, existe uma linha tênue que transforma essa conversa saudável e positiva em algo que pode ser prejudicial. 

Quando você vê sua filha passando por um momento de desconforto e fala do seu passado apenas para mostrar que passou por coisas piores e não sofreu como ela está sofrendo, por exemplo, os resultados tendem a ser negativos.

Isso porque, falando dessa forma, ao invés de se aproximar dela, mostrando empatia e trazendo tópicos em comum, você demonstra certa superioridade, por ter passado por situações que você identifica como mais difíceis e superado sem pestanejar. 

Esse tipo de diálogo e proposição fará com que sua filha se sinta fraca, inferior a você, como se você fosse o ideal de perfeição e força que ela nunca conseguirá alcançar. 

Essa sensação, que é considerada um tipo de competição, por trazer níveis de superioridade, tende a afastar a criança da mãe. 

Isso porque, ao desabafar sobre algo e ouvir que está sofrendo por “bobeira” em relação ao que a mãe passou, a criança tende a achar que as adversidades dela não importam ou que são irrelevantes. 

Além dos obstáculos na relação entre mãe e filha, esse tipo de competição pode trazer diversas questões, como problemas com autoestima, insegurança e a sensação de que a criança nunca será boa o suficiente. 

Mais uma vez, para entender se passou dos limites, busque ouvir o que sua filha fala sobre essas conversas e como ela reage quando você conta uma história. Ouvir pessoas externas, como um parceiro(a) ou amigo(a), também pode ajudar. 

Um olhar mais atento para a reação das crianças

A linha entre a competição excessiva e a saudável pode ser bem tênue, mas você pode perceber se ultrapassou essa marca com alguns sintomas na sua filha. 

Uma das consequências da competitividade para as crianças é o recolhimento. Essa relação tende a fazer com que muitas meninas se sintam inadequadas ou que há algo de errado consigo mesmas. 

Quando isso acontece, os sinais são claros: uma pessoa que antes era extrovertida passa a falar menos, não querer mais falar sobre o que está acontecendo consigo mesma ou ver as amigas.

Garotas que têm esse sentimento também tendem a cuidar menos da própria aparência. 

Isso ocorre porque ela pode se sentir culpada por não conseguir passar por todos os obstáculos que a mãe mostrou que passou. Ou até mesmo se culpa por não ser boa o suficiente.

Algumas meninas, por outro lado, podem reagir de forma diferente: se revoltando contra a mãe, com o uso de palavras agressivas, desobediência e outras maneiras de mostrar que algo está errado e que ela está à procura da própria individualidade.

Nesse caso, as meninas tendem a se sentir a todo momento ameaçadas pela mãe, temendo qual vai ser a próxima ação ou comparação e usam esse tipo de comportamento para tentar demonstrar que há algo errado. 

Muita calma! Ainda dá tempo de mudar essa situação 

 Se você percebeu uma situação de comparação entre você e sua filha, não necessariamente precisa mostrar que errou e pedir desculpas, uma vez que as crianças provavelmente não vão entender essas relações.

competição entre mãe e filha
É preciso ficar atento aos sinais de competição entre mãe e filha (Foto: Pixabay)

Sendo assim, depois de notar e listar mentalmente os problemas competitivos que encontrou na sua relação com sua filha, busque mudá-los, uma atitude por vez. 

A alteração brusca do relacionamento pode ser difícil tanto para você quanto para a criança.

Então, a melhor forma é: quando essas situações aparecerem, tente pensar com calma nas palavras que vai usar e evitar a competição indevida. O exercício pode ser difícil no começo, mas, aos poucos, tende a ficar mais fácil e natural.

Em vez de mostrar como você teve uma infância muito mais difícil que a da sua filha e como os problemas dela são pequenos perto dos seus, por exemplo, busque dizer: 

“Eu sei que essa situação pode ser complicada. Eu mesma já passei por várias coisas desse tipo quando era mais nova. Dificuldades são normais, mas tenho certeza que você vai encontrar a melhor forma de lidar com essa”. 

Mostrar para sua filha que você confia nela para resolver os próprios problemas vai fazer com que ela se sinta mais autossuficiente e confiante em si mesma. 

Se achar necessário, você também pode oferecer sua ajuda para resolver. Nesses casos, mostre exemplos e situações e formas de solucioná-los. 

No caso da competição entre mãe e filha pelo esporte ou algum gosto da menina, se você perceber que passou dos limites e que a criança está incomodada, vale chamá-la para uma conversa e perguntar francamente. 

Você pode dizer: “Eu estou tentando me interessar pelos seus gostos para que fiquemos mais próximas, mas se isso está te deixando triste, pode me falar”. O diálogo é sempre a melhor resposta. 

De acordo com o pediatra Jorge Huberman, a filha se sente no direito de amar ou não a mãe, pois pensa que seu amor tem de ser conquistado, ou seja, que não precisa gostar da mãe automaticamente. “Quando se consegue botar na mesa todo o conflito, as coisas tendem a melhorar. Quando há uma conversa sincera, os afetos verdadeiros afloram”, tranquiliza.

Se você não entendeu por que se relaciona dessa forma com sua filha e percebeu que não consegue mudar, uma possibilidade é pedir ajuda. 

Converse com seu pediatra sobre essa preocupação e veja com ele qual é a melhor forma de agir e se é o caso de buscar por um psicólogo. 

Os mesmos são profissionais que conseguem lidar melhor com essas situações, te ajudam a entendê-las e a superar estes problemas. Não tenha medo de pedir ajuda! 

Para marcar uma consulta com o pediatra e neonatologista, Dr.Jorge Huberman, ligue para (11) 2384-9701.