Dr. Jorge Huberman

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A Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde cria códigos universais para padronizar doenças e facilitar trabalho de profissionais da saúde

CID-11: conheça as novas atualizações

A Organização Mundial da Saúde (OMS) elaborou a nova Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, CID-11. A nova diretriz atualizou condições como o transtorno do espectro autista e transexualidade; e trouxe novas categorias relativas à Covid-19.

Mas, em primeiro lugar, o que é CID? A Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde é um registro que reúne e organiza as mais diversas doenças e sintomas conhecidos, em grupos ou categorias.

Desenvolvida pela OMS, essa classificação tem a função de fiscalizar a ocorrência e prevalência de doenças, através da investigação universal dos problemas de saúde pública, sinais e sintomas, apresentando um panorama amplo da situação sanitária dos países e de seus habitantes.

É uma das principais ferramentas epidemiológicas usadas por profissionais da saúde. O objetivo é a padronização da nomenclatura e a criação de códigos para as doenças ou outras condições, o que garante a melhor comunicação e entendimento entre profissionais da saúde de diferentes regiões.

Assim, todas as doenças, patologias, enfermidades e condições conhecidas serão facilmente identificadas nominalmente, bem como seus sintomas, aspectos fisiológicos e inclusive as reclamações dos pacientes. Ela contém cerca de 55 mil códigos únicos para lesões, doenças e causas de morte.

Esta ferramenta está traduzida em 43 diferentes línguas e presente em mais de 115 países. Organizada em 22 capítulos, a Classificação é separada por letras e números em ordem crescente: o alfabeto de A a Z é associado a números de 0 a 99.

A versão CID-10 foi lançada na 43ª Assembleia Mundial da Saúde, realizada pela OMS, em maio de 1990. Atualmente, a CID está em sua décima primeira edição (CID-11). Ela é revista periodicamente e foi atualizada pela última vez em 1º de janeiro de 2022.

O que é o CID-11 ?

A revisão da CID-10 ocorreu em 1989. A classificação deveria ter sido revisada novamente 11 anos mais tarde. Porém, isso só aconteceu em 2018, sendo apresentada somente no ano seguinte. E, acabou entrando em vigor somente agora, há poucos meses. 

O novo documento, totalmente eletrônico, foi atualizado com informações de mais de 90 países. A CID-11 reflete os dados sobre segurança na assistência à saúde com termos mais claros que facilitam o entendimento de detalhes importantes para o público geral.

“Um princípio fundamental nesta revisão foi simplificar a codificação e fornecer aos usuários todas as ferramentas eletrônicas necessárias. Isso permitirá que os profissionais de saúde registrem as condições de forma mais fácil e completa”, afirma Robert Jakob, líder de Equipe, Terminologias e Padrões de Classificações da OMS.

A CID-11 trouxe novas categorias relativas à Covid-19
A CID-11 trouxe novas categorias relativas à Covid-19 (Foto: Freepik)

A nova versão também inclui recomendações de diagnóstico atualizadas para condições de saúde mental e documentação digital de certificados para COVID-19. 

“A CID tem sido fundamental para nos ajudar a responder à pandemia de COVID-19, usando dados padronizados e continua sendo crucial para acompanhar o progresso em direção à cobertura universal de saúde. Esperamos que todos os países aproveitem os novos recursos poderosos da CID-11, disse em nota oficial, Samira Asma, diretora-geral de assistente de dados, análises e entrega para impacto na OMS.

Além disso, a CID-11 também trouxe atualizações sobre transsexualidade e o transtorno do espectro autista. Após 28 anos, a  transexualidade sai da categoria de transtornos mentais para integrar a de “condições relacionadas à saúde sexual” e é classificada como “incongruência de gênero”.

Contudo, antes mesmo da determinação da OMS, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) já havia publicado a Resolução CFP n°01/2018, que orienta os profissionais do Brasil a não considerarem a transexualidades como uma patologia mental.

Atualizações da CID-11 sobre o Transtorno do espectro autismo

O Transtorno do Espectro Autismo (TEA),  reúne desordens do desenvolvimento neurológico presentes desde o nascimento ou começo da infância. É um transtorno cerebral que afeta a capacidade de relacionamento com pessoas e o ambiente.

As três principais áreas do desenvolvimento humano afetadas são habilidades socioemocionais, atenção compartilhada e linguagem. Atualmente, a ciência aponta que não existe apenas um tipo de autismo, mas de muitas variações que se manifestam de uma maneira singular em cada pessoa.

Por mais que existam algumas características parecidas entre o círculo de pessoas autistas, cada indivíduo se expressa e sente as emoções de forma única. Sendo assim, os quadros devem ser analisados individualmente e especificamente.

Na versão anterior, a CID-10 trazia vários diagnósticos dentro dos Transtornos Globais do Desenvolvimento, como Autismo Infantil, Autismo Atípico, Síndrome de Asperger, Retardo Mental e Transtorno Desintegrativo da Infância, por exemplo.

Agora, na CID-11, o autismo passou a constar como um diagnóstico unificado. A intenção é facilitar a identificação do transtorno e simplificar a codificação para acesso a serviços de saúde.

O pediatra e neonatologista  Jorge Huberman, explica que surgiu uma crença de vacina levando ao autismo. “Essa crença surgiu porque, em 1998, um estudo realizado pelo médico inglês Andrew Wakefield, e publicado na conceituada revista científica The Lancet, associou a vacina tríplice viral, utilizada no combate ao sarampo, caxumba e rubéola, ao transtorno do espectro autista. Um grande erro. O artigo foi retirado da Lancet”, avalia.

O pediatra e neonatalogista, Dr.Jorge Huberman, em seu consultório, no Instituto Saúde Plena fala sobre CID-11
O pediatra e neonatalogista, Dr.Jorge Huberman, em seu consultório, no Instituto Saúde Plena fala sobre CID-11 (Foto: Kesher Conteúdo/Divulgação)

Autismo na CID-10 X CID-11

CID-10:

F84 – Transtornos globais do desenvolvimento (TGD)

  • F84.0 – Autismo infantil;
  • F84.1 – Autismo atípico;
  • F84.2 – Síndrome de Rett;
  • F84.3 – Outro transtorno desintegrativo da infância;
  • F84.4 – Transtorno com hipercinesia associada a retardo mental e a movimentos estereotipados;
  • F84.5 – Síndrome de Asperger;
  • F84.8 – Outros transtornos globais do desenvolvimento;
  • F84.9 – Transtornos globais não especificados do desenvolvimento.

CID-11

  • 6A02 – Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)
  • 6A02.0 – Transtorno do Espectro do Autismo sem deficiência intelectual (DI) e com comprometimento leve ou ausente da linguagem funcional;
  • 6A02.1 – Transtorno do Espectro do Autismo com deficiência intelectual (DI) e com comprometimento leve ou ausente da linguagem funcional;
  • 6A02.2 – Transtorno do Espectro do Autismo sem deficiência intelectual (DI) e com linguagem funcional prejudicada;
  • 6A02.3 – Transtorno do Espectro do Autismo com deficiência intelectual (DI) e com linguagem funcional prejudicada;
  • 6A02.5 – Transtorno do Espectro do Autismo com deficiência intelectual (DI) e com ausência de linguagem funcional;
  • 6A02.Y – Outro Transtorno do Espectro do Autismo especificado;
  • 6A02.Z – Transtorno do Espectro do Autismo, não especificado.

Como saber se meu filho é autista?

A CID-11 classificou o autismo como um diagnóstico unificado
A CID-11 classificou o autismo como um diagnóstico unificado (Foto: Freepik)

As crianças com TEA não apresentam nenhuma anormalidade física. Os principais sintomas estão relacionados à dificuldades em se comunicar com outras pessoas e na ocorrência de padrões  comportamentais repetitivos.

Os primeiros sintomas podem ser identificados logo nos primeiros anos de vida. Alguns sinais que podem alertar que seu filho pertence ao espectro Autista são:

  1. Manias incomuns
  2. Alterações de sono
  3. Não reage aos sons
  4. Sensibilidade a ruídos ou toques
  5. Não sorri e nem reage a sorrisos
  6. Resistência a mudanças de rotina
  7. Irritabilidade excessiva, sem causa aparente
  8. Dificuldades na aceitação da alimentação variada
  9. Interessa-se mais por objetos do que por  humanos

10.Apresenta movimento repetitivos de tronco, mãos ou cabeça;

Em qualquer sinal de TEA, é fundamental consultar o pediatra. Somente médicos especializados podem realizar o diagnóstico correto e garantir o melhor acompanhamento para a criança.

Para marcar uma consulta com o pediatra e neonatologista Dr. Jorge Huberman, ligue para (11) 2384-9701 .