Dr. Jorge Huberman

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Como a ansiedade infantil afeta a fome das crianças?

Você sabia que a ansiedade pode acometer até mesmo as crianças? Pois é! Com a pandemia da Covid-19, a vida de todos foi afetada de modos diferentes, e casos de ansiedade infantil dispararam desde março de 2020, início da pandemia no Brasil. Por isso, vamos abordar o tema: como a ansiedade infantil afeta a fome das crianças?

A Universidade de São Paulo, a USP, realizou um estudo para investigar a saúde mental de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos durante a pandemia, e identificou sintomas de ansiedade e depressão em 27% deles.

A ansiedade infantil pode se manifestar de diversas maneiras, como fome e apetite, que podem aumentar ou diminuir, podendo variar bastante. Dessa forma, pequenos que comem muito podem estar sofrendo deste distúrbio. 

Estima-se que 90% das crianças com sobrepeso acabam usando a comida como forma de aliviar as tensões. Pensando nisso, te ajudamos a entender como a ansiedade e a fome andam juntas e a importância de ter um acompanhamento pediátrico. 

De acordo com o pediatra Jorge Huberman, devemos sempre ficar atentos a alguns sintomas, que podem advir da ansiedade infantil. “Dificuldades no sono, queda no rendimento escolar, desmotivação, medos e preocupações excessivas, dores de cabeça, tonturas e retraimento social são alguns deles”, explica.

Entenda a relação da criança com a comida

A alimentação é uma das primeiras experiências que temos na vida, e é preciso estar atento sobre como ela é apresentada para a criança. Alguns pais usam a comida como forma de consolo ou recompensa.

Por exemplo: “se você parar de chorar, vai poder tomar um sorvete” ou “se você for bem na prova de matemática, vai ganhar um chocolate”. 

Nem sempre esses incentivos são saudáveis para a relação do pequeno com a comida. Experiências assim podem fazer com que ele não compreenda quais são os verdadeiros sinais de fome e saciedade.

Dessa forma, a criança pode acabar desejando comer em momentos de ansiedade, para aliviar emoções como estresse, tristeza, solidão e até mesmo tédio. 

Segundo estudos, assim como os adultos, crianças também descontam suas emoções na comida. Portanto, é preciso tomar cuidado para que esse não se torne o principal mecanismo de controle emocional.

Caso contrário, elas acabarão comendo por impulso, fazendo da comida um refúgio para lidar com alguns sentimentos. 

Por exemplo, uma criança preocupada com o primeiro dia de aula em uma nova escola, com medo que alguma coisa ruim possa acontecer, acaba comendo um doce e sente que todos os seus sentimentos ruins foram amenizados. 

Ao longo do tempo, essa estratégia pode vir a se repetir. Então, sempre que a criança estiver com alguma sensação desagradável, ela vai recorrer à comida para se sentir aliviada, mesmo que não esteja com fome.

Restrições alimentares causam ansiedade infantil e compulsão

saiba os riscos da ansiedade infantil
Fique atento a relação do seu filho com a comida (Foto: Pixabay)

Uma das causas da ansiedade pode ser a restrição alimentar. Alguns pais não gostam que os filhos comam doces, frituras ou outros alimentos específicos.

Isso não está totalmente errado, pois, comer esses tipos de comida em excesso pode ser prejudicial à saúde, porém, o grande problema está na proibição.

Muitos pediatras reforçam que uma dieta restritiva não é o ideal, uma vez que o pequeno vai ter cada vez mais vontade de comer aquele alimento “proibido”. 

Eles estão em fase de crescimento e a restrição não é uma boa alternativa, o ideal seria incentivar o consumo em quantidades menores.

Se você diz ao seu filho que ele só pode comer doces aos finais de semana, ele passará a semana inteira ansioso por esse momento. 

Quando o sábado chegar, provavelmente terá um episódio de compulsão alimentar, consumindo vários doces em grande quantidade, pois ele sabe que só poderá comer esses alimentos novamente uma semana depois, e assim, esse ciclo tende a se repetir.

Como saber se é fome ou ansiedade infantil?

Se o seu filho acabou de almoçar ou jantar e pouco tempo depois diz que está com fome e deseja comer novamente, fique atento, pois pode ser a ansiedade falando. 

O corpo de uma criança ansiosa pode trazer alguns sinais como: coração acelerado, mãos suando e até mesmo pernas bambas. 

Também é importante analisar se o pequeno está com algum sentimento ruim, como tristeza, nervosismo, frustração, medo e tédio. Neste caso, é importante manter um diálogo para descobrir se há alguma preocupação dele ou se algo desagradável está acontecendo.

Antes de qualquer diagnóstico, é importante consultar um pediatra. Também é preciso entender e tratar qual a razão por trás dessa ansiedade infantil. 

Caso esse sentimento não seja trabalhado, a criança vai continuar repetindo esse comportamento – independentemente se está fazendo um acompanhamento nutricional ou não – afinal, foi dessa maneira que ela aprendeu a lidar com esses tipos de situações.

É essencial explicar que há outras maneiras de extravasar a ansiedade que não seja comendo, como, por exemplo, praticar um esporte. Isso porque a atividade física traz a sensação de prazer e bem-estar. 

A criança que só consegue se acalmar comendo, pode ter alguns problemas de saúde, como obesidade, diabetes e colesterol alto. 

Como controlar a fome do meu filho?

Nunca use a alimentação do seu filho como uma forma de conforto, para que ele não cresça entendendo que deve comer em momentos de tristeza ou frustração. 

Também é importante não usar a comida como uma moeda de troca, por exemplo, dizer que se ele lavar a louça, vai poder comer o que quiser naquele dia.

Atitudes assim podem criar uma situação de compensação, que geram compulsão alimentar. Além disso, a criança acaba associando comida com recompensa emocional.

a ansiedade infantil pode ser controlada
Proibir a criança de consumir determinados alimentos pode gerar ansiedade e compulsão. (Foto: Pixabay)

É necessário que desde cedo seja explicada a diferença entre fome e vontade de comer – afinal, são sensações difíceis para uma criança compreender.

Outro cuidado importante é: Não compare os hábitos alimentares do seu filho com os de outra criança, mesmo que seja seu irmão.

Cada pessoa tem uma relação própria com a comida. Além disso, comparações desse tipo podem deixar a criança frustrada e ansiosa.

Uma dieta rica em fibras é ótima opção. Alimentos como frutas, hortaliças, verduras e gorduras boas, nos deixam saciados por mais tempo. 

Beber bastante água também é uma forma de controlar a fome e desejo, além de ser essencial para manter o corpo saudável.

Fique atento ao comportamento do seu filho e alguns outros sintomas como: dificuldade para dormir, queda no rendimento escolar, desmotivação, tontura, dores de cabeça, irritabilidade ou apatia, oscilação de humor e retraimento social.

Lembre-se que a ansiedade infantil é coisa séria e deve ser tratada como qualquer outra doença.

Os sentimentos de medo e preocupação são comuns durante o desenvolvimento psíquico infantil, porém, quando exagerados e desproporcionais, procure um pediatra de confiança. para cuidar do seu filho da melhor maneira. 

Para marcar uma consulta com o pediatra e neonatologista, Dr.Jorge Huberman, ligue para (11) 2384-9701.