Dr. Jorge Huberman

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Criança autista: cuidados e dedicação total

Como trabalhar com criança autista?

Um assunto muito sensível e delicado é como trabalhar com criança austista?. O autista é uma pessoa que tem uma condição muito especial, diferente de todos.

O que é simples para você e para outras crianças, para alguém com autismo, não é!

Aqui não estamos tratando de uma pessoa que faz birra ou é mal-educada. O que ocorre com a criança autista é um transtorno do neurodesenvolvimento, aliado ao comprometimento da interação social, comunicação verbal e não verbal.

Além disso, os autistas têm um comportamento limitado e repetitivo. Sendo assim, é mais simples e objetivo que as pessoas de modo geral se adaptem a eles, do que o contrário.

Do mesmo modo, evite julgar essas crianças, ajude-as para que se adaptem ao nosso meio de convivência da melhor forma possível! Porque a vida não é nada fácil para eles.

A mesma situação ocorre na educação infantil. Cada aluno reage de um jeito a esse problema, isso é normal! Porém, o aluno com autismo deve ser tratado com todo o respeito e carinho! Faz parte da inclusão escolar que ele interaja e esteja integrado aos demais coleguinhas.

A sala de aula é um dos principais ambientes onde o aluno autista precisa ser bem recebido! Inclusive para que a criança possa crescer e se desenvolver, sendo parte de uma educação inclusiva que o faça evoluir como ser humano.

Dentro deste contexto, o professor é um dos principais responsáveis por conseguir esta adaptação do autista. A criança é, normalmente, indefesa, ainda mais em uma situação assim, essa condição só exige mais cuidados de quem os cerca.

Um dos principais problemas escolares é exatamente essa integração entre crianças saudáveis, “normais” e as crianças com autismo. Portanto, é de fundamental importância que as escolas saibam lidar com esta situação da forma mais adequada. É por isso que trabalhar com criança autista exige muito preparo, carinho e dedicação.

O quanto antes o autista for estimulado para tentar ter uma vida normal, sem dúvida isso vai minimizar os seus prejuízos sócio-cognitivos.

Cada ser humano possui sua própria personalidade, seu modo de ver e fazer as coisas.

É por esse motivo que cada criança cresce de um jeito diferente. É por isso que as crianças autistas devem ser estimuladas de modo individualizado. No autismo infantil, soma-se ainda a obrigatoriedade máxima do diagnóstico precoce.

E isso é função do pediatra que cuida dele.

E, do mesmo modo, do envolvimento interdisciplinar para que esta abordagem seja o mais perto possível do ideal.

As crianças autistas exibem problemas significativos de desenvolvimento no que diz respeito a diversas habilidades cognitivas, tais como: percepção visual e auditiva e sensibilidade para perceber necessidades de compartilhamento social.

Aqui entra o transtorno do espectro autista, TEA, caracterizado por dificuldades de comunicação e interação social e pela presença de comportamentos e/ou interesses repetitivos ou restritos.

Além disso, apresentam sérios problemas de deficiência de linguagem para se expressar e para compreender vocábulos linguísticos.

Fora isso, uma criança nesta condição tem dificuldade de aprendizagem simbólica e manifesta problemas em perceber espacialmente as referências de rosto das pessoas. Ou seja, elas têm dificuldade em reconhecê-las.

Uma criança autista, normalmente, é possessiva, então é normal que raramente consiga compartilhar seus brinquedos com outros coleguinhas e não tem quase nenhuma capacidade de fixar o olhar no interlocutor.

Diante dessas ideias iniciais, alguns pais não sabem como devem estimulá-las e de que modo se aproximar delas para esta tarefa.

Um dos meios para isso acontecer é ter consciência de que a interação com os filhos não acontece apenas de forma oral, mas através de diversos outros caminhos. É necessário ser flexível para conhecer outros modos que usem canais sensoriais para se obter, realmente, uma forma de se comunicar.

Modos de estimular o desenvolvimento de uma criança autista

Através da visão

É essencial trabalhar a fixação ocular de crianças com autismo. Elas apresentam certo bloqueio em centrar sua visão na percepção de formas de olhos e boca dos seus cuidadores, pais, familiares, e das crianças com as quais brincam e interagem. Os pais das crianças autistas se queixam muito de que seus filhos que têm essa deficiência não olham para eles.

O autista infantil tem sérias dificuldades em perceber o triângulo existente entre os olhos e a boca e sabemos que o reconhecimento de face depende da identificação deste triângulo. Assim sendo, ao interagir com uma criança autista, é muito importante direcioná-lo para isso e fixar bem em seus olhos.

Ao dialogar com ela, abaixe-se e olhe para os seus olhos. Procure mostrar objetos diferentes, sempre colocando-os neste campo visual.

Sensibilidade tátil

Alguns autistas exibem hipersensibilidade na pele, audição e visão levando a intensas crises de choro ou reações de proteção. Isto acontece porque não há uma integração apropriada destes estímulos com interpretação de estados mentais sociais, e com os padrões simbólicos inter-humanos de percepção do além do concreto – como o significado de um estímulo doloroso e a reação subsequente a ele.

A dificuldade de coesão central faz com que a criança autista interprete um estímulo como único e não dentro de um contexto super valorizando as partes em detrimento do todo. Assim, estimular e trabalhar estes distúrbios em direção a auxiliar uma adequada integração dos mesmos permite ajudar esta criança a organizar e se harmonizar com a antes temida sensação.

Cooperação e compartilhamento

Ver o mundo de forma fragmentada e desconectada de um sentido social é um dos sintomas do autismo Infantil. Isto não tem nada a ver com repúdio voluntário à interação social, mas sim a um déficit cognitivo neurológico, que leva à falha no reconhecimento de estados mentais nas outras pessoas, ou seja, de interpretar o que aquela pessoa deve estar pensando ou imaginando antes que ela mesma fale de forma clara.

Sendo assim, o autista falha em cooperar, compartilhar, ou dar continuidade num ato social, em comunicar-se e em dialogar de forma recíproca. Um modo mais significativo é estimulá-lo através de tarefas e jogos sociais e meios estratégicos de compartilhamento de sequências.

Hoje em dia, games que demandam compartilhamento para finalizar um objetivo ou superar etapas estão sendo desenvolvidos para esta finalidade.

Lembre-se: os autistas, independente da idade, de serem crianças somente, adolescentes ou mesmo adultos, são pessoas maravilhosas. Ainda mais: se forem compreendidos, tornam-se, sem dúvida, pessoas melhores!