Dr. Jorge Huberman

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Nenê sorri no colo de sua mãe: como são os primeiros dias dos nossos bebês?

Como são os primeiros dias dos nossos bebês?

Em nenhuma outra época da sua vida, o ser humano realiza tantas conquistas motoras, mentais e sociais quanto em seus primeiros meses de vida. Porém, sempre temos uma curiosidade: como são os primeiros dias de vida dos nossos bebês?

Em primeiro lugar: isso vale para quase todo mundo; os pais ficam ávidos por novidades, mas é melhor não apressar os passos dos bebês.

Cada nova evolução significa o aperfeiçoamento da fase anterior ou a combinação de outras fases já aprendidas.

Segue-se então uma sequência pré-determinada, já quem comanda esse  verdadeiro “espetáculo” é o cérebro, e seu amadurecimento ocorre em etapas, como deve ser, sem pular fases.

Depois disso, a criança, em seus primeiros dias de vida, firma a musculatura dos olhos; após, sustenta o pescoço, o tórax, até que, adiante, já consegue ficar em pé.

Esse “percurso” tem a ver com a formação dos circuitos neurológicos, que é induzida pela mielina, uma substância branca e gordurosa que, aos poucos, recobre as células nervosas.  

Tem como função tornar mais ágil o tráfego de impulsos nervosos entre as células para ativar as sinapses, as conexões que permitem a comunicação entre os neurônios.

Quando esse fato ocorre, os estímulos fazem toda a diferença. Um neurônio pode fazer sinapses com outros dois, se a criança não for estimulada. Se for, é capaz de se conectar com outros dez.

Não é necessário realizar malabarismos. Pelo contrário!

O interesse, o afeto, os cuidados com o bebê é tudo parte de estímulos naturais sempre renovados pela evolução dos pequenos, que provocam novas respostas nos adultos, formando, assim, ciclos.

Como tudo isso acontece?

Jovem mãe segura o seu nenê: como são os primeiros dias dos nossos bebês?
Jovem mãe segura o seu nenê: como são os primeiros dias dos nossos bebês? Curiosidade que a grande maioria dos pais têm

Em seus primeiros dias, o nenê não consegue controlar nem a musculatura dos olhos. Ao invés, disso, de todos os seus sentidos existentes, a visão é a menos desenvolvida. Fácil de explicar: ela não é exigida durante a gestação.

Em um bebê recém-nascido, o alcance de sua visão é de somente entre 20 a 30 centímetros de distância. Isso equivale ao distanciamento entre o rosto do bebê e o da sua mãe na hora da amamentação.

A criança não consegue ter foco em objetos além dessa medida em seus primeiros dias de vida.

As imagens que elas formam ainda são embaçadas e duplas porque as duas retinas ainda não estão unidas.

Sendo assim, pode se considerar o bebê como sendo míope. Para auxiliar nesse avanço, os pais podem colocar móbiles coloridos sobre o berço. Isso certamente irá ajudá-los!

O olhar do bebê tem atração por objetos em movimento e de cores contrastantes, como, por exemplo, o preto e o branco.  

Já aos 6 meses de vida, a visão do nenê estará parecida com a de um adulto.

No entanto, a audição do recém-nascido, ao contrário do que ocorre com a visão, é tão boa quanto a dos pais. Isso ocorre porque ela começa a se desenvolver a partir do quinto mês de gestação.

O feto consegue escutar os movimentos dos órgãos maternos. A batida do coração da mãe gera ruídos que podem alcançar até incríveis 95 decibéis.

Para se ter uma ideia, em termos de comparação, é tanto barulho quanto o voo de um helicóptero.

Por isso, com somente 3 dias de idade, o nenê já consegue reconhecer a voz da mãe e, em apenas 20 dias, emite sons em resposta ou já vira a cabeça em direção ao barulho que ele conseguiu escutar.

Paladar do bebê é aguçado rapidamente

Bolachas infantis simulando sorriso: paladar do bebê é aguçado com 1 mês de idade
Bolachas infantis simulando sorriso: paladar do bebê é aguçado com 1 mês de idade

Com 1 mês de idade, ele registra a sequência das palavras e, com dois meses, já será capaz de demonstrar certa preferência pelo idioma materno.  

Da mesma forma, o paladar do recém-nascido também é aguçado, tendo a capacidade de distinguir o salgado, o azedo, o amargo e o doce.

Do mesmo modo também, logo em seus primeiros dias de vida, o bebê reconhece o leite materno entre o de outros seios.

Nesse começo de vida, o nenê chega a mamar até dez vezes ao dia e dormir quase 24 horas.

A alimentação e o sono entram com o tempo em sua rotina.

Quando acordado, o bebê parece estar um pouco estabanado e assustado em seus movimentos. Ele não os controla, já que são reflexos involuntários.   Uma das grandes marcas desse período é o seu sorriso social.

Sem dúvida alguma, isso é um indicativo de que o desenvolvimento psíquico e afetivo da criança está caminhando bem.

Trata-se de um fenômeno curioso, porque independe do olhar e da receptividade dos pais.

Além do sorriso, a criança, quando completa 2 meses de idade, já consegue levantar o queixo, mostrando, desta forma, que o controle da musculatura do pescoço está avançando.

Há também, nessa fase da vida, o reflexo de virar o rosto de lado se o bebê for colocado de bruços quando estiver acordado.  

Outros reflexos, como o de estender o corpo para trás, se for subitamente levantado e o da marcha, começam a ser diminuidos, já que o domínio sobre os movimentos aumenta de forma gradual.

Visão “míope” se ajusta com o tempo

A visão, quando as duas retinas acabam se fundindo, permite que o nenê fixe e acompanhe objetos e pessoas.

Ele já enxerga a mãe de outro modo. Não somente o contorno do rosto, como era antes desta fase.

Ao contrário: ele vê detalhes, como o nariz, a boca, os lábios. Consegue reconhecer pessoas mais próximas como o pai, os avós, a babá.  

Nessa época da vida, é essencial continuar levando a criança para ser vacinada conforme o calendário de vacinas, orientado por seu pediatra. Pouca gente sabe disso, mas as vacinas também dependem do desenvolvimento do bebê.

Elas têm datas para serem ministradas porque o tecido que produz a imunidade do bebê, o linfóide, possui uma determinada velocidade de crescimento.

Não resolve imunizar o bebê antes já que o seu organismo não vai conseguir responder à vacina. 

A boca é o principal instrumento do bebê para conhecer o mundo.

Ela consegue discriminar consistência, volume, texturas dos objetos, das pessoas e até das partes do corpo do bebê. Ele ainda não leva o pé à boca, mas as mãos já são “saboreadas” com brinquedos moles que o nenê já consegue pegar.

Os movimentos reflexos continuam a diminuir. O da marcha, por exemplo, é modificado pela tentativa voluntária da criança de ficar apoiada nas duas pernas quando colocada em pé. Aqui, a coluna está mais ereta.

No final do terceiro mês, o bebê já consegue erguer bastante a cabeça, o tronco, esticar os braços e movimentar a cabeça à procura de objetos e também de sons.

A mudança do padrão do sono
Bebê dormindo: padrão de sono sofre mudança
Bebê dormindo: padrão de sono sofre mudança, com média de 16 horas diárias, aos 3 meses de idade

O padrão de sono do bebê se modifica também. Ele dorme um pouco menos, cerca de 16 horas diariamente.

Se fomos pensar bem, ainda é bastante tempo e existe uma razão para isso.

A justificativa é que o bebê necessita de todas estas horas de sono para que não consuma calorias a mais do que as necessárias, pois o seu metabolismo trabalha demais.

E, quando dorme, o nenê consegue, de algum modo, controlar o seu desenvolvimento. Ele alterna entre o sono profundo e o sono REM (que é quando os olhos se movimentam).

Não dá para dizer efetivamente que os nenês fazem isso, mas é nessa fase do sono que as células de seu cérebro formam novas sinapses. 

A atividade cerebral da pequena criança nesses momentos é tão intensa que, às vezes, ela sofre um tipo de blecaute, tamanha a quantidade de informações que são registradas.

Em atividade, acordado, os movimentos do nenê avançam. Ele começa a virar o corpinho para o lado.

E já tem maior noção de profundidade desde que nasce, mas não de perigo, que é algo a ser aprendido com o tempo.

Por isso, os pais têm que ter cuidado com as quedas. Do terceiro para o quarto mês da criança, aparecem os balbucios.

Nesta fase, quando os pais conversam com os filhos, eles respondem com sons e entonação, como se estivessem mantendo um diálogo, uma conversa com os adultos. 

Já no quarto mês, a criança começa a dormir a noite toda.

Da mesma forma, durante o dia está bem mais ativa e sorri bastante.

A boca continua sendo o centro do conhecimento. Ele segue objetos visualmente até 180 graus. Ele tenta pegar brinquedos suspensos e pode até passá-los de uma mão para a outra.

Mãos abrindo é sinal de desenvolvimento

De bruços, consegue ficar, cada vez mais, com a cabeça firme e equilibrada. Já começa a erguer o tórax.

As mãos devem se abrir, o que é um bom sinal de desenvolvimento. Crianças com problemas cerebrais não conseguem abrir o polegar.

O quarto mês de vida da criança vem com muitas novidades: o bebê chora ao ser deixado sozinho, gosta de brincar de esconde-esconde com a mãe ou o pai que escondem o rosto com as mãos, explora mais o seu corpo, pegando o seu pé ou seu órgão genital.

Ao tocar o calcanhar, ele indica que está começando a usar a musculatura da perna. Esse é um treino que, mais adiante, será exigido ao engatinhar e ao andar.

A sua linguagem avança com a percepção das sílabas e das palavras. O bebê percebe que os sons são acompanhados pelos movimentos da boca de quem fala. 

O maior ganho dessa fase é conseguir girar a cintura.

O paciente Henry deitado em seu berço: quando a criança abre a mão já mostra sinal de desenvolvimento
O paciente Henry deitado em seu berço: quando a criança abre a mão já mostra sinal de desenvolvimento

Deitada, a criança, em primeiro lugar, joga a bacia para o lado, depois as pernas e só então o corpo. É um movimento de girar desconectado do tórax.

Isso quer dizer que o fortalecimento da musculatura atingiu a cintura.

O bebê já está chegando em outra fase: perto de sentar. Seus braços e suas pernas ganham agilidade, não sossegam durante o banho, como os pais podem perceber.

Os nenês parecem usar esse momento para praticar alguns movimentos rítmicos, voluntários.

Essa agitação auxilia a organizar o cérebro, formando conexões entre as células, estabelecendo um padrão para quando ele tiver força para engatinhar.

A criança já fica em pé quando é segura pela cintura. O bebê começa a sentar com o apoio de travesseiros e almofadas, porque possui total controle da parte torácica e da bacia.

Tentar pegar brinquedos, estimulam aprendizado sobre equilíbrio

Os brinquedos precisam estar por perto do nenê. As tentativas para pegá-los estimulam a respeito do aprendizado do equilíbrio. A criança interage mais com o ambiente.

Ela não gosta de ficar sozinha e sorri simplesmente quando algum conhecido seu vem em seu socorro. Imediatamente, estica os braços pedindo colo. Deixa as pernas estendidas, quando deitada de bruços.

O bebê consegue pegar os objetos que deseja. Também chuta, se balança, se debate e bate, esfrega, arranha, se inclina de modo rítmico e repetitivo.  

Com tudo isso, acaba mandando estímulos ao cérebro. Os mesmos se organizam em informações para o futuro: engatinhar, ficar em pé e andar.

Mais adiante, o nenê rola sobre si, indicando que o amadurecimento da musculatura está chegando já nas coxas. É preciso muito cuidado com os tombos. O sono já acabou virando rotina previsível. O bebê dorme algumas horas a menos, cerca de 14 horas diárias, incluindo as sonecas fora do horário noturno.

“Todos estes ‘aprendizados’ levam aos saltos do desenvolvimento, que são momentos em que o bebê está adquirindo uma nova habilidade”, explica o pediatra Jorge Huberman.

“Esses ganhos vêm acompanhados de algumas alterações comportamentais nos bebês que, geralmente, podem gerar desconfortos para os pais e para os pequenos. Duram algum tempo e os pais devem estar preparados e instruídos para ajudá-los”, afirma o médico neonatologista.

O pediatra Jorge Huberman atende paciente bebê: estes aprendizados levam aos saltos do desenvolvimento, que são momentos em que o bebê está adquirindo uma nova habilidade
O pediatra Jorge Huberman atende paciente bebê: estes aprendizados levam aos saltos do desenvolvimento, que são momentos em que o bebê está adquirindo uma nova habilidade

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