Dr. Jorge Huberman

Choro do bebê: aprenda a identificar cada tipo

O choro do bebê pode ter diferentes motivos, desde fome e sono até desconforto por conta da fralda suja ou mesmo tédio e necessidade de atenção.

Apesar de à primeira vista parecer que todo choro de bebê é igual, vale ficar atento para identificar alguns sinais que diferenciam cada choro.

De acordo com um estudo da musicista australiana Priscilla Dunstan e que levou oito anos para ser concluído, existem 5 tipos principais de choros, com sinais típicos. São eles fome, sono, desconforto, gases e cólica.

Além desses cinco tipos, o bebê também pode chorar por conta do frio, para ter o colo dos pais ou porque está recebendo muitos estímulos.

Existe ainda um choro que não tem nenhuma causa aparente, e que normalmente ocorre no fim da tarde ou durante a noite. Nesse caso, o bebê chora para aliviar a energia acumulada ao longo do dia, permitindo o retorno a um estado mais tranquilo e relaxado.

Como ainda não conseguem se comunicar através de palavras, o choro é a maneira encontrada pelos recém-nascidos para avisar que algo não está bem. Até os três meses de vida, os choros tendem a ser constantes.

Do quarto mês em diante, os bebês descobrem novas maneiras de expressar seus sentimentos, através de balbucios e das primeiras palavras, e então o choro deixa de ser a principal forma de comunicação.

Para além dos diversos motivos que podem fazer o bebê chorar, os choros têm relação com a chamada exterogestação, período que corresponde aos primeiros meses do bebê fora da barriga da mãe.

Ao contrário do útero, que promovia um ambiente quente e seguro, o mundo exterior é repleto de estímulos capazes de deixar o bebê triste, assustado, desconfortável e até mesmo raivoso.

Principalmente nos primeiros meses de vida, é importante que os pais respondam prontamente aos choros do bebê, garantindo que ele se acalme mais rapidamente e para diminuir a frequência no futuro.

Dr Jorge Huberman segura a bebê Raíssa que havia acabado de nascer
Dr Jorge Huberman após o parto da bebê Raíssa: no caso de choros que fogem ao normal, os pais devem confiar em seus instintos e procurar ajuda médica

Além disso, a família deve respeitar uma rotina bem estabelecida de sono, amamentação e troca de fraldas, bem como ter paciência e cuidado com o recém-nascido. Outra recomendação importante para lidar com o choro do bebê é manter o pediatra informado sobre os hábitos e o comportamento da criança.

Nos casos em que os choros duram mais do que o normal ou vêm acompanhados de outros sintomas, o especialista deve ser consultado.

Como ressalta o pediatra e neonatologista Dr. Jorge Huberman, “caso o bebê tenha um choro sem energia, baixo, nasal, é hora de redobrar a atenção a outros sinais que podem acompanhar, como: febre, vômito, diarreia, bolinhas vermelhas pelo corpo, entre outros sinais que são incomuns.”

Nessas situações, continua o especialista, é importante confiar nos instintos maternos/paternos e entrar em contato com o médico da criança.

Os 5 principais tipos de choro do bebê

O choro do bebê pode ser classificado em 5 tipos principais, de acordo com a musicista australiana Priscilla Dunstan:

Fome

O choro de fome costuma ser acompanhado de gestos como chupar o dedo e abrir e fechar as mãos. Esse tipo de choro é prolongado e tem um som parecido com “né”, o qual remete ao movimento de sucção.

Sono

O choro de sono vem do movimento de bocejo, fazendo com que o bebê emita um som vogal, parecido com “au” Outros sinais ajudam a identificar que o bebê quer descansar, como ficar com as bochechas mais vermelhas que o normal e os olhos “pesados”.

Quando bebê está com sono, é comum que ele demore um pouco mais para parar de chorar, e recomenda-se diminuir as luzes, levá-lo a um lugar tranquilo e embalar o bebê até que ele consiga dormir.

Gases

Durante o choro decorrente de gases, o bebê emite um ruído parecido com “ê”, além de contrair o abdômen com o intuito de expulsar o que está incomodando.

Desconforto

O choro de desconforto pode ter a ver com fralda suja, mesma posição no berço ou roupas apertadas, e possui um som forte de “heh”. Quando o bebê está desconfortável, ele também faz movimentos corporais enquanto chora.

Cólica

Os picos de cólica geralmente duram até os 3 meses de vida, fazendo o bebê chorar, enrugar a testa e distender o abdômen. O choro de cólica é intenso e prolongado e vem acompanhado de um som de “ear”.

Para acalmar o bebê, recomenda-se fazer movimentos de bicicleta com as perninhas ou massagens circulares na barriguinha. Outra sugestão é apoiar o bebê de bruços no braço dobrado de um adulto.

Bebê engatinha e chora: os principais motivos por trás do choro do bebê são fome, sono, desconforto, gases e cólicas
Bebê engatinha e chora: os principais motivos por trás do choro do bebê são fome, sono, desconforto, gases e cólicas

Além desses cinco tipos que foram estudados por Priscila, o choro do bebê pode ter outras razões, entre elas:

Frio ou calor

Se o bebê estiver chorando e apresentar sintomas como testa suada e brotoejas pelo corpo, ou peito e costas frios, pode ser que a causa seja a temperatura. Nesses casos, deve-se adequar a quantidade de peças de roupa ou dar um banho morno ou quente no bebê.

Tédio ou necessidade de atenção

Principalmente quando o bebê acorda e não vê a mãe, ou após ficar algum tempo na mesma posição no carrinho, é comum que ele chore pedindo colo ou por sentir tédio. Nesses casos, dar atenção para a criança ou oferecer um brinquedo podem ajudá-la a se acalmar.

Dor

Quando o bebê está com dor, o choro geralmente vem acompanhado de um toque na região que está incomodando. Vale consultar o pediatra para entender o que pode estar causando dor no bebê.

Excesso de estímulos

Em ambientes com muita luz e som, os bebês tendem a ficar rabugentos e choram para reclamar. Levá-los a um ambiente mais tranquilo costuma ajudar.

Dentinhos nascendo

Entre os 7 e 12 meses de vida os primeiros dentinhos começam a nascer, deixando o bebê irritado. O choro associado a esse motivo vem acompanhado de perda de apetite, gengivas inchadas e avermelhadas, aumento da baba e necessidade de colocar objetos na boca para aliviar o incômodo e a coceira.

Para acalmar o bebê, recomenda-se oferecer mordedores, usar pomadas específicas recomendadas pelo pediatra ou fazer massagens com gazes umedecidas.

Como acalmar um bebê que está chorando

Para acalmar um bebê que está chorando, a primeira recomendação é identificar o motivo do choro. Então, vale observar se está na hora da amamentação e se a fralda está limpa, por exemplo.

Caso não seja possível identificar a causa do choro, os pais podem tentar alguma dessas sugestões:

  • Pegar o bebê no colo e cantar uma canção de ninar
  • Deixar o bebê descansando sobre a barriga de um adulto
  • Colocar o bebê no carrinho e balançá-lo para frente e para trás
  • Fazer uma massagem suave e com movimentos circulares na barriga do bebê
  • Envolver o bebê em uma manta mais apertada, como um “charutinho”

De forma geral, os pais devem ter paciência e tranquilidade para transmitir calma ao bebê, além de oferecer carinho e aconchego para que a criança se sinta segura e amada.

Caso essas técnicas não surtam efeito, pode ser interessante conversar com o pediatra que atende seu filho.

Quando é hora de se preocupar com o choro do bebê

Mãe está com uma expressão de preocupação e cansaço enquanto segura seu bebê deitado na cama
Mãe segura a mão do seu bebê que está deitado na cama: os pais devem observar sintomas associados que podem indicar a necessidade de procurar ajuda médica

Choros constantes nem sempre precisam ser um motivo de preocupação. Em muitos casos, as cólicas são responsáveis por fazer o bebê chorar de forma excessiva.

Mas quando choro do bebê não cessa, é comum que os pais fiquem cansados e aflitos.

Quando todas as necessidades da criança foram atendidas e mesmo assim ela não para de chorar, e ainda dá gritos fortes e emite sons estridentes, pode ser interessante buscar ajuda do pediatra.

Outra situação em que o especialista deve ser consultado é quando o choro do bebê vem acompanhado de sintomas como: dificuldade para respirar ou respiração barulhenta, falta de sono ou de apetite, lesões na pele, febre e contrações no abdômen.

Para marcar uma consulta com o Dr. Jorge Huberman, ligue para (11) 2384-9701.

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